A resposta curta
A Bíblia não diz. Lucas chama Maria de virgem prometida em casamento, e as meninas judias da época muitas vezes ficavam noivas aos doze ou treze anos, casando cerca de um ano depois. Então ela provavelmente era adolescente. Um texto do século II, o Protoevangelho de Tiago, diz que ela tinha dezesseis anos.
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O que os Evangelhos dizem, e o que não dizem
Nenhum Evangelho dá a idade de Maria, nem a de José. Lucas descreve a situação dela.
Ora, no sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma virgem prometida em casamento a um homem cujo nome era José, da casa de Davi. O nome da virgem era Maria.
Chamar isso de noivado engana um pouco. O compromisso judaico era um contrato firme: o casal já era legalmente marido e mulher, e desfazê-lo exigia um divórcio, que é justamente o que José pensa em fazer (Mateus 1:19). Mas a noiva continuava na casa do pai até a festa de casamento. Mateus diz que Maria engravidou “antes de se unirem” (Mateus 1:18), e Lucas ainda a chama de “prometida em casamento” na viagem a Belém (Lucas 2:5).
Com que idade as moças casavam?
No mundo de Maria, as meninas muitas vezes ficavam noivas aos doze ou treze anos, por acerto entre as famílias. As regras escritas são um pouco posteriores, mas mostram o costume. A Mishná, o código da lei judaica reunido por volta de 200 d.C., considera válidos os votos de uma menina a partir dos doze anos e um dia (Nidá 5:6), e dá à virgem prometida doze meses para se preparar para o casamento depois que o marido a reclama (Ketubot 5:2). O direito romano fixava doze anos como a idade mínima de casamento para uma menina (Digesto 23.2.4).
Juntando tudo, a estimativa comum é uma moça no começo ou no meio da adolescência quando nasceu o primeiro filho. É uma dedução a partir do costume, não um dado sobre Maria. Algumas moças casavam mais tarde, e os Evangelhos não dão pista nenhuma.
De onde vem o “dezesseis”
O único texto antigo que dá um número é o Protoevangelho de Tiago, escrito por volta de 150 d.C. e que nunca fez parte de nenhuma Bíblia. Nele, Maria é criada no Templo desde os três anos, é entregue aos cuidados de José aos doze, e tem dezesseis quando a promessa do anjo se cumpre e ela concebe. O mesmo livro é o primeiro a dar nome aos pais dela, Joaquim e Ana, e faz de José um viúvo idoso, com filhos crescidos.
Muito da tradição posterior nasceu desse livro, como a festa da Apresentação de Nossa Senhora, em 21 de novembro, celebrada por católicos e ortodoxos. Os historiadores o leem como obra de devoção escrita um século depois, não como memória de família. O seu dezesseis é um palpite tão antigo quanto o século II.
Jovem, mas não passiva
Seja qual for a idade, Lucas não desenha uma menina assustada. Maria questiona o anjo antes de aceitar.
Maria disse ao anjo: “Como será isso, visto que sou virgem?”
Depois ela dá a sua resposta, vai apressadamente à região montanhosa de Judá ver a parenta Isabel, que concebeu “na sua velhice” (Lucas 1:36), e canta o Magnificat. Meses depois, está caminhando até Belém em fim de gravidez. Lucas põe as duas lado a lado: uma que já tinha perdido a esperança e outra cuja vida mal tinha começado.
Maria aparece de novo junto à cruz (João 19:25) e entre os primeiros fiéis de Jerusalém, orando com os apóstolos (Atos 1:14). Se tinha uns quinze anos quando Jesus nasceu, estava com cerca de cinquenta quando ele morreu.
Fontes
- Lucas 1:26–56; 2:1–7
- Mateus 1:18–25
- Mishná, Nidá 5:6 e Ketubot 5:2
- Digesto de Justiniano 23.2.4 (Pompônio, sobre a idade de casamento)
- Protoevangelho de Tiago 7–12
As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.