A resposta curta
Significa que a data do fim, a vinda do Filho do Homem, só Deus conhece, e nem os anjos sabem. Jesus diz isso no monte das Oliveiras, na última semana (Mateus 24:36; Marcos 13:32). A lição que ele tira é ficar preparado o tempo todo, e não fazer contas para descobrir o dia.
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Onde Jesus diz isso
É a última semana, em Jerusalém. Ao sair do Templo, Jesus acaba de dizer que dali não vai sobrar pedra sobre pedra. No monte das Oliveiras, de frente para o Templo, do outro lado do vale, os discípulos o procuram em particular.
Diga-nos, quando acontecerão estas coisas? E qual será o sinal da sua vinda e do fim dos tempos?
A resposta é longa e mistura dois horizontes, a queda do Templo e o fim dos tempos. Há sinais: guerras, falsos messias, a figueira cujos ramos novos anunciam o verão. Depois Jesus põe um limite a todos eles.
Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem mesmo os anjos do céu, mas somente o meu Pai.
“Nem o Filho”
Marcos guarda um detalhe que ocupa os teólogos há séculos: “ninguém sabe, nem mesmo os anjos no céu, nem o Filho, mas somente o Pai” (Marcos 13:32). Muitos manuscritos antigos de Mateus 24:36 trazem as mesmas palavras; outros as deixam de fora, talvez porque incomodavam os copistas. Muitos cristãos entendem que Jesus fala ali a partir da condição humana dele, com os limites de um homem; outros tomam a frase como ela está, uma declaração sobre o que o Pai guardou para si. Seja como for, o Evangelho não a apagou.
Poucos versículos antes, uma frase parece puxar para o outro lado: “esta geração não passará até que todas estas coisas se cumpram” (Mateus 24:34). Muitos estudiosos entendem esse versículo como uma referência à destruição do Templo, que veio quarenta anos depois, em 70 d.C., e o versículo 36 como uma referência ao último dia. A primeira história está em Quando o Templo de Jerusalém foi destruído?
Vigiem, portanto
Jesus nunca responde “quando”. Responde “como esperar”, com uma série de histórias. O dono da casa ficaria acordado se soubesse a que horas o ladrão viria (Mateus 24:43). O porteiro não sabe se o patrão volta “à tarde, ou à meia-noite, ou ao cantar do galo, ou pela manhã” (Marcos 13:35), as quatro vigílias da noite romana. Paulo usa a mesma imagem: o dia do Senhor “virá como um ladrão na noite” (1 Tessalonicenses 5:2).
Depois vêm dez moças com lâmpadas, esperando um noivo que se atrasa. Cinco levaram óleo de reserva, cinco não, e quando o grito soa à meia-noite a porta se fecha para as que não se prepararam. A história termina com a frase que todo mundo cita.
Vigiem, portanto, pois vocês não sabem o dia nem a hora em que o Filho do Homem virá.
Quem decorou o versículo em Bíblias mais antigas diz vigiai, no tratamento de vós. O sentido é o mesmo: fiquem acordados.
Quem marcou a data mesmo assim
Depois da ressurreição, conta Atos, os discípulos perguntaram de novo e ouviram a mesma coisa: “Não cabe a vocês saber os tempos ou as épocas que o Pai estabeleceu por sua própria autoridade” (Atos 1:7). Não adiantou. Nos anos 1840, o pregador americano William Miller calculou, a partir do livro de Daniel, que Cristo voltaria por volta de 1843 ou 1844; quando o dia 22 de outubro de 1844 passou em branco, os seguidores chamaram aquilo de Grande Desapontamento. Em 2011, o radialista americano Harold Camping cravou o 21 de maio. Igrejas de quase todas as tradições respondem a essas previsões com este mesmo versículo. Na parábola, aliás, as moças prudentes também não sabiam a data. Só tinham óleo na lâmpada.
Fontes
- Mateus 24:1–51; 25:1–13
- Marcos 13:1–37
- Atos 1:6–7; 1 Tessalonicenses 5:1–2
- Mateus 24:36 com “nem o Filho” no Códice Sinaítico e no Códice Vaticano
As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.