A resposta curta
Destruição mútua assegurada, ou MAD, é a ideia de que, quando duas potências podem destruir uma à outra mesmo depois de sofrer o primeiro ataque, nenhuma vence uma guerra nuclear, e por isso nenhuma tem motivo para começá-la. O termo se espalhou nos anos 1960, depois de a Crise dos Mísseis mostrar o quanto o mundo tinha chegado perto.
Revisado em
A lógica
A MAD depende de uma condição: cada lado precisa manter armas suficientes para revidar depois de um ataque de surpresa. No começo dos anos 1960, bombardeiros em alerta, mísseis em silos blindados e mísseis escondidos em submarinos tornaram isso possível. Se nenhum lado consegue desarmar o outro com um primeiro golpe, começar uma guerra nuclear significa ser destruído em seguida. A segurança, nessa visão, não vem da defesa, mas da certeza do revide. Kennedy descreveu essa condição em junho de 1963:
A guerra total não faz sentido numa era em que grandes potências podem manter forças nucleares grandes e relativamente invulneráveis e se recusar a se render sem recorrer a essas forças.
No pronunciamento de 22 de outubro de 1962, ele já tinha transformado essa lógica em política: qualquer míssil disparado de Cuba receberia “uma resposta de retaliação total contra a União Soviética”.
De onde vem o nome
A ideia é mais velha que as palavras. Em meados dos anos 1960, Robert McNamara, secretário de Defesa de Kennedy e de Johnson, fez da “destruição assegurada” a régua do planejamento nuclear americano: a capacidade de arrasar a União Soviética como sociedade organizada mesmo depois de absorver um primeiro ataque. A sigla é atribuída a Donald Brennan, estrategista do Hudson Institute que era contra a doutrina e acrescentou o “mútuo” para que as iniciais formassem um veredito: em inglês, mad quer dizer louco.
O que a crise ensinou
Em outubro de 1962, a lógica deixou de ser teoria. Os dois líderes viram como uma guerra poderia começar sem que nenhum dos dois a escolhesse: um avião derrubado sem ordem de Moscou, um comandante de submarino isolado dos superiores, um avião espião americano perdido sobre o Ártico soviético. Em Moscou, na noite em que Kennedy anunciou a quarentena, Kruschev disse aos colegas, segundo as anotações daquela reunião: “Nós não queremos desencadear uma guerra.”
Kennedy deu a medida do perigo quando apresentou aos americanos o tratado de proibição de testes, no verão seguinte:
Uma troca nuclear em grande escala, que durasse menos de 60 minutos, com as armas que existem hoje, poderia matar mais de 300 milhões de americanos, europeus e russos, além de um número incalculável de pessoas em outros lugares.
No mesmo discurso, ele lembrou que o próprio Kruschev tinha avisado os dirigentes chineses de que os sobreviventes de uma guerra assim invejariam os mortos. Na American University, Kennedy já tinha tirado a lição para os dois lados: as potências nucleares precisavam evitar os confrontos que deixam o adversário entre um recuo humilhante e uma guerra nuclear.
Um fio, um tratado e um relógio
Em 1963, os dois governos transformaram esse medo em medidas concretas. Em agosto, abriu-se uma linha direta entre Washington e Moscou. Em 5 de agosto, em Moscou, Estados Unidos, União Soviética e Grã-Bretanha assinaram o Tratado de Proibição Parcial de Testes Nucleares, que proibiu explosões na atmosfera, no espaço e debaixo d’água; o Senado americano aprovou o texto em setembro, e ele entrou em vigor em 10 de outubro de 1963. Os testes continuaram debaixo da terra. O Bulletin of the Atomic Scientists recuou o Relógio do Juízo Final de sete para doze minutos antes da meia-noite.
A MAD não acabou com a corrida armamentista; deu forma a ela. O Tratado ABM, de 1972, limitou com rigor as defesas antimísseis dos dois lados, pelo raciocínio de que um escudo para um enfraqueceria a dissuasão do outro. Stanley Kubrick já tinha transformado a doutrina em comédia de humor negro. Em Dr. Fantástico (1964), os soviéticos constroem uma máquina do juízo final que destrói o mundo automaticamente se o país for atacado, mas não contam a ninguém que ela existe, o que acaba com a única utilidade dela.
Fontes
- John F. Kennedy, discurso na American University, 10 de junho de 1963, e pronunciamento sobre o tratado de proibição de testes, 26 de julho de 1963 (American Presidency Project)
- Tratado de Proibição de Testes de Armas Nucleares na Atmosfera, no Espaço Exterior e Debaixo d’Água, Moscou, 5 de agosto de 1963
- Tratado sobre a Limitação dos Sistemas de Mísseis Antibalísticos, 26 de maio de 1972 (Avalon Project)
- Lawrence Freedman, The Evolution of Nuclear Strategy (1981)