A Bíblia · Lugares

Onde fica a Babilônia hoje?

A resposta curta

No Iraque. As ruínas da Babilônia ficam junto ao Eufrates, ao lado da cidade de Hila, cerca de 85 quilômetros ao sul de Bagdá, na província de Babil. O que restou são sobretudo montes, alicerces de tijolo e muros de palácio refeitos no governo de Saddam Hussein. Desde 2019, o sítio é Patrimônio Mundial da UNESCO.

Revisado em

As ruínas junto ao Eufrates

A Babilônia ficava à beira do Eufrates, na planície entre os dois grandes rios da Mesopotâmia. Os exilados de Judá se lembraram da água.

Junto aos rios da Babilônia, ali nos assentamos. Sim, nós choramos, quando nos lembramos de Sião.

Salmos 137:1

Hoje o sítio se espalha por um campo de montes ao lado de Hila, na província iraquiana de Babil. O monte mais ao norte ainda se chama Babil e guarda o nome da cidade. Os babilônios diziam Bab-ili, “portão do deus”; em hebraico, Babel, e por isso a história da torre de Gênesis 11 mora aqui. O modelo provável é Etemenanki, o zigurate escalonado da cidade, de tijolo de barro, com uns 90 metros de lado na base. Pouco dele resta acima do chão.

A estrada de Daniel e a cidade de Nabucodonosor

Daniel foi levado para lá ainda jovem, nos anos que se seguiram a 605 a.C. Os cativos não cruzaram o deserto. Contornaram-no pelo Crescente Fértil, subindo além de Damasco até o Eufrates e descendo o rio, mais de 1.300 quilômetros ao todo. Quando Esdras fez o caminho inverso, levou quatro meses (Esdras 7:9).

A cidade que Daniel viu era obra de Nabucodonosor II, rei de 605 a 562 a.C.: muralhas duplas, palácios e a Porta de Ishtar, de tijolos esmaltados de azul, com desfiles de dragões e touros. O livro de Daniel põe na boca dele o orgulho de uma vida, pouco antes da queda: “Não é esta a grande Babilônia, que eu construí para a residência real, pela força do meu poder e para a glória da minha majestade?” (Daniel 4:30). Muitos tijolos das suas obras ainda trazem o nome dele carimbado.

Como uma capital virou um monte de terra

A Babilônia caiu diante de Ciro, da Pérsia, em 539 a.C., a noite que o livro de Daniel liga à escrita na parede. Continuou grande por mais dois séculos. Alexandre, o Grande, fez dela a sua capital, mandou derrubar a torre em ruínas para reconstruí-la e morreu no palácio de Nabucodonosor em 323 a.C. Depois dele, novas capitais surgiram em outros lugares, e a Babilônia foi se esvaziando. No século X, geógrafos árabes descreviam Babil como uma pequena aldeia, e os seus tijolos cozidos havia muito tempo eram levados para construir casas na região.

Escavar, reconstruir, proteger

Arqueólogos alemães liderados por Robert Koldewey escavaram a Babilônia de 1899 a 1917. Pedaços da Porta de Ishtar foram para Berlim, onde ela foi remontada no Museu Pergamon. Em 1978, Saddam Hussein começou a reconstruir o palácio de Nabucodonosor sobre as ruínas, com tijolos novos que traziam o nome dele. Depois da invasão de 2003, forças da coalizão instalaram uma base militar no sítio, e veículos e trincheiras danificaram pavimentos antigos. Em julho de 2019, a UNESCO inscreveu a Babilônia na lista do Patrimônio Mundial. A maioria dos visitantes é de iraquianos.

A outra Babilônia

Às vezes a pergunta mira outra Babilônia. No Novo Testamento, o nome muitas vezes é um código. Uma carta em nome de Pedro manda saudações de “aquela que está na Babilônia” (1 Pedro 5:13), e a grande Babilônia do Apocalipse está sentada sobre sete montanhas (Apocalipse 17:9). Depois que Roma destruiu o segundo Templo, em 70 d.C., escritores judeus e cristãos passaram a chamar Roma de Babilônia, por causa do império que destruiu o primeiro. Essa Babilônia fica na Itália; veja como Pedro morreu.

Fontes

  • Salmos 137:1; Daniel 1:1–7; 4:28–37; Esdras 7:9
  • 1 Pedro 5:13; Apocalipse 17:1–18
  • Robert Koldewey, The Excavations at Babylon (1914)
  • Lista do Patrimônio Mundial da UNESCO, Babilônia (inscrita em 2019)

As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.