A Bíblia · Significado

O que significa o arco-íris na Bíblia?

A resposta curta

É o sinal da aliança de Deus de nunca mais destruir a terra com um dilúvio. Em Gênesis 9, Deus põe o seu arco nas nuvens, e a palavra hebraica, qeshet, é a mesma do arco de um guerreiro. Sempre que ele aparecer, diz Deus, vai se lembrar da promessa feita a Noé e a todo ser vivo.

Revisado em

O sinal de Gênesis 9

O Dilúvio acabou e Noé ergueu um altar. Agora Deus faz uma aliança, a primeira que a Bíblia descreve por inteiro, e não só com Noé. Ela inclui “toda criatura vivente que está com vocês: as aves, os rebanhos e todos os animais da terra” (9:10). Os termos cabem numa frase: nunca mais um dilúvio para destruir a terra (9:11). Então vem o sinal.

Coloco o meu arco-íris na nuvem, e ele será um sinal de uma aliança entre mim e a terra.

Gênesis 9:13

Qeshet, o arco do guerreiro

O português já guarda a ideia no nome: arco-íris é o arco de Íris, a deusa grega que personificava o arco colorido e levava os recados dos deuses. O hebraico bíblico vai mais direto. Não tem palavra especial para o fenômeno: diz qeshet, o arco de caçador ou de soldado. Isaque manda Esaú caçar com “sua aljava e seu arco” (Gênesis 27:3). Quando os profetas imaginam Deus em guerra, dão a ele a mesma arma: “Ele curvou o seu arco como um inimigo” (Lamentações 2:4); “Você descobriu o seu arco” (Habacuque 3:9).

Por isso a imagem de Gênesis 9 impressiona. Passada a tempestade, Deus pendura o seu arco nas nuvens. Muitos leitores acrescentam que a curva fica voltada para cima, para longe da terra, como uma arma deposta. O poema babilônico da criação, Enuma Elish, também põe um arco no céu: depois de vencer Tiamat, o deus Marduk vê o seu arco colocado entre as estrelas (tabuinha VI). A história babilônica do dilúvio escolhe outro sinal, o colar de lápis-lazúli de uma deusa (as semelhanças com Gilgamesh).

Um lembrete para Deus

Quando eu trouxer uma nuvem sobre a terra, e o arco-íris for visto na nuvem, eu me lembrarei da minha aliança, que há entre mim e vocês e toda criatura vivente de todas as espécies, e as águas nunca mais se tornarão um dilúvio para destruir toda a carne.

Gênesis 9:14–15

A surpresa está em quem precisa ser lembrado. O arco-íris não é, antes de tudo, para as pessoas olharem. Deus diz que ele mesmo vai olhar: “Eu olharei para ele, para me lembrar da aliança eterna” (9:16). Em hebraico, lembrar é agir, e o mesmo verbo virou o jogo um capítulo antes, quando “Deus se lembrou de Noé” (8:1).

O arco-íris em outros livros

  • Ezequiel. O profeta vê a glória de Deus brilhando “como a aparência do arco-íris que está na nuvem no dia de chuva” e cai com o rosto em terra (Ezequiel 1:28).
  • Apocalipse. Um arco-íris rodeia o trono de Deus, “com a aparência de uma esmeralda” (Apocalipse 4:3), e um anjo poderoso desce do céu, envolto numa nuvem: “Um arco-íris estava sobre a sua cabeça” (10:1).
  • Eclesiástico. Um livro de sabedoria das Bíblias católicas e ortodoxas diz: “Olhe para o arco-íris e louve aquele que o fez” (Eclesiástico 43:11).

Uma bênção, um cuidado e sete cores

A tradição judaica tem uma bênção para a hora em que o arco-íris aparece: bendito és tu, Senhor nosso Deus, que te lembras da aliança, és fiel à tua aliança e cumpres a tua palavra (Berachot 59a). Alguns rabinos recomendavam não ficar olhando fixamente para ele, já que Ezequiel o comparou à glória de Deus (Chaguigá 16a). Na Idade Média, os comentaristas perguntaram se havia arco-íris antes do Dilúvio. Nachmânides respondeu que sim: é um efeito natural do sol na chuva, e o que mudou depois do Dilúvio foi o significado.

Uma coisa a Bíblia nunca faz: contar as cores. As famosas sete, do vermelho ao violeta, vêm de Isaac Newton, que as nomeou na Óptica (1704) e as comparou às notas de uma escala musical.

Fontes

  • Gênesis 8:1; 8:20–9:17; 27:3
  • Lamentações 2:4; Habacuque 3:9; Ezequiel 1:28; Apocalipse 4:3; 10:1; Eclesiástico 43:11–12
  • Enuma Elish, tabuinha VI
  • Talmude Babilônico, Berachot 59a; Chaguigá 16a; Nachmânides sobre Gênesis 9:12
  • Isaac Newton, Óptica (1704)

As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.