A Guerra Fria · História

O que foi a lista negra de Hollywood?

A resposta curta

A lista negra de Hollywood foi o veto não escrito dos estúdios, de 1947 ao fim dos anos 1950, a quem fosse acusado de ligação com o comunismo. Começou quando dez roteiristas e diretores se recusaram a responder a um comitê da Câmara e foram demitidos; chegou a centenas de nomes. Para sair, era preciso depor e entregar outros.

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Uma lista que ninguém admitia

Nenhum estúdio jamais admitiu que a lista negra existia. Ela nasceu das audiências do Comitê de Atividades Antiamericanas da Câmara, o HUAC, em outubro de 1947. Um mês depois, os chefes dos estúdios se reuniram no hotel Waldorf-Astoria, em Nova York, e anunciaram que demitiriam os dez homens que tinham desafiado o comitê e que não contratariam ninguém que soubessem ser comunista.

Dali em diante, a lista funcionou pelo silêncio. Em junho de 1950, um panfleto chamado Red Channels citou 151 pessoas do rádio e da televisão, e patrocinadores e emissoras dispensaram muitas delas. Ao longo dos anos 1950, a lista chegou a centenas de atores, roteiristas, diretores e músicos. Só havia um caminho de volta: depor diante do comitê e entregar outros nomes.

Os Dez de Hollywood

Os primeiros dez foram Alvah Bessie, Herbert Biberman, Lester Cole, Edward Dmytryk, Ring Lardner Jr., John Howard Lawson, Albert Maltz, Samuel Ornitz, Adrian Scott e Dalton Trumbo. Todos eram, ou tinham sido, membros do Partido Comunista, o que era legal. Eles se recusaram a dizer isso ao comitê, alegando que a Primeira Emenda resguarda as convicções e as associações de cada cidadão. O Congresso os acusou de desacato, e os estúdios os dispensaram. Quando a Suprema Corte se recusou a julgar os recursos, em 1950, eles foram para a prisão federal, com penas de seis meses a um ano. Um deles, Dmytryk, mudou de lado em 1951: depôs, entregou nomes e voltou a dirigir.

Os Oscars de Trumbo com outros nomes

Dalton Trumbo, que já tinha sido um dos roteiristas mais bem pagos de Hollywood, seguiu escrevendo às escondidas, por uma fração do que ganhava antes, enquanto amigos e nomes inventados assinavam o trabalho. Em março de 1954, a história de A princesa e o plebeu ganhou o Oscar em nome de Ian McLellan Hunter, que serviu de testa de ferro. Em 1957, Arenas sangrentas ganhou com um dos nomes falsos dele, Robert Rich, e Trumbo não pôde recebê-lo.

Em 1960, Spartacus e Exodus trouxeram o nome verdadeiro de Trumbo nos créditos, e a lista negra começou a rachar. A Academia entregou a ele o Oscar de Arenas sangrentas em 1975, e o de A princesa e o plebeu foi para a viúva, Cleo, em 1993. Em 1970, Trumbo disse que não adiantava procurar heróis ou vilões naqueles anos: “só houve vítimas”.

Entregar nomes

Para outros, o preço do trabalho era uma lista própria. O diretor Elia Kazan, que tinha sido do Partido nos anos 1930, depôs em 1952 e citou oito pessoas que tinham sido do Partido com ele nos tempos de teatro. Dois anos depois, dirigiu Sindicato de ladrões. Alguns colegas nunca o perdoaram, e, quando a Academia lhe deu um Oscar honorário, em 1999, parte da plateia ficou sentada, sem aplaudir. Outros se recusaram a entregar quem quer que fosse e passaram anos sem trabalho. O amigo de Kazan, Arthur Miller, respondeu com uma peça, assunto de ‘As bruxas de Salem’ é sobre o macarthismo?.

Os expurgos de Moscou na mesma época

O outro lado da Guerra Fria também vigiava os próprios artistas. Em 1946, o Partido Comunista soviético condenou a poeta Anna Akhmátova, que foi expulsa da União dos Escritores. Em 1948, acusou a música de Dmitri Shostakovich de formalismo. Na lista negra, um americano perdia o trabalho, e os Dez passaram até um ano na prisão. No regime de Stálin, escritores e artistas estiveram entre os milhões mandados para os campos do Gulag. O retrato da época inteira está em O que foi o macarthismo?.

Fontes

  • Comitê de Atividades Antiamericanas da Câmara, audiências sobre a infiltração comunista na indústria cinematográfica (outubro de 1947, registro impresso)
  • Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, banco de dados dos prêmios: A princesa e o plebeu (1954) e Arenas sangrentas (1957)
  • Larry Ceplair e Steven Englund, The Inquisition in Hollywood: Politics in the Film Community, 1930–1960 (1980)
  • Victor S. Navasky, Naming Names (1980)