A Guerra Fria · Fatos

O que foi a invasão da Baía dos Porcos?

A resposta curta

Foi uma invasão fracassada de Cuba, em abril de 1961. Cerca de 1.400 exilados cubanos, a Brigada 2506, treinados e armados pela CIA, desembarcaram na Baía dos Porcos em 17 de abril para derrubar Fidel Castro. Kennedy, presidente havia três meses, não mandou tropas americanas; em três dias, os invasores foram derrotados, e mais de mil acabaram presos.

Revisado em

Um plano herdado

Fidel Castro tomou o poder em janeiro de 1959 e, em dois anos, Cuba e os Estados Unidos romperam de vez. Castro estatizou refinarias, usinas de açúcar e bancos americanos; Washington deixou de comprar o açúcar cubano e depois cortou o comércio; Moscou entrou em cena, comprando o açúcar e vendendo armas. Em março de 1960, o presidente Eisenhower aprovou um programa secreto da CIA para derrubar Castro. A peça central virou uma tropa de exilados cubanos treinados na Guatemala, a Brigada 2506, batizada com o número de matrícula de um recruta morto num treino. John F. Kennedy, que tomou posse em janeiro de 1961, deixou o plano seguir com um limite: nenhum soldado americano desembarcaria.

Três dias em Playa Girón

Em 15 de abril, pilotos exilados, em bombardeiros B-26 pintados como aviões cubanos, atacaram os aeroportos de Castro, mas boa parte da pequena força aérea dele escapou. No dia seguinte, no enterro dos mortos dos ataques, Castro declarou pela primeira vez que a revolução era socialista. Antes do amanhecer de 17 de abril, a brigada desembarcou em Playa Girón e Playa Larga, na Baía dos Porcos, no litoral sul da ilha.

Deu errado depressa. Os aviões que restavam a Castro afundaram navios de suprimentos, o exército e a milícia cercaram os invasores, e Kennedy se recusou a mandar apoio aéreo americano para o combate. Em 19 de abril, estava tudo acabado. Mais de cem invasores morreram, Cuba também teve mortos, e quase toda a brigada que sobreviveu foi presa. Em Cuba, a batalha é lembrada como Girón e comemorada como uma vitória sobre os Estados Unidos.

“A derrota é órfã”

Quatro dias depois do desembarque, na entrevista coletiva de 21 de abril, um repórter cobrou de Kennedy os fatos. Ele não entrou em detalhes, mas deixou uma frase que sobreviveu à batalha:

Diz um velho ditado que a vitória tem cem pais e a derrota é órfã.

John F. Kennedy, entrevista coletiva, Washington, 21 de abril de 1961

O ditado costuma ser atribuído ao diário de guerra de Galeazzo Ciano, chanceler de Mussolini. Kennedy acrescentou que, se não dizia mais, não era para esconder responsabilidades, já que o responsável, no governo, era ele. Em particular, ficou furioso com a CIA e com os generais que apoiaram o plano, e antes do fim do ano o diretor da agência, Allen Dulles, tinha sido substituído.

Resgate, Mongoose e uma lição para Moscou

Os exilados presos foram julgados em Havana. Em dezembro de 1962, dois meses depois da Crise dos Mísseis, o advogado James Donovan, o mesmo do filme Ponte dos Espiões, negociou a libertação deles em troca de cerca de 53 milhões de dólares em alimentos e remédios, e mais de mil voltaram para casa antes do Natal. Em 29 de dezembro, no estádio Orange Bowl, em Miami, a brigada entregou a bandeira a Kennedy, e ele fez uma promessa:

Posso garantir a vocês que esta bandeira será devolvida a esta brigada numa Havana livre.

John F. Kennedy, discurso à Brigada 2506, Orange Bowl, Miami, 29 de dezembro de 1962

A guerra secreta não parou com a derrota. Em novembro de 1961, Kennedy tinha aprovado a Operação Mongoose (mangusto, em inglês), um programa de sabotagem comandado pelo irmão, Robert. Em 1975, uma comissão do Senado presidida por Frank Church relatou provas concretas de pelo menos oito conspirações da CIA para matar Fidel Castro entre 1960 e 1965, algumas com gente do crime organizado e pílulas envenenadas.

Havana e Moscou leram tudo isso como um aviso: os americanos tinham falhado uma vez com exilados, e a próxima tentativa viria com tropas americanas. Esse medo é metade da resposta para por que a União Soviética instalou mísseis em Cuba.

Fontes

  • John F. Kennedy, entrevista coletiva de 21 de abril de 1961 e discurso em Miami à brigada da invasão, 29 de dezembro de 1962 (American Presidency Project)
  • Comissão Especial do Senado dos Estados Unidos sobre Atividades de Inteligência (Comissão Church), Alleged Assassination Plots Involving Foreign Leaders, relatório de 20 de novembro de 1975
  • Jim Rasenberger, The Brilliant Disaster (2011)