A Guerra Fria · História

O que foi o Sputnik?

A resposta curta

O Sputnik 1 foi o primeiro satélite artificial, lançado pela União Soviética em 4 de outubro de 1957. Era uma bola de metal polido de 58 centímetros e 83,6 quilos, com quatro antenas e dois transmissores que fizeram bip por 21 dias. Completava uma órbita a cada 98 minutos, e o míssil que o levou assustou os Estados Unidos.

Revisado em

O satélite mais simples

O nome de trabalho era Prosteishiy Sputnik, “satélite mais simples”. O satélite de verdade dos cientistas soviéticos, um laboratório cheio de instrumentos para o Ano Geofísico Internacional, estava meses atrasado, e os americanos já tinham anunciado um satélite próprio. Por isso, o escritório de projetos de Serguei Koroliov fez um substituto: uma esfera de alumínio pressurizada, com baterias e dois transmissores, em 20 e 40 megahertz, para que radioamadores de qualquer lugar captassem o sinal.

Em russo, sputnik é a palavra comum para satélite e também quer dizer “companheiro de viagem”. As baterias acabaram depois de 21 dias, e em 4 de janeiro de 1958, três meses após o lançamento, a bola reentrou na atmosfera e se queimou. O grande laboratório só voou em maio de 1958, como Sputnik 3.

Por que assustou os americanos

A bola era inofensiva. O que importava era o foguete. O Sputnik subiu num R-7, o primeiro míssil balístico intercontinental do mundo, projetado para levar uma bomba de hidrogênio aos Estados Unidos em cerca de meia hora. Partiu de uma base secreta na estepe do Cazaquistão, mais tarde chamada Baikonur. O ponto brilhante que os americanos viam cruzar o céu ao anoitecer em geral não era o satélite, que mal se enxergava a olho nu, e sim o estágio central vazio do foguete, de 26 metros, que também tinha chegado à órbita.

Cinco dias depois do lançamento, o presidente Eisenhower enfrentou os jornalistas. Disse que os russos tinham posto “uma bolinha no ar” e minimizou o satélite:

Agora, no que diz respeito ao satélite em si, isso não aumenta as minhas apreensões, nem um iota.

Dwight Eisenhower, entrevista coletiva, Washington, 9 de outubro de 1957

Na mesma resposta, ele disse o que o preocupava de verdade: a prova de “um impulso muito poderoso nos foguetes deles”. Muitos americanos não se acalmaram. Um foguete capaz de pôr uma bola em órbita era capaz de pôr uma ogiva em qualquer cidade.

O “momento Sputnik”

O susto deu ao inglês uma expressão, Sputnik moment, o “momento Sputnik”: o sobressalto que faz um país acordar para a dianteira de um rival. Em 1958, o Congresso americano aprovou uma lei para financiar o ensino de ciências, matemática e línguas, e o Pentágono criou uma agência de pesquisa avançada, a ARPA. Em Moscou, ao contrário, o Pravda a princípio deu a notícia sob um título seco, “Comunicado da TASS”. Os jornais do resto do mundo fizeram o barulho por ele.

Um mês depois, o Sputnik 2 subiu com uma passageira, a cadela Laika, que nunca voltou; a história dela está aqui.

Flopnik, Explorer e NASA

A primeira resposta americana veio diante das câmeras e deu errado. Em 6 de dezembro de 1957, um foguete Vanguard, da Marinha, subiu cerca de um metro em Cabo Canaveral, caiu e explodiu, e os jornais o apelidaram de “Flopnik” e “Kaputnik”. Em 31 de janeiro de 1958, uma equipe do Exército liderada por Wernher von Braun pôs o Explorer 1 em órbita; ele descobriu os cinturões de radiação em volta da Terra que levam o nome do físico James Van Allen. Em 29 de julho de 1958, Eisenhower assinou a lei que criou uma agência espacial civil, e a NASA abriu as portas em 1º de outubro de 1958. A corrida tinha começado, com Moscou na frente; quem ganhou no fim depende do que se conta.

Fontes

  • Dwight D. Eisenhower, The President’s News Conference, 9 de outubro de 1957 (American Presidency Project)
  • Comunicado da TASS, Pravda, 5 de outubro de 1957
  • Asif Siddiqi, Challenge to Apollo: The Soviet Union and the Space Race, 1945–1974 (NASA, 2000)
  • National Aeronautics and Space Act, lei americana de 29 de julho de 1958