Roma Antiga · Significado

O que é o símbolo Chi-Rho?

A resposta curta

O Chi-Rho é um monograma de Cristo formado pelas duas primeiras letras da palavra grega Christos: o chi, escrito Χ, e o rô, escrito Ρ. Sobrepostas, elas parecem um P atravessado por um X. Constantino o tornou famoso quando seus soldados lutaram sob esse sinal na Ponte Mílvia, em 312.

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Duas letras, um nome

Em grego, a língua do Novo Testamento, Cristo é Christos, ΧΡΙΣΤΟΣ em maiúsculas. A primeira letra, o chi (ou qui), parece o nosso X, mas soa como um k aspirado. A segunda, o rô, parece o nosso P, mas é um R. Passe a haste do rô pelo cruzamento do chi e você tem o monograma: ☧. Ou seja, o “XP” das toalhas de altar e das lápides antigas não é X e P. É “Cr”.

Os copistas medievais usavam as mesmas letras para abreviar o nome em latim: Xps para Christus, Xpo para Christo. Em português antigo também se escrevia Xpo ou Xpto, e essa abreviação costuma ser apontada como a origem do XPTO que os brasileiros usam para batizar um projeto qualquer. As letras já existiam antes do cristianismo: copistas gregos às vezes escreviam essa ligadura na margem para marcar um trecho útil, como abreviação de chrēston, “bom”. Os cristãos lhe deram outro sentido, o nome do seu Senhor (o que significa “Cristo”).

O sinal nos escudos de Constantino

O Chi-Rho ficou famoso em outubro de 312, antes da batalha de Constantino contra Maxêncio na Ponte Mílvia (a história completa). Lactâncio, professor cristão na corte, escreveu poucos anos depois que um sonho mandou Constantino marcar o sinal celeste de Deus nos escudos dos soldados. A descrição dele é curiosa: a letra X deitada, com a ponta de cima dobrada. Muitos estudiosos acham que isso descreve um monograma um pouco diferente, o estaurograma, uma cruz cuja haste se curva no alto formando um rô. Copistas cristãos já o usavam em manuscritos dos Evangelhos copiados por volta de 200 d.C., na palavra “cruz”.

De um jeito ou de outro, o próprio Chi-Rho logo apareceu em objetos imperiais. Um medalhão de prata cunhado em Ticinum, a atual Pavia, por volta de 315, mostra Constantino com um elmo que traz o Chi-Rho.

O lábaro

Eusébio, bispo de Cesareia, diz que viu com os próprios olhos o estandarte de batalha do imperador. Era uma lança alta coberta de ouro, com uma travessa que formava uma cruz. No alto, uma coroa de ouro e pedras preciosas envolvia as duas letras do nome de Cristo, o rô cortado ao meio pelo chi. Da travessa pendia uma bandeira quadrada, rica em ouro e joias (Vida de Constantino 1.31). O estandarte ficou conhecido como lábaro, palavra de origem incerta. Por volta de 327, uma moeda de bronze de Constantinopla o mostrou cravado numa serpente, com a legenda latina SPES PVBLIC, a esperança pública.

Alfa e ômega

A partir do século IV, o Chi-Rho aparece muitas vezes entre outras duas letras gregas, o alfa (Α) e o ômega (Ω), a primeira e a última do alfabeto. Elas vêm do Apocalipse:

Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Princípio e o Fim.

Apocalipse 22:13

O usurpador Magnêncio, que tomou o Ocidente em 350, encheu o verso das suas grandes moedas de bronze com um Chi-Rho entre o alfa e o ômega.

Onde ainda se vê

No mundo romano tardio, o sinal marcava tudo o que era cristão, e nunca saiu de uso:

  • Britânia romana. Um mosaico de piso do século IV, de Hinton St Mary, no sul da Inglaterra, mostra a cabeça de um homem diante de um Chi-Rho, muitas vezes lida como uma das imagens mais antigas de Cristo. Está no Museu Britânico, ao lado do tesouro de Water Newton, o mais antigo conjunto conhecido de prataria de igreja do império, com placas marcadas pelo sinal.
  • Roma. Sarcófagos e lápides de catacumbas do século IV o trazem, às vezes dentro de uma coroa de vitória.
  • Hoje. Ele está bordado em paramentos e toalhas de altar, gravado em portas de igreja e túmulos, e tem até um caractere próprio no padrão Unicode, ☧.

Fontes

  • Lactâncio, Sobre a morte dos perseguidores 44.5
  • Eusébio, Vida de Constantino 1.28–31
  • Apocalipse 1:8; 21:6; 22:13
  • Medalhão de prata de Constantino, Ticinum (c. 315); moeda de bronze SPES PVBLIC, Constantinopla (c. 327)
  • Mosaico de Hinton St Mary e tesouro de Water Newton, Museu Britânico
  • Larry W. Hurtado, The Earliest Christian Artifacts: Manuscripts and Christian Origins (2006)