A Guerra Fria · Pessoas

Quem foi o primeiro homem a ir ao espaço?

A resposta curta

Iúri Gagarin, piloto soviético de 27 anos. Em 12 de abril de 1961, ele decolou de Baikonur na Vostok 1, deu uma volta completa na Terra e desceu de paraquedas 108 minutos depois, num campo perto do Volga. O primeiro americano no espaço, Alan Shepard, voou em 5 de maio de 1961, num voo de quinze minutos, sem órbita.

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O filho do carpinteiro no alto de um míssil

Gagarin cresceu em Klushino, aldeia a oeste de Moscou, na região de Smolensk, onde o pai trabalhava como carpinteiro numa fazenda coletiva. Nascido em 1934, aprendeu o ofício de fundidor, tomou aulas de voo num aeroclube e entrou para a Força Aérea. Em 1960, estava entre os vinte jovens pilotos escolhidos para treinar em segredo como cosmonautas. A cápsula era apertada, por isso homens baixos levavam vantagem, e Gagarin era baixo. O reserva dele no dia do lançamento era Guerman Titov.

A Vostok 1 decolou às 9:07, horário de Moscou, em 12 de abril de 1961, da base na estepe do Cazaquistão que o mundo conheceria como Baikonur. No rádio, anunciando os estágios, estava Serguei Koroliov, o Projetista-Chefe, cujo nome o público só soube pelo obituário, em 1966. Quando os motores acenderam, Gagarin respondeu com uma palavra.

Poyekhali! (Vamos lá!)

Iúri Gagarin, na decolagem, Vostok 1, Baikonur, 12 de abril de 1961

Por que “Poyekhali!”?

Não era palavra de ordem. Os pilotos de teste soviéticos usavam esse “vamos lá” informal no lugar do comando oficial de decolagem, e o instrutor deles, Mark Gallai, falava assim nos treinos de simulador. Gagarin contou depois que escolheu a palavra para soar natural e acalmar quem estava em terra, gente que sabia que alguns cães de teste antes dele nunca tinham voltado.

108 minutos

O voo foi uma única órbita, e Gagarin não pilotou nada. Os controles estavam travados; o código para destravá-los ficava num envelope lacrado, para o caso de emergência. Durante o voo, ele foi promovido de primeiro-tenente a major. Sobre a África, o retrofoguete disparou. A uns sete quilômetros de altura, ele se ejetou, como previsto, e desceu com o próprio paraquedas, enquanto a cápsula pousava ali perto. A União Soviética escondeu esse detalhe por anos, porque as regras dos recordes de aviação exigiam que o piloto pousasse com a nave.

Ele desceu perto da cidade de Engels, na região de Saratov, à beira do Volga. Uma mulher e uma menina viram um desconhecido de macacão laranja atravessar o campo. Ele disse que era soviético como elas, que vinha do espaço e precisava de um telefone. Dois dias depois, Kruschev o recebeu num aeroporto de Moscou, e uma multidão lotou a Praça Vermelha.

Por que não foi um americano

Washington estava umas três semanas atrás. Alan Shepard, da NASA, estava pronto em março de 1961, mas, depois de uma falha no teste anterior, a equipe de Wernher von Braun exigiu mais um voo sem tripulação do foguete Redstone. O teste foi feito em 24 de março e deu certo. Gagarin entrou em órbita em 12 de abril. Em 5 de maio, Shepard subiu e desceu na Freedom 7: quinze minutos, sem órbita, porque o Redstone não tinha força para chegar lá. O primeiro americano em órbita, John Glenn, viria em 20 de fevereiro de 1962. O voo de Gagarin também empurrou o presidente Kennedy para uma meta que ninguém tinha alcançado: a Lua.

O que veio depois

Gagarin nunca mais foi ao espaço. Virou o homem mais famoso do mundo, viajou por vários países e morreu em 27 de março de 1968, aos 34 anos, na queda de um jato de treinamento. A Rússia celebra todo 12 de abril como Dia da Cosmonáutica, e desde 2011 as Nações Unidas marcam a data como Dia Internacional do Voo Espacial Tripulado. Em julho de 1969, a tripulação da Apollo 11 deixou no solo lunar uma medalha soviética que o homenageava. Quem abriu o caminho, quatro anos antes, foi a cadela Laika.

Fontes

  • ESA, The flight of Vostok 1 (2011)
  • NASA, Project Mercury: Mercury-Redstone 3 (Freedom 7), 5 de maio de 1961
  • Asif Siddiqi, Challenge to Apollo: The Soviet Union and the Space Race, 1945–1974 (NASA, 2000)
  • Assembleia Geral das Nações Unidas, resolução 65/271 (2011)