A resposta curta
Salomão, filho do rei Davi com Bate-Seba, foi o terceiro rei de Israel, de cerca de 970 a 931 a.C. Na Bíblia, ele é lembrado por pedir sabedoria a Deus, julgar o caso das duas mães, construir o primeiro Templo de Jerusalém e enriquecer. Na velhice, seguiu outros deuses, e o reino se dividiu quando ele morreu.
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Um filho com dois nomes
Salomão nasceu em Jerusalém, filho do rei Davi e de Bate-Seba, a mulher que Davi tinha tomado de Urias, o hitita. O primeiro filho dos dois morreu ainda bebê. O segundo nasce sob um sinal de favor, e o texto lhe dá dois nomes.
Ela deu à luz um filho, e ele o chamou de Salomão. O SENHOR o amou; e ele enviou uma mensagem por meio do profeta Natã, e lhe deu o nome de Jedidias, por causa do SENHOR.
Jedidias quer dizer “amado do Senhor”. Salomão, Shlomo em hebraico, lembra shalom, paz, e o livro de Crônicas faz a ligação: “o seu nome será Salomão, e eu darei paz e tranquilidade a Israel em seus dias” (1 Crônicas 22:9).
Ele não era o filho mais velho. Com Davi à beira da morte, o meio-irmão Adonias organizou a própria festa de coroação. Natã e Bate-Seba correram ao quarto do rei para lembrá-lo de uma promessa, e Davi mandou Salomão descer até a fonte de Giom montado na mula real. Ali o sacerdote Zadoque o ungiu, e o povo gritou: “Viva o rei Salomão!” (1 Reis 1:39). Händel transformou a cena em música para a coroação de Jorge II, em 1727, e o hino Zadok the Priest é cantado em todas as coroações britânicas desde então.
Por que ele é lembrado
- Sabedoria. Em Gibeão, Deus lhe ofereceu o que ele quisesse, e Salomão pediu “um coração com entendimento” (o que Salomão pediu). O primeiro caso famoso, duas mães e um bebê, deu origem à expressão “decisão salomônica”.
- O Templo. No quarto ano de reinado, começou a casa de Deus que Davi não pôde construir, com cedro do Líbano e artesãos fenícios, e a terminou sete anos depois (1 Reis 6:1, 38).
- Comércio e ouro. Os navios dele saíam de Eziom-Geber, no mar Vermelho, rumo a Ofir, e a rainha de Sabá atravessou a Arábia para testá-lo com perguntas difíceis (quem foi ela).
- Palavras. “Ele falou três mil provérbios, e os seus cânticos somaram mil e cinco” (1 Reis 4:32). A tradição lhe atribui Provérbios, Cântico dos Cânticos e Eclesiastes, e dois salmos levam o nome dele (Salmos 72 e 127). As Bíblias católicas e ortodoxas trazem ainda o livro da Sabedoria, escrito em grego séculos depois.
Assim, o rei Salomão superou todos os reis da terra em riquezas e em sabedoria.
O outro lado da balança
Os mesmos capítulos que o elogiam também apresentam a conta. Ele casou com a filha de Faraó para selar uma aliança, e depois com muitas princesas estrangeiras (quantas esposas ele teve). Recrutou israelitas em turnos para cortar madeira no Líbano. Na velhice, as esposas desviaram o coração dele para outros deuses, e ele morreu depois de quarenta anos no trono, com as tribos do norte a ponto de se revoltar (como foi o fim dele). Logo no começo do reinado, o filho Roboão perdeu dez das doze tribos.
Salomão fora da Bíblia
Nenhuma inscrição da época cita o nome dele, um enigma tratado em O rei Salomão existiu de verdade? Mesmo assim, poucos personagens viajaram tanto na lenda. O Alcorão honra Sulayman como profeta e rei que entendia a fala dos pássaros e das formigas e punha os gênios para trabalhar. A magia antiga e medieval fez dele um senhor de demônios: o Testamento de Salomão conta que ele os prendeu com um anel enviado pelo arcanjo Miguel e os obrigou a construir o Templo, origem do “selo de Salomão”. Os imperadores da Etiópia diziam descender dele e da rainha de Sabá até 1974. E a palavra “salomônico” ficou no português, embora no noticiário brasileiro uma decisão salomônica muitas vezes signifique apenas dividir tudo ao meio para agradar os dois lados, quase o contrário do que Salomão fez.
Fontes
- 2 Samuel 12:24–25; 1 Reis 1–11; 1 Crônicas 22:9
- Salmos 72 e 127 (títulos); Provérbios 1:1; Eclesiastes 1:1
- Alcorão 27:15–44 (Sulayman)
- Testamento de Salomão (primeiros séculos d.C.)
- Georg Friedrich Händel, Zadok the Priest (1727)
As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.