A resposta curta
Sim, por tudo o que o texto mostra, embora ele nunca diga “eu perdoo vocês”. Ao se revelar, em Gênesis 45, pede aos irmãos apavorados que não fiquem irados consigo mesmos, beija cada um e chora. Anos depois, quando eles pedem perdão após a morte de Jacó, José responde “Não tenham medo” e promete sustentá-los.
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“Eu sou José”
O teste acaba no instante em que Judá se oferece como escravo. José manda todos os egípcios saírem da sala e chora tão alto que “os egípcios ouviram, e a casa de Faraó também ouviu” (Gênesis 45:2). Pela primeira vez fala com os irmãos sem intérprete no meio: “Eu sou José! Meu pai ainda vive?” (45:3). Eles não conseguem responder. O governador que tem a vida deles nas mãos é o irmão que venderam.
José disse aos seus irmãos: “Cheguem perto de mim, por favor.” Eles se aproximaram. Ele disse: “Eu sou José, seu irmão, a quem vocês venderam para o Egito. Agora, não se entristeçam, nem fiquem irados com vocês mesmos por terem me vendido para cá, pois foi para preservar vidas que Deus me enviou adiante de vocês.
Ele chama o crime pelo nome na mesma frase em que consola. A quem vocês venderam. Nada é varrido para debaixo do tapete.
Perdão sem a palavra
No capítulo 45 ninguém pede perdão, e José não anuncia perdão nenhum. Ele mostra. Abraça Benjamim chorando, beija todos os irmãos e chora sobre eles, e o capítulo traz uma linha pequena que fecha um círculo: “Depois disso, seus irmãos conversaram com ele” (45:15). Vinte e dois anos antes, eles “não conseguiam falar pacificamente com ele” (37:4). Agora conversam.
Os presentes também têm eco. Cada irmão ganha uma muda de roupa, e Benjamim ganha trezentas peças de prata e cinco mudas de roupa (45:22). Roupa e prata estavam no centro do crime antigo: a túnica arrancada do corpo dele, as vinte peças recebidas pela venda. E José os despede com um aviso seco: “Cuidem para não brigarem no caminho” (45:24).
Dezessete anos depois, ainda com medo
Quando Jacó morre, os irmãos concluem que José só estava esperando a hora. Mandam um recado:
‘Vocês dirão a José: “Agora, por favor, perdoe a desobediência de seus irmãos e o pecado deles, porque eles lhe fizeram o mal.”’ Agora, por favor, perdoe a desobediência dos servos do Deus de seu pai.
O Gênesis nunca registra Jacó dizendo nada disso. Rashi, o comentarista medieval, concluiu que os irmãos mudaram as palavras do pai em nome da paz. José chora ao ouvir, talvez por ver quão pouco confiavam nele. Então responde: “Não tenham medo, pois estou eu no lugar de Deus?” (50:19). Promete sustentá-los, a eles e às crianças, e lhes fala “com bondade” (50:21). A resposta completa virou um versículo famoso (veja o que José quis dizer em Gênesis 50:20).
Como foi esse perdão
- Veio depois de um teste. José observou os irmãos durante duas viagens antes de confiar neles (veja por que José testou os irmãos).
- Deu nome ao erro. “A quem vocês venderam” está na primeira frase.
- Foi prático. Terra em Gósen, comida durante mais cinco anos de fome, cuidado com os filhos deles.
- Repetiu o reencontro do pai. Quando Esaú encontrou Jacó depois de vinte anos, “correu ao seu encontro, abraçou-o, lançou-se ao seu pescoço, beijou-o, e eles choraram” (33:4). Uma geração depois, os mesmos gestos entre irmãos.
Fontes
- Gênesis 37:4; 44:18–45:28
- Gênesis 50:15–21
- Gênesis 33:1–4
- Rashi sobre Gênesis 50:16
As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.