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Onde a arca de Noé parou?

A resposta curta

Gênesis 8:4 diz só que a arca repousou “sobre os montes de Ararate”, uma região, não um pico. Ararate é o nome hebraico de Urartu, antigo reino em volta do lago Van, hoje leste da Turquia, Armênia e noroeste do Irã. A tradição escolheu depois o vulcão mais alto, o monte Ararat. Outra tradição aponta o monte Judi.

Revisado em

O que o Gênesis diz

A arca repousou no sétimo mês, no décimo sétimo dia do mês, sobre os montes de Ararate.

Gênesis 8:4

Repare no plural. O Gênesis fala de uma região de montanhas, não de um cume, e não diz em qual deles a arca parou. Noé não vê nada em volta por meses, até que, no primeiro dia do décimo mês, “os cumes dos montes se tornaram visíveis” (8:5).

Ararate é Urartu

Ararate aparece mais três vezes na Bíblia, e sempre como um país. Depois de matar o pai, Senaqueribe, em Nínive, dois príncipes assírios “escaparam para a terra de Ararate” (2 Reis 19:37; Isaías 37:38). A King James, a Bíblia inglesa de 1611, segue o grego e chama esse lugar de Armênia. Jeremias o convoca contra a Babilônia:

Convoquem contra ela os reinos de Ararate, Mini e Asquenaz!

Jeremias 51:27

Os registros assírios chamam o mesmo país de Urartu. Era um reino da Idade do Ferro que surgiu em meados do século IX a.C., com a capital, Tushpa, na margem do lago Van, e que viveu o seu auge nos séculos VIII e VII a.C. Ocupava as terras altas da Armênia, hoje divididas entre o leste da Turquia, a Armênia e o noroeste do Irã. As consoantes hebraicas de Ararate batem com o nome assírio; as vogais foram acrescentadas ao texto muitos séculos depois.

O monte Ararat

A montanha que hoje leva o nome é a gigante daquela região: um vulcão adormecido de 5.137 metros, o ponto mais alto da Turquia, perto da fronteira com a Armênia e o Irã. Os turcos a chamam de Ağrı Dağı, e os armênios, de Masis; um antigo nome persa é Kuh-e Nuh, o monte de Noé. Escritores armênios começaram a pôr ali o pouso da arca por volta do século XI, e os mapas-múndi medievais desenharam a arca no pico. Vista de Erevan, do outro lado da fronteira, ela ocupa o céu, e aparece com a arca no brasão da Armênia. Ninguém chegou ao topo, que se saiba, até 1829, quando o naturalista Friedrich Parrot e o escritor armênio Khachatur Abovian fizeram a subida.

O monte Judi

Uma tradição mais antiga olha para o sul, para o Cudi Dağı, uma serra perto de Cizre, acima do rio Tigre, junto à fronteira da Turquia com a Síria e o Iraque. Os Targuns aramaicos e a Bíblia siríaca põem o pouso em Qardu, a terra que os gregos chamavam de Gordiena. Flávio Josefo, no século I d.C., cita o sacerdote babilônio Beroso: restos da arca ainda podiam ser vistos nas montanhas de Gordiena, e as pessoas raspavam o piche para usar como amuleto (Antiguidades Judaicas 1.93). O Alcorão diz que a arca parou sobre o al-Judi (11:44), e os geógrafos muçulmanos situaram o al-Judi nessa serra, onde um mosteiro chegou a marcar o local.

Os caçadores da arca

O monte Ararat atrai buscadores há dois séculos. Em 1955, o industrial francês Fernand Navarra desceu com um pedaço de madeira; uma amostra testada depois para James Irwin, o astronauta da Apollo 15 que liderou as próprias expedições ao monte a partir de 1982, tinha uns 1.500 anos. Em 1959, um capitão do exército turco, İlhan Durupınar, viu numa foto aérea um morro em forma de barco a cerca de 29 quilômetros ao sul do pico; os geólogos mostraram que é uma dobra natural da rocha. Nenhum vestígio da arca foi confirmado até hoje. O Gênesis segue direto para a janela, o corvo e a pomba. Sobre os meses de espera lá em cima, veja quanto tempo Noé ficou na arca.

Fontes

  • Gênesis 8:1–19
  • 2 Reis 19:37; Isaías 37:38; Jeremias 51:27
  • King James Version (1611), 2 Reis 19:37
  • Targum de Onkelos, Gênesis 8:4
  • Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas 1.90–95
  • Alcorão 11:44

As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.