A resposta curta
Cerca de um ano. Pelas datas de Gênesis 7 e 8, Noé entrou no dia 17 do segundo mês do seu ano 600 e saiu no dia 27 do segundo mês do ano 601: um ano e dez dias, ou 370 dias, se os meses tinham trinta dias. Os famosos quarenta dias foram só a chuva.
Revisado em
Um diário de bordo
O Gênesis conta o Dilúvio como um diário de bordo, com datas marcadas pela idade de Noé. A primeira anotação é o dia em que a água chegou.
No ano seiscentos da vida de Noé, no segundo mês, no décimo sétimo dia do mês, naquele mesmo dia, todas as fontes do grande abismo se romperam, e as janelas do céu se abriram.
Naquele mesmo dia Noé, a mulher, os filhos e as noras já estavam dentro, com os animais (7:13–16). Depois as anotações seguem, mês a mês.
A viagem, data por data
- Sete dias de aviso. Deus diz que a chuva começa “daqui a sete dias” (7:4), e depois deles a água vem (7:10).
- Ano 600, mês 2, dia 17. O abismo se rompe, as janelas do céu se abrem e Deus fecha a porta (7:11–16).
- Quarenta dias. Chove quarenta dias e quarenta noites, e a arca sai do chão (7:12, 17).
- 150 dias. A água cobre a terra por cento e cinquenta dias (7:24) e então começa a baixar (8:3).
- Mês 7, dia 17. A arca repousa sobre os montes de Ararate (8:4).
- Mês 10, dia 1. Aparecem os cumes dos montes (8:5).
- Quarenta dias depois. Noé abre a janela e solta um corvo (8:6–7).
- Três semanas. A pomba voa três vezes, com sete dias de intervalo, e na terceira não volta (8:8–12).
- Ano 601, mês 1, dia 1. Noé tira a cobertura e vê a terra secando (8:13).
- Mês 2, dia 27. A terra está seca, e Deus diz: “Saia da arca” (8:14–16).
Quantos dias são?
Do dia 17 do segundo mês ao dia 27 do segundo mês do ano seguinte: um ano e dez dias. O próprio texto dá uma pista sobre o tamanho dos meses. A água sobe no dia 17 do segundo mês, domina por 150 dias, e a arca encalha no dia 17 do sétimo: cinco meses, exatamente 150 dias. Isso dá meses de trinta dias e uma viagem de 370 dias.
Se o autor contava pela lua, um ano lunar tem cerca de 354 dias. Somados os dias que vão do 17 ao 27, o total chega perto de 365, um ano solar completo. Rashi, o comentarista judeu medieval, tirou essa conclusão: o castigo da geração do Dilúvio durou exatamente um ano do sol.
No ano seiscentos e um, no primeiro mês, no primeiro dia do mês, as águas secaram de sobre a terra. Noé removeu a cobertura da arca e olhou. Ele viu que a superfície da terra estava seca.
Mesmo assim ele ainda espera quase dois meses. Noé não abre a porta sozinho. Foi Deus quem a fechou (7:16), e ele só sai quando Deus manda (8:15–16).
Quarenta dias foi a chuva
O número que todo mundo lembra, quarenta dias e quarenta noites, é o temporal, não a viagem. Contando do primeiro dia, a água domina por cinco meses e leva mais sete para escoar. Muitos estudiosos acham que o texto trança dois relatos mais antigos: um conta em setes e quarentas, com uma chuva curta e semanas de espera com as aves; o outro guarda o ano datado pela idade de Noé. Entrelaçados, dão o ano que o Gênesis registra. Os leitores tradicionais veem uma história só, com os quarenta dias dentro do ano.
O Gênesis não diz quanto tempo levou a construção da arca. Noé tem 500 anos quando nascem os filhos (5:32) e 600 quando começa a chuva. Os 120 anos de Gênesis 6:3, muitas vezes citados como prazo da obra, são lidos por uns como limite da vida humana e por outros como contagem regressiva para o Dilúvio. Para saber onde ela encalhou, veja onde a arca de Noé parou.
Fontes
- Gênesis 5:32; 6:3; 7:1–8:19
- Rashi sobre Gênesis 8:14
As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.