A Bíblia · Datas

Quando o Templo de Jerusalém foi destruído?

A resposta curta

Duas vezes. O exército da Babilônia incendiou o primeiro Templo, o de Salomão, em 586 a.C. (alguns historiadores dizem 587). Roma incendiou o segundo, reconstruído com grandeza por Herodes, em 70 d.C., no fim do cerco de Tito a Jerusalém. A tradição judaica chora os dois no mesmo dia, o Tishá BeAv, dia 9 do mês de av.

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A primeira vez: Babilônia, 586 a.C.

O Templo de Salomão ficou de pé por quase quatro séculos. Então Judá se rebelou contra a Babilônia. Em 597 a.C., Nabucodonosor tomou Jerusalém e levou o rei Joaquim para o exílio, fato registrado também numa tábua da Crônica Babilônica. Quando o rei seguinte, Zedequias, se rebelou de novo, os babilônios cercaram a cidade por um ano e meio e romperam os muros. Um mês depois, chegou o capitão da guarda.

Ele incendiou a casa do SENHOR, a casa do rei e todas as casas de Jerusalém. Ele queimou com fogo todas as casas importantes.

2 Reis 25:9

O livro de Reis põe a data no sétimo dia do quinto mês; Jeremias, no décimo (Jeremias 52:12). O ano é 587 ou 586 a.C., conforme o jeito de contar o reinado de Zedequias, e os estudiosos continuam divididos. As colunas de bronze foram despedaçadas e levadas para a Babilônia, e a arca da aliança nunca mais é mencionada.

Reconstruído e refeito por Herodes

A Pérsia conquistou a Babilônia em 539 a.C. e deixou os exilados voltarem. O novo Templo, mais simples, ficou pronto no sexto ano do rei Dario, em 515 a.C. (Esdras 6:15): é o Segundo Templo. Antíoco IV o profanou em 167 a.C., a crise por trás do Hanukkah, mas não o destruiu. A partir de cerca de 20 a.C., Herodes o reconstruiu com tanto luxo que os rabinos diriam depois: quem não viu o edifício de Herodes nunca viu uma construção bonita (Talmude Babilônico, Bava Batra 4a).

Não ficará pedra sobre pedra

Em português a frase virou ditado: quando se diz que de um lugar “não ficou pedra sobre pedra”, é porque ele foi arrasado. Ela vem da última semana de Jesus. Quando Jesus sai do Templo, os discípulos lhe mostram os edifícios, e a resposta é seca.

Vocês veem todas estas coisas, não veem? Em verdade lhes digo: não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derrubada.

Mateus 24:2

Marcos, Mateus e Lucas registram a profecia, e ela é lida de dois jeitos. Muitos estudiosos acham que os Evangelhos, escritos por volta de 70 d.C. ou depois, moldaram a frase à luz do que aconteceu. Outros lembram que Jesus estava numa longa linha de profetas que anunciaram a queda do Templo: o seu “covil de ladrões” cita Jeremias, que dizia que Deus faria a esta casa o mesmo que fez a Siló (Jeremias 7:11–14).

A segunda vez: Roma, 70 d.C.

Em 66 d.C., a Judeia se levantou contra Roma. Em abril de 70, Tito, filho do novo imperador Vespasiano, cercou Jerusalém com quatro legiões, e a fome tomou conta da cidade. Flávio Josefo, um comandante judeu que tinha passado para o lado romano, diz que o santuário queimou no dia 10 de av, o mesmo dia do ano em que a Babilônia queimara o primeiro (Guerra Judaica 6.250). Ele afirma que Tito quis salvá-lo. O cristão Sulpício Severo, por volta de 400, diz que Tito mandou destruí-lo, e a maioria dos historiadores desconfia de Josefo. Em setembro, a cidade inteira tinha caído.

Os tesouros foram para Roma: o Arco de Tito ainda mostra o candelabro levado em triunfo, e Vespasiano expôs os vasos de ouro no seu novo Templo da Paz (Guerra Judaica 7.158–162). Ao pé do Muro das Lamentações, arqueólogos acharam as pedras do alto da esplanada amontoadas na rua lá embaixo, onde caíram quando os romanos as arrancaram.

Tishá BeAv

A tradição judaica chora os dois desastres numa só data. A Mishná lista cinco tragédias do dia 9 de av, entre elas a destruição do primeiro e do segundo Templo e a queda de Betar, a última fortaleza da revolta de Bar Kochba, em 135 d.C. (Mishná, Taanit 4:6). No Tishá BeAv, que cai em julho ou agosto, muitos judeus jejuam por cerca de 25 horas, sentam-se no chão como quem está de luto e leem o livro de Lamentações.

Como jaz solitária a cidade, que antes estava cheia de gente! Ela se tornou como uma viúva, ela que era grande entre as nações!

Lamentações 1:1

Naquela noite, multidões se reúnem diante do muro de arrimo que Herodes construiu.

Fontes

  • 2 Reis 24:10–25:17; Jeremias 7:11–14; 52:12; Esdras 6:15; Lamentações 1
  • Mateus 24:1–2; Marcos 13:1–2; Lucas 19:41–44; 21:5–6
  • Crônica Babilônica, Museu Britânico, BM 21946 (a tomada de 597 a.C.)
  • Flávio Josefo, Guerra Judaica 6.250; 7.158–162; Sulpício Severo, Crônica 2.30
  • Mishná, Taanit 4:6; Talmude Babilônico, Bava Batra 4a

As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.