A Guerra Fria · Significado

Por que foi criado o Relógio do Juízo Final?

A resposta curta

Foi criado em 1947 para mostrar ao público o quanto o mundo parecia perto de uma catástrofe nuclear. Cientistas que tinham trabalhado na bomba atômica publicavam uma revista, o Bulletin of the Atomic Scientists, e a capa de junho de 1947, desenhada pela artista Martyl Langsdorf, mostrava um relógio a sete minutos da meia-noite, a hora do desastre.

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Uma revista de cientistas preocupados

O Bulletin of the Atomic Scientists nasceu em Chicago em dezembro de 1945, quatro meses depois de Hiroshima, como boletim dos cientistas do Projeto Manhattan, o programa secreto que construiu a bomba. Os fundadores, Eugene Rabinowitch e Hyman Goldsmith, e muitos dos autores tinham trabalhado na Universidade de Chicago, onde a primeira reação nuclear em cadeia controlada foi obtida em dezembro de 1942. Eles queriam que o público entendesse a nova arma e pressionasse por um controle internacional antes que começasse uma corrida armamentista. Para a capa da edição de junho de 1947, a redação recorreu a uma artista.

Por que sete minutos para a meia-noite?

A artista era Martyl Langsdorf, pintora casada com o físico Alexander Langsdorf, que tinha trabalhado no Projeto Manhattan. Ela desenhou só o quarto superior esquerdo de um mostrador, com o ponteiro dos minutos a sete minutos da meia-noite. A meia-noite representava a catástrofe; a proximidade do ponteiro, a urgência. Por que sete? Langsdorf disse que a hora simplesmente agradava aos olhos dela: não havia cálculo nenhum por trás. O desenho funcionou tão bem que a revista o manteve, e assim nasceu o Relógio do Juízo Final, o Doomsday Clock.

O primeiro movimento, 1949

Durante dois anos, o ponteiro ficou onde Langsdorf o pôs. Então, em 29 de agosto de 1949, a União Soviética testou a primeira bomba atômica na estepe perto de Semipalatinsk, no Cazaquistão soviético, antes do que a inteligência americana previa. Em 23 de setembro, Truman anunciou: “Temos provas de que, nas últimas semanas, ocorreu uma explosão atômica na URSS.” Para Moscou, que tinha lido a bomba americana como um recado contra a União Soviética, o teste acabava com o monopólio americano. O editor, Eugene Rabinowitch, adiantou o ponteiro para três minutos antes da meia-noite. Dali em diante, o relógio passou a ser um julgamento feito por pessoas, e não só uma imagem.

Para a frente e para trás

Em 1953, depois que Estados Unidos e União Soviética testaram armas de hidrogênio, o ponteiro foi para dois minutos. Em 1960, voltou para sete. Não se mexeu durante a Crise dos Mísseis de Cuba, em outubro de 1962 (a crise), e em 1963, depois do tratado que proibiu testes nucleares na atmosfera, recuou para doze. Em 1991, com o fim da Guerra Fria e um tratado entre Washington e Moscou para cortar armas de longo alcance, foi para dezessete minutos antes da meia-noite, a marca mais distante da história do relógio. A lógica por trás desses movimentos, a de que uma guerra entre potências nucleares destruiria as duas, ganhou o nome de destruição mútua assegurada (o que é MAD).

Quem ajusta o relógio hoje

Depois da morte de Rabinowitch, em 1973, a decisão passou a um conselho. Hoje quem ajusta o relógio é o Conselho de Ciência e Segurança do Bulletin, depois de ouvir o Conselho de Patrocinadores, do qual fazem parte ganhadores do Nobel. A decisão é anunciada todo mês de janeiro, e desde 2007 a mudança climática também entra na conta, ao lado das armas nucleares. O relógio é um alerta, não um instrumento de medida: os minutos são o julgamento de um grupo de especialistas sobre o perigo, desenhados na imagem que uma pintora escolheu em 1947 (o teste Trinity e a primeira bomba).

Fontes

  • Bulletin of the Atomic Scientists, capa da edição de junho de 1947 (Martyl Langsdorf)
  • Harry S. Truman, declaração sobre a explosão atômica soviética, 23 de setembro de 1949
  • Bulletin of the Atomic Scientists, cronologia do Doomsday Clock, 1947 a 1991
  • Richard Rhodes, Dark Sun: The Making of the Hydrogen Bomb (1995)