A Bíblia · Fatos

O que Salomão pediu a Deus?

A resposta curta

Sabedoria. Num sonho em Gibeão, Deus disse ao jovem rei: “Peça o que eu devo lhe dar”. Salomão pediu “um coração com entendimento para julgar o seu povo” (1 Reis 3:5–9). Não pediu vida longa, riquezas nem a morte dos inimigos. Deus lhe deu sabedoria e, de quebra, riquezas e honra.

Revisado em

Um sonho em Gibeão

A cena acontece no começo do reinado, em 1 Reis 3. O Templo ainda não existe, e o rei vai a Gibeão, “o principal lugar alto”, onde oferece mil holocaustos no altar (1 Reis 3:4). O livro de Crônicas explica a escolha: ali estava a velha Tenda do Encontro que Moisés tinha feito no deserto (2 Crônicas 1:3). Naquela noite, Deus aparece a Salomão num sonho e faz uma oferta sem limites: “Peça o que eu devo lhe dar” (1 Reis 3:5).

Gibeão é a atual al-Jib, na Cisjordânia, uns dez quilômetros a noroeste de Jerusalém. No fim dos anos 1950, o arqueólogo americano James Pritchard escavou ali um grande tanque talhado na rocha, com uma escada em espiral pela lateral, e alças de jarros com o nome da cidade gravado. Foi sobre Gibeão que Josué mandou o sol parar (Josué 10:12).

“Apenas uma criança pequena”

Salomão começa com humildade. Lembra que Deus foi fiel a Davi e lhe deu um filho no trono. E confessa: “Eu sou apenas uma criança pequena. Não sei como sair nem entrar” (1 Reis 3:7). Sair e entrar é um jeito antigo de dizer liderar, como o comandante que leva a tropa para a batalha e a traz de volta. Então vem o pedido.

Dê, portanto, ao seu servo um coração com entendimento para julgar o seu povo, para que eu possa discernir entre o bem e o mal; pois quem é capaz de julgar este seu grande povo?

1 Reis 3:9

No hebraico, “coração com entendimento” é lev shomea, ao pé da letra um coração que escuta. Na Bíblia, o coração é onde a pessoa pensa e decide, e não só onde sente. Salomão pede uma mente capaz de ouvir, e pede isso como juiz. No mundo dele, o rei era a última instância, e fazer justiça era o ofício dele.

A resposta de Deus

Deus gosta justamente do que ficou de fora do pedido: Salomão não pediu “vida longa”, nem “riquezas”, nem “a vida dos seus inimigos” (1 Reis 3:11). Recebe então o que pediu, “um coração sábio e com entendimento”, e mais.

Também lhe dei o que você não pediu, tanto riquezas quanto honra, de modo que não haverá nenhum entre os reis como você por todos os seus dias.

1 Reis 3:13

A vida longa vem com condição: se ele andar nos caminhos de Deus, “então prolongarei os seus dias” (3:14). Salomão acorda, “e eis que era um sonho”, volta a Jerusalém, se põe diante da arca da aliança e dá um banquete para os servos. Crônicas conta a mesma cena com outras palavras: lá ele pede “sabedoria e conhecimento” para governar o povo (2 Crônicas 1:10). Aquela condição vai pesar no fim da história (como foi o fim de Salomão).

A sabedoria posta à prova

A história seguinte mostra o presente em ação. Duas mulheres moram na mesma casa, as duas dão à luz, um bebê morre, e as duas reclamam o que está vivo. Não há testemunhas. Salomão pede uma espada e manda dividir a criança ao meio. A verdadeira mãe implora que o menino seja entregue à outra, desde que não o matem, e é por esse grito que o rei a reconhece (1 Reis 3:16–27).

Todo o Israel ouviu falar do julgamento que o rei havia proferido; e temeram o rei, pois viram que a sabedoria de Deus estava nele para fazer justiça.

1 Reis 3:28

O capítulo seguinte mede essa sabedoria “como a areia que está na praia do mar” (1 Reis 4:29). Salomão fala das árvores, “desde o cedro que está no Líbano até o hissopo que brota do muro”, e de animais, aves, répteis e peixes (4:33). É uma sabedoria prática: julgar, governar, dar nome às coisas do mundo. Muitos leitores se lembram aqui da Carta de Tiago: “se algum de vocês precisa de sabedoria, peça-a a Deus” (Tiago 1:5).

Fontes

  • 1 Reis 3:1–28; 4:29–34
  • 2 Crônicas 1:1–13
  • Josué 10:12; Tiago 1:5
  • James B. Pritchard, Gibeon, Where the Sun Stood Still (1962)

As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.