História do Brasil · História

O que foi a FEB (Força Expedicionária Brasileira)?

A resposta curta

A FEB foi a tropa de cerca de 25 mil brasileiros que o Brasil mandou à Itália na Segunda Guerra Mundial. Os pracinhas lutaram nos Apeninos, sob o comando do Quinto Exército americano, de setembro de 1944 a maio de 1945. Tomaram Monte Castelo em 21 de fevereiro de 1945, e cerca de 450 deles morreram.

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O Brasil entre os dois lados

Baía de Guanabara, 11 de junho de 1940. Hitler está a três dias de entrar em Paris. No convés do encouraçado Minas Gerais, Getúlio, que governa o país como ditador desde 1937, lê um discurso para a Marinha:

Marchamos para um futuro diverso de quanto conhecíamos em matéria de organização econômica, social ou política, e sentimos que os velhos sistemas e fórmulas antiquadas entram em declínio.

Getúlio Vargas, discurso a bordo do encouraçado Minas Gerais, 11 de junho de 1940

Em Washington, muitos leram ali um aceno a Berlim. Getúlio usou o susto para negociar: os americanos financiaram a usina de aço de Volta Redonda e ganharam bases no Nordeste, como a de Natal. Em janeiro de 1942, na Conferência do Rio, conduzida pelo chanceler Oswaldo Aranha, o Brasil rompeu com o Eixo.

Os navios afundados

A resposta veio do mar. Em agosto de 1942, um único submarino alemão, o U-507, afundou cinco navios brasileiros na costa de Sergipe e da Bahia. Só no Baependy, que levava soldados e famílias, morreram 270 pessoas; ao todo, mais de 600. As ruas exigiram guerra, e em 22 de agosto o governo reconheceu o estado de beligerância com a Alemanha e a Itália.

A cobra vai fumar

Dizia-se, na época, que era mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil mandar soldados à guerra. Em 2 de julho de 1944, o primeiro escalão da FEB embarcou no Rio rumo à Itália. No ombro, um distintivo: uma cobra verde fumando cachimbo. Ao todo, foram cerca de 25 mil. O apelido pracinha vem de praça, o soldado raso. Muitos vinham do interior e nunca tinham visto neve.

Monte Castelo

A partir de setembro de 1944, os brasileiros lutaram nos Apeninos, sob o Quinto Exército americano. Monte Castelo, um morro que os alemães dominavam do alto, resistiu aos ataques de novembro e de dezembro. O comandante da FEB, o general Mascarenhas de Moraes, defendeu esperar o inverno passar e atacar com mais tropas, e o comando aliado aceitou. Dezembro passou na lama e no gelo, com patrulhas e sentinelas.

Em 21 de fevereiro de 1945, ao lado da Décima Divisão de Montanha americana, a FEB atacou de novo e, no fim do dia, tomou o morro. A piada de antes virou motivo de orgulho: a cobra fumou.

Fornovo e a volta para casa

No fim de abril de 1945, perto de Fornovo, a FEB capturou inteira a 148ª Divisão alemã. Cerca de 450 pracinhas não voltaram; os restos deles estão no monumento do Aterro do Flamengo, no Rio. Quem voltou trouxe uma pergunta incômoda na bagagem: o Brasil tinha lutado contra as ditaduras da Europa vivendo numa. Poucos meses depois do fim da guerra, a ditadura de casa também caiu, como conta O que foi o Estado Novo?

E a cobra continua fumando no português do Brasil. Quando alguém avisa que “a cobra vai fumar”, querendo dizer que vai ter briga, usa uma expressão que, segundo a explicação mais comum, vem da época da FEB.

Fontes

  • Getúlio Vargas, discurso a bordo do encouraçado Minas Gerais, 11 de junho de 1940
  • Decreto nº 10.358, de 22 de agosto de 1942 (estado de beligerância)
  • Francisco César Ferraz, Os brasileiros e a Segunda Guerra Mundial (2005)
  • Cesar Campiani Maximiano, Barbudos, sujos e fatigados (2010)