A resposta curta
O Gênesis o coloca “no oriente, no Éden”, onde um rio se divide em quatro: o Pisom, o Giom, o Tigre e o Eufrates. Só os dois últimos são conhecidos, por isso quase todas as propostas apontam a Mesopotâmia: o fundo do golfo Pérsico, onde os rios se encontram, ou as montanhas da Turquia, onde nascem. Nenhum lugar foi achado.
Revisado em
O mapa de Gênesis 2
O Gênesis dá ao jardim uma direção e um sistema de rios. Deus o planta “no oriente, no Éden” (2:8), a leste de onde está quem conta a história. Depois vem a água.
Um rio saía do Éden para regar o jardim; e dali se dividia, e se tornava a nascente de quatro rios.
- Pisom corre por “toda a terra de Havilá, onde há ouro”, com bdélio e ônix (2:11–12). Não identificado.
- Giom corre por “toda a terra de Cuxe” (2:13). Cuxe costuma ser a região ao sul do Egito. Não identificado.
- Hídequel “flui em frente à Assíria” (2:14). É o Tigre, Idiqlat em acádio.
- Eufrates dispensa explicação.
O hebraico chama os quatro braços de “cabeças”. São quatro rios que se separam rio abaixo, ou quatro nascentes? A resposta muda o jardim de lugar em mil quilômetros.
No fundo do golfo
Lidos rio abaixo, os rios se encontram no alto do golfo Pérsico. O Tigre e o Eufrates se juntam em Al-Qurnah, no sul do Iraque, e seguem num só leito até o golfo. Há muito tempo o folclore local chama Qurnah de lugar do paraíso. Os visitantes viam ali uma árvore velha apresentada como a árvore do conhecimento; ela morreu, e outras foram plantadas. Nos anos 1980, o arqueólogo Juris Zarins defendeu que o jardim ficava no fundo do golfo. Nessa leitura, o Pisom é o Wadi al-Batin, como propôs James Sauer, um leito seco que Farouk El-Baz seguiu em fotos de satélite desde perto de Medina até o Kuwait, e Zarins viu no Giom o rio Karun, que desce do Irã. Assim, quatro rios se encontrariam num só ponto.
Onde os rios nascem
Lidas ao contrário, as quatro cabeças são nascentes. O Tigre e o Eufrates nascem nas terras altas do leste da Turquia, na mesma região de montanhas do Ararate, e muitos autores antigos puseram o Éden na Armênia por isso. O escritor britânico David Rohl defendeu um vale perto de Tabriz, no noroeste do Irã; os estudiosos não o acompanharam.
Os rios do mundo inteiro
Os leitores antigos pensavam maior. Flávio Josefo fez do Pisom o Ganges e do Giom o Nilo (Antiguidades Judaicas 1.38–39), e a tradição etíope ainda identifica o Giom, Giyon, com o Nilo Azul. Os cartógrafos medievais desenhavam o paraíso no topo do mundo, no extremo oriente; o mapa de Fra Mauro, de 1459, chega a chamar o Nilo de “Gion”. Em 1498, na terceira viagem, Cristóvão Colombo encontrou a enorme massa de água doce do Orinoco entrando no mar e escreveu que talvez estivesse perto do paraíso terrestre.
Um jardim de Deus
A própria Bíblia usa o Éden menos como endereço e mais como imagem do jardim do próprio Deus. Ezequiel fala ao rei de Tiro:
Você estava no Éden, o jardim de Deus.
e põe esse Éden no “monte santo de Deus” (28:14). Isaías promete que Deus fará do deserto de Sião “como o Éden” (51:3). A fonte de Jerusalém se chama Giom (1 Reis 1:33), e muitos estudiosos notam como o ouro, o ônix e os querubins guardiões do jardim reaparecem no tabernáculo e no templo. Os sumérios também tinham uma terra de paraíso, Dilmun, onde não havia doença nem morte, muitas vezes ligada ao Bahrein.
Para o Gênesis, o jardim não pode ser visitado porque foi fechado: querubins guardam o caminho de volta, do lado leste. É ali que começa a expressão a leste do Éden.
Fontes
- Gênesis 2:8–14; 3:23–24
- Ezequiel 28:12–14; Isaías 51:3; 1 Reis 1:33
- Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas 1.38–39
- Mapa-múndi de Fra Mauro (1459), Biblioteca Marciana, Veneza
- Cristóvão Colombo, carta sobre a terceira viagem (1498)
- Enki e Ninhursag (mito sumério de Dilmun)
As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.