Roma Antiga · Datas

Quando o Coliseu foi construído?

A resposta curta

Entre cerca de 70 e 80 d.C. O imperador Vespasiano começou a obra por volta de 70 a 72 d.C., no lugar do lago de Nero, e o filho, Tito, inaugurou o Coliseu em 80 d.C. com cem dias de jogos. Depois, Domiciano acrescentou os subterrâneos e uma galeria no alto. Tem mais de 1.900 anos.

Revisado em

Do lago de Nero à arena do povo

A história começa com um incêndio. Depois do grande incêndio de 64 d.C., Nero tomou uma grande área queimada no centro de Roma para a sua Casa Dourada, um palácio com parques, pavilhões e um lago artificial no vale entre o Palatino, o Célio e o Esquilino. Na entrada havia uma estátua colossal de bronze do próprio Nero.

Nero morreu em 68. Depois de um ano de guerra civil, o general Vespasiano chegou ao poder e fez questão de devolver o terreno. Mandou aterrar o lago de Nero e, conta Suetônio, começou um anfiteatro no coração da cidade, um plano que, ele soube, Augusto já tinha acalentado. O poeta Marcial, escrevendo para a inauguração, festejou que o povo agora desfrutava do que tinha sido o recreio de um tirano.

Pago com uma guerra

A obra foi rápida e cara. Uma pedra de dedicação achada na arena, lida a partir dos furos deixados pelas letras de bronze perdidas, diz que Vespasiano mandou erguer o novo anfiteatro com a sua parte de general nos despojos. A maioria dos historiadores entende que são os despojos da Guerra Judaica. Em 70 d.C., Tito, filho de Vespasiano, tinha tomado Jerusalém e destruído o Templo, e o Arco de Tito, a poucos passos do Coliseu, ainda mostra soldados romanos levando a menorá, o candelabro do Templo. Os Evangelhos guardam um aviso sobre aquele Templo:

Ao sair do templo, um dos seus discípulos lhe disse: “Mestre, veja que pedras e que edifícios!” Jesus lhe disse: “Você vê estes grandes edifícios? Não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derrubada.”

Marcos 13:1–2

É comum supor que prisioneiros dessa guerra trabalharam na obra, ao lado de construtores, engenheiros e pintores romanos.

A inauguração, em 80 d.C.

Vespasiano morreu em junho de 79, com a obra pronta até o terceiro andar. Tito a terminou e a inaugurou em 80 d.C. Cássio Dio conta que os jogos duraram cem dias, que 9.000 animais foram mortos e que Tito chegou a encher a arena de água para cavalos e touros treinados para nadar. O irmão mais novo de Tito, Domiciano, imperador a partir de 81, acrescentou o hipogeu, um labirinto de túneis, jaulas e elevadores sob a arena, e uma galeria no alto para caber mais gente. Quanta gente cabia lá dentro é outra história.

O nome e os séculos seguintes

Os romanos o chamavam só de anfiteatro. “Anfiteatro Flávio”, pelo nome de família de Vespasiano e dos filhos, é um rótulo moderno. “Coliseu” é medieval e muito provavelmente vem do Colosso, a estátua gigante de Nero que Adriano mandou levar para o lado dele.

Honório proibiu as lutas de gladiadores em 399 e de novo em 404, e elas aparecem pela última vez por volta de 435, mas as caçadas de feras continuaram pelo menos até 523. Um terremoto em 1349 derrubou o lado sul, e as pedras caídas foram levadas para palácios e igrejas. Em 1749, o papa Bento XIV consagrou a ruína à Paixão de Cristo e à memória dos mártires, e acabou com a retirada de pedra. Nenhuma fonte antiga situa com clareza um martírio cristão lá dentro, embora cristãos tenham morrido em outras arenas romanas. Quando Cabral chegou à Bahia, em 1500, o Coliseu já tinha 1.420 anos.

Fontes

  • Suetônio, Vida de Vespasiano 9 e Vida de Tito 7
  • Cássio Dio, História Romana 66.25
  • Marcial, Livro dos Espetáculos 2
  • Marcos 13:1–2
  • Inscrição de dedicação do Coliseu, reconstituída por Géza Alföldy (1995)
  • Keith Hopkins e Mary Beard, The Colosseum (2005)