A resposta curta
José era um construtor de Nazaré, da linhagem do rei Davi, noivo de Maria quando ela ficou grávida. Mateus o chama de homem justo, que pretendia se separar dela em segredo até que um anjo, em sonho, lhe disse para recebê-la como esposa. Ele criou Jesus como filho e some dos Evangelhos depois que Jesus faz doze anos.
Revisado em
Pai de Jesus, em que sentido?
Os Evangelhos chamam José de pai de Jesus sem rodeios: “teu pai e eu estávamos te procurando angustiados”, diz Maria no Templo (Lucas 2:48). Mas escolhem as palavras com cuidado quando contam a origem. Mateus escreve “José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus” (Mateus 1:16), e Lucas diz que Jesus era filho “(como se supunha) de José” (Lucas 3:23). A tradição cristã o chama de pai adotivo, ou pai legal: foi ele quem deu o nome ao menino e o colocou na linhagem de Davi.
A crise do noivo
Lucas acompanha Maria; Mateus acompanha José. A história dele começa com uma crise: a noiva está grávida, e não dele.
José, seu marido, sendo um homem justo e não querendo expô-la à desonra pública, pretendia separar-se dela em segredo.
O compromisso judaico era um contrato de casamento, e desfazê-lo exigia um divórcio. José podia ter feito isso em público. Escolhe o caminho discreto, e então o primeiro de quatro sonhos muda tudo: “José, filho de Davi, não tenha medo de receber Maria como sua esposa” (Mateus 1:20).
Quatro sonhos
- Casar. Ele recebe Maria em casa e dá ao menino o nome de Jesus, como o anjo mandou (Mateus 1:24–25).
- Fugir. Depois da visita dos magos, um anjo avisa que Herodes vai procurar o menino. José parte para o Egito naquela mesma noite (Mateus 2:13–14).
- Voltar. No Egito, um sonho lhe diz que “aqueles que procuravam tirar a vida do menino estão mortos” (Mateus 2:20).
- Ir para o norte. Com medo de Arquelau, filho de Herodes, que reina na Judeia, e avisado de novo, ele se instala em Nazaré, na Galileia (Mateus 2:22–23).
A cada vez o anjo repete quase as mesmas palavras, “tome o menino e sua mãe”, e a cada vez José simplesmente se levanta e obedece. Em nenhum Evangelho ele diz uma única palavra.
O construtor de Nazaré
Os vizinhos depois perguntam: “Não é este o filho do carpinteiro?” (Mateus 13:55). A palavra grega é téktōn, um construtor em madeira e pedra. Nazaré era uma aldeia de poucas centenas de pessoas; Séforis, que Herodes Antipas estava reconstruindo, ficava a uma hora de caminhada. Alguns historiadores imaginam José e o filho trabalhando lá, mas nenhum texto diz isso.
Mateus e Lucas traçam a linhagem de Jesus desde Davi passando por José, mas discordam sobre o pai dele: Jacó em Mateus 1:16, Eli em Lucas 3:23. No século III, Júlio Africano propôs um casamento de levirato, a viúva que se casa com o irmão do marido morto; outros sugerem que Lucas segue a linhagem de Maria.
O que aconteceu com José?
Depois da cena no Templo, José vira só um nome na boca dos outros: “Não é este o filho de José?” (Lucas 4:22). Ele não aparece no ministério de Jesus nem junto à cruz, onde Jesus confia a mãe ao discípulo amado (João 19:26–27). A maioria dos leitores conclui que José já tinha morrido.
A tradição preencheu o silêncio. O Protoevangelho de Tiago, de cerca de 150 d.C., faz dele um viúvo idoso, com filhos, escolhido quando uma pomba saiu do seu cajado; por isso tantas imagens lhe dão barba branca. A Igreja Ortodoxa lê os “irmãos” de Jesus como filhos desse primeiro casamento. Os católicos celebram São José em 19 de março e, desde 1955, também como São José Operário, em 1º de maio. No Ceará, onde ele é o padroeiro do estado, o 19 de março é feriado, e o sertanejo diz que chuva no dia de São José anuncia um bom inverno.
Fontes
- Mateus 1:16–25; 2:13–23; 13:55
- Lucas 1:27; 2:1–52; 3:23; 4:22
- João 6:42; 19:25–27
- Protoevangelho de Tiago 9
- Júlio Africano, Carta a Aristides, em Eusébio, História Eclesiástica 1.7
As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.