Roma Antiga · Fatos

O que foi o Concílio de Niceia?

A resposta curta

Foi o primeiro concílio de bispos de todo o mundo cristão, convocado pelo imperador Constantino em 325, em Niceia, hoje İznik, na Turquia. Entre 250 e 300 bispos condenaram o padre Ário, que ensinava que o Filho de Deus foi criado, e escreveram um credo que o declara “da mesma substância” do Pai. Também combinaram uma Páscoa comum.

Revisado em

A briga que começou tudo

Por volta de 318, um padre popular de Alexandria, Ário, começou a ensinar que o Filho de Deus era a primeira e maior das criaturas, mas ainda uma criatura, com um começo. O lema dele era direto: houve um tempo em que ele não existia. O bispo Alexandre respondeu que o Filho é eterno, Deus de Deus, e o expulsou. Ário levou a causa a bispos amigos por todo o Oriente e chegou a pôr as suas ideias em versos populares, a Thalia.

Constantino tinha acabado de se tornar o único governante do império, em 324, e queria uma igreja unida atrás dele. Primeiro escreveu aos dois, chamando a disputa de briga por ninharias (Vida de Constantino 2.64–72). Como não adiantou, convocou um concílio.

Quem veio, e onde

Os bispos se reuniram no palácio imperial de Niceia, uma cidade à beira de um lago no noroeste da Ásia Menor, mais ou menos de maio a julho de 325, com a viagem paga pelo Estado. Eusébio de Cesareia, que estava lá, contou mais de 250. Atanásio, então um jovem diácono ao lado de Alexandre, falou em cerca de 300. A tradição posterior fixou o número em 318, o dos homens de Abraão em Gênesis 14:14. Quase todos vinham do Oriente de língua grega. O Ocidente mandou poucos, entre eles Ósio de Córdoba, conselheiro de Constantino, e dois padres que representavam o idoso bispo de Roma, Silvestre.

Eusébio descreve o dia da abertura. O imperador entrou por último, vestido de púrpura e ouro, e só se sentou depois que os bispos fizeram sinal para isso (Vida de Constantino 3.10).

O que o concílio decidiu

  • O credo. O concílio declarou o Filho “da mesma substância”, homoousios, que o Pai, “gerado, não criado”, e condenou quem dissesse que houve um tempo em que ele não existia. Só dois bispos não assinaram. Ário e os dois foram exilados no Ilírico, nos Bálcãs.
  • A Páscoa. Todas as igrejas celebrariam a Páscoa no mesmo dia, calculado por regras cristãs, sem depender do calendário judaico. O concílio não fixou a fórmula; as tabelas detalhadas vieram depois.
  • Vinte cânones. Regras curtas de disciplina: pelo menos três bispos para ordenar um novo, a autoridade de Alexandria sobre o Egito e a Líbia, como a de Roma no Ocidente, e até a ordem de rezar de pé, e não de joelhos, aos domingos.

O concílio terminou com um banquete pelos vinte anos de Constantino no poder. Eusébio achou que os bispos jantando com o imperador, entre fileiras de guardas de espada na mão, pareciam uma imagem do reino de Cristo (Vida de Constantino 3.15).

O que veio depois

Niceia não encerrou a discussão. Poucos anos depois, Constantino deixou Ário voltar, e em 337 o imperador foi batizado no leito de morte por Eusébio de Nicomédia, um bispo que já tinha apoiado Ário. Atanásio, bispo de Alexandria a partir de 328, foi mandado para o exílio cinco vezes por defender o credo. A briga durou até um segundo concílio, em Constantinopla, em 381, que confirmou Niceia e ampliou o seu credo. O Credo niceno rezado hoje nas igrejas é, pela tradição, esse texto ampliado; o original de 325 terminava apenas com “e no Espírito Santo”, seguido das condenações às frases de Ário. Uma coisa Niceia não fez: escolher os livros da Bíblia.

Niceia hoje é İznik, uma cidade pequena na província de Bursa, ainda cercada pelas muralhas antigas. Outro concílio se reuniu ali em 787, sobre os ícones, e por isso este é chamado de Primeiro. Em 2014, nas águas do lago de İznik, apareceram os restos de uma basílica erguida até cerca de um século depois do concílio. Em novembro de 2025, o papa Leão XIV e o patriarca ecumênico Bartolomeu I celebraram juntos, na Turquia, os 1.700 anos do concílio.

Fontes

  • Eusébio, Vida de Constantino 2.64–72 e 3.6–22
  • Atanásio, Sobre os decretos do Sínodo de Niceia
  • Sócrates Escolástico, História Eclesiástica 1.8–9
  • Cânones do Primeiro Concílio de Niceia (325)
  • Gênesis 14:14