A resposta curta
Foi o levante armado de São Paulo contra o Governo Provisório de Getúlio Vargas, de 9 de julho a 2 de outubro de 1932. Os paulistas exigiam uma Constituição e não acreditavam nas eleições prometidas. Sem o apoio esperado de Minas e do Rio Grande do Sul, lutaram sozinhos e se renderam. Mas a eleição prometida veio em 1933.
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Quatro mortos e uma sigla
São Paulo, noite de 23 de maio de 1932. Uma multidão contra o governo de Getúlio tenta invadir a sede do PPP, partido aliado dele, perto da praça da República. De dentro do prédio, há tiros. Quatro jovens morrem; o mais novo tem 14 anos. No dia seguinte, as iniciais de Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo batizam a sociedade secreta que vai preparar o levante: MMDC.
O que São Paulo queria
A raiva vinha de 1930. Com a revolução, São Paulo tinha perdido a Presidência, ganhado um interventor de fora, um tenente pernambucano, e via o país sem Constituição e sem prazo para eleições (O que foi a Revolução de 1930?). Para os paulistas, o Governo Provisório era uma ditadura que não dizia quando ia acabar. Para o governo, a promessa já estava em andamento: em 1932, Getúlio tinha nomeado um interventor paulista, assinado o Código Eleitoral e marcado eleições. São Paulo não acreditou.
Sozinho contra o resto do país
Em 9 de julho, São Paulo se levanta. Cartazes chamam voluntários pelas ruas, e dezenas de milhares se alistam: estudantes, operários, fazendeiros. O plano contava com as elites de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, que tinham prometido apoio. Os dois estados ficam com Getúlio. Como mostra Hernâni Donato, São Paulo passa a enfrentar sozinho tropas muito maiores.
Então o estado improvisa. As fábricas fazem capacetes, munição e até trens blindados. Na campanha Ouro para o Bem de São Paulo, famílias doam joias e alianças de casamento. A médica Carlota Pereira de Queirós reúne cerca de 700 mulheres para cuidar dos feridos. Na Rádio Record, o locutor César Ladeira lê os boletins da guerra para o estado inteiro. E na frente, quando falta munição, os soldados giram matracas de madeira que imitam o barulho de metralhadora.
Quem ganhou?
A guerra dura menos de três meses. Cercado, São Paulo se rende em 2 de outubro de 1932. Morrem centenas de combatentes de cada lado, e os líderes do levante vão para o exílio em Portugal. Nas armas, Getúlio venceu. Na política, a conta foi outra: em 3 de maio de 1933, o país elegeu uma Assembleia Constituinte, com voto secreto e, pela primeira vez em todo o território, com as mulheres votando (Quando as mulheres conquistaram o direito de votar no Brasil?). A nova Constituição saiu em 16 de julho de 1934. São Paulo perdeu a guerra, mas a eleição prometida aconteceu.
Onde você já ouviu isso
Desde uma lei estadual de 1997, o 9 de julho é a data magna e feriado do estado de São Paulo. A data também batiza uma das grandes avenidas da capital paulista, a avenida Nove de Julho. Se você já estranhou São Paulo parado no meio de julho enquanto o resto do país trabalha, a explicação está em 1932. E aquela Constituição conquistada a tanto custo não durou nem quatro anos, como conta O que foi o Estado Novo?
Fontes
- Código Eleitoral, Decreto nº 21.076, de 24 de fevereiro de 1932
- Inquérito de 1932 sobre os mortos de 23 de maio (Museu do Tribunal de Justiça de São Paulo)
- Constituição de 16 de julho de 1934
- Lei estadual nº 9.497, de 5 de março de 1997 (institui o feriado de 9 de julho em São Paulo)
- Hernâni Donato, A Revolução de 32