A resposta curta
Foi um impasse de treze dias, de 16 a 28 de outubro de 1962, depois que os Estados Unidos acharam mísseis nucleares soviéticos em Cuba. Kennedy cercou a ilha com navios de guerra, e o mundo chegou à beira de uma guerra nuclear. Acabou quando Kruschev aceitou retirar os mísseis em troca de duas promessas americanas, uma delas secreta.
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Por que “treze dias”
A contagem começa na terça-feira, 16 de outubro de 1962, pouco antes das nove da manhã, quando o assessor de segurança nacional, McGeorge Bundy, levou ao presidente John F. Kennedy as fotos aéreas de bases de mísseis no oeste de Cuba. Termina no domingo, 28 de outubro, quando a Rádio Moscou leu a promessa de Kruschev de levar os mísseis de volta. Robert Kennedy, irmão do presidente, deu às memórias daqueles dias o título de Treze dias; o livro saiu em 1969, um ano depois do assassinato dele, e o nome pegou.
Cada capital deu um nome diferente à mesma história. Na União Soviética, falava-se em crise do Caribe; em Cuba, em crise de outubro. Para Moscou, tudo começou com a ameaça a Cuba; para Washington, na manhã em que as fotos chegaram.
A crise, etapa por etapa
- Por que os mísseis vieram (1961–1962). Depois do fracasso da Baía dos Porcos, e com mísseis americanos instalados na Turquia, Kruschev decidiu, em maio de 1962, mandar mísseis nucleares para Cuba em segredo. Os motivos de Kruschev têm uma página própria.
- As fotos (14 a 16 de outubro). O major Richard Heyser cruzou o oeste de Cuba num avião espião U-2 no domingo, 14 de outubro, e a câmera fez 928 fotos em seis minutos. Em Washington, analistas que trabalhavam no andar de cima de uma concessionária de carros identificaram mísseis balísticos de alcance médio perto de San Cristóbal.
- A quarentena (22 a 25 de outubro). Kennedy foi à televisão e cercou Cuba com navios de guerra, sob um nome escolhido a dedo, como explica a página sobre a quarentena. No dia 24, os navios soviéticos pararam antes da linha.
- O Sábado Negro (27 de outubro). Um U-2 foi derrubado sobre Cuba, o piloto morreu, e um submarino soviético quase disparou um torpedo nuclear. O dia, hora a hora, está em o que aconteceu no Sábado Negro.
- O acordo (28 de outubro). Kruschev aceitou retirar os mísseis; Kennedy prometeu não invadir Cuba e, em segredo, tirar os mísseis americanos da Turquia. As duas metades estão em qual foi o acordo.
- O que ficou (1963). O susto deixou uma linha direta entre as capitais, um tratado contra testes nucleares na atmosfera e um nome sombrio para o impasse, a destruição mútua assegurada.
DEFCON 2: a um passo
DEFCON vem de defense readiness condition, a escala de prontidão das Forças Armadas americanas. Vai de DEFCON 5, tempo de paz, até DEFCON 1, guerra nuclear. Enquanto Kennedy falava, na noite de 22 de outubro, as tropas americanas no mundo inteiro passaram para DEFCON 3. Em 24 de outubro, quando a quarentena começou, o Comando Aéreo Estratégico, que controlava os bombardeiros e mísseis de longo alcance, subiu para DEFCON 2, pela única vez na história.
O mundo chegou perto mesmo?
Mais perto do que se sabia na época. A CIA esperava uns dez mil soldados soviéticos em Cuba; eram cerca de 42 mil. As tropas soviéticas também tinham armas nucleares de campo de batalha, que Washington só descobriu em 1992, quando veteranos dos dois lados se reuniram. Cada um dos quatro submarinos soviéticos perto da linha da quarentena levava um torpedo nuclear. E, no Sábado Negro, oficiais soviéticos em Cuba dispararam contra um avião americano sem consultar Moscou.
Segundo o assessor Theodore Sorensen, Kennedy calculou depois que a chance de guerra tinha ficado entre uma em três e meio a meio. Na noite do discurso da quarentena, ele já tinha dito o que estava em jogo:
Não vamos arriscar de forma prematura ou desnecessária os custos de uma guerra nuclear mundial, na qual até os frutos da vitória seriam cinzas na nossa boca, mas também não vamos fugir desse risco quando for preciso enfrentá-lo.
Ninguém disparou. O Relógio do Juízo Final ficou em sete minutos para a meia-noite durante toda a crise e voltou para doze depois do tratado de proibição de testes, em 1963.
Fontes
- John F. Kennedy, pronunciamento à nação sobre os mísseis soviéticos em Cuba, 22 de outubro de 1962 (American Presidency Project)
- Foreign Relations of the United States, 1961–1963, vol. XI: Cuban Missile Crisis and Aftermath
- Robert F. Kennedy, Treze dias (1969)
- Aleksandr Fursenko e Timothy Naftali, “One Hell of a Gamble”: Khrushchev, Castro and Kennedy, 1958–1964 (1997)