A resposta curta
A Pax Romana, a “paz romana”, foi um período de cerca de dois séculos de calma relativa dentro do Império Romano, em geral contado de Augusto, em 27 a.C., até a morte de Marco Aurélio, em 180 d.C. Guerras civis foram raras, e o comércio e as viagens prosperaram. Mas houve guerras nas fronteiras e revoltas sangrentas.
Revisado em
Uma paz com data de início
A paz era a grande vitrine de Augusto, depois de vinte anos de guerra civil. No relato que deixou do próprio governo, ele cita as portas do templo de Jano Quirino, no Fórum, que só se fechavam quando Roma estava em paz por terra e por mar. Antes de ele nascer, tinham sido fechadas só duas vezes em toda a história da cidade. No seu governo, diz ele, o Senado mandou fechá-las três vezes (Res Gestae 13).
Em 13 a.C. o Senado votou um Altar da Paz Augusta, a Ara Pacis Augustae, dedicado em 9 a.C. Nos frisos de mármore, a família de Augusto caminha em procissão. Remontado a partir de fragmentos, o altar está hoje num museu à beira do Tibre.
O que os romanos queriam dizer
Os romanos quase não usavam a expressão. O filósofo Sêneca fala dos povos que ficam onde a paz romana termina, os germanos e as tribos errantes do Danúbio (Sobre a Providência 4.14). Plínio, o Velho, elogiou a imensa majestade da paz romana, que deixava gente, plantas e remédios circularem entre os confins da terra (História Natural 27.3).
O termo moderno é um rótulo de historiador. A maioria marca o início em 27 a.C., quando Otaviano virou Augusto, e o fim em 180 d.C., quando Marco Aurélio morreu num acampamento no Danúbio. Dá uns 207 anos.
Paz para quem?
Paz, aqui, tinha um sentido preciso: nenhuma guerra entre romanos no império inteiro e nenhum exército inimigo no coração das províncias. As legiões, entre vinte e cinco e trinta, ficavam nas fronteiras. Na Gália, na Hispânia ou na Grécia, muita gente viveu a vida inteira sem ver uma batalha. Em outros lugares, a lista é sangrenta:
- 9 d.C. Três legiões são destruídas na floresta de Teutoburgo, na Germânia.
- 60–61 d.C. A revolta de Boudica na Britânia. Tácito diz que uns 70.000 cidadãos romanos e aliados morreram antes que ela fosse esmagada (Anais 14.33).
- 66–73 d.C. A guerra judaica e, em 70, a destruição do Templo de Jerusalém.
- 69 d.C. Um ano de guerra civil e quatro imperadores, com o templo de Júpiter no Capitólio incendiado.
- 132–135 d.C. A revolta de Bar Kokhba na Judeia, sufocada com um massacre enorme.
- 166–180 d.C. As longas guerras de Marco Aurélio no Danúbio, enquanto uma peste varria o império.
“Fazem um deserto e chamam isso de paz”
O veredito mais duro sobre a paz romana veio de um romano. Tácito, senador, escreveu a vida do sogro, Agrícola, o governador que marchou até a Escócia. Antes da batalha do monte Graupius, por volta de 83 d.C., ele põe na boca do chefe caledônio Calgaco um discurso aos guerreiros:
Ao roubo, à matança e à rapina dão o nome mentiroso de império; fazem um deserto e chamam isso de paz.
Em latim, o final é ubi solitudinem faciunt, pacem appellant. Solitudo é o ermo, a terra vazia de gente; por isso há traduções com “deserto” e outras com “solidão”. O discurso é invenção do próprio Tácito, como era costume entre os historiadores antigos. Ele foi igualmente seco sobre os bretões que adotaram os costumes romanos: a toga, os pórticos, os banhos, os banquetes refinados. Chamavam aquilo de civilização, diz ele, quando era parte da escravidão (Agrícola 21).
Como acabou, e o que ficou
Marco Aurélio deixou o trono para o filho, Cômodo, e Cássio Dio, um senador que viveu o que veio depois, escreveu que a história agora descia “de um reino de ouro para um de ferro e ferrugem”. Em 1776, Edward Gibbon chamou os anos de 96 a 180 de período mais feliz da história humana. A ideia sobreviveu a Roma. Falou-se depois em Pax Britannica, no auge do Império Britânico, e em Pax Americana, depois de 1945: sempre uma paz mantida pela potência mais forte da época.
Fontes
- Augusto, Res Gestae 12–13
- Sêneca, Sobre a Providência 4.14; Plínio, o Velho, História Natural 27.3
- Tácito, Agrícola 21 e 30; Anais 14.33
- Cássio Dio, História Romana 72.36.4
- Edward Gibbon, Declínio e Queda do Império Romano, capítulo 3 (1776)