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Quem foi Abraão na Bíblia?

A resposta curta

Abraão é o primeiro patriarca do Gênesis, um homem de Ur, no sul do Iraque, que aos setenta e cinco anos parte para Canaã por causa de uma promessa de Deus: terra, um grande nome e descendentes como as estrelas. É o pai de Isaque e de Ismael, e judeus, cristãos e muçulmanos o chamam de pai.

Revisado em

Uma família de Ur

Abraão, que no início se chama Abrão, entra no Gênesis numa lista de família. O pai, Terá, vive em “Ur dos Caldeus”, uma cidade real cujo zigurate de tijolo ainda se ergue perto de Nassíria, no sul do Iraque. Abrão se casa com Sarai, e o texto anuncia logo o problema de toda a história: ela é estéril. Terá leva a família rio acima, pelo Eufrates, até Harã, na atual Turquia. É ali que vem o chamado.

Saia da sua terra, dos seus parentes e da casa do seu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrarei. Farei de você uma grande nação. Eu o abençoarei e engrandecerei o seu nome. Você será uma bênção.

Gênesis 12:1–2

O Gênesis não explica por que ele foi escolhido nem registra resposta. “Então Abrão foi, como o SENHOR lhe havia dito” (Gênesis 12:4). Tem setenta e cinco anos. Parte com Sarai, o sobrinho Ló e os rebanhos, e quando levanta um altar em Siquém, perto da atual Nablus, a família já andou uns 1.600 quilômetros pelo Crescente Fértil desde Ur.

Vinte e cinco anos de espera

A promessa anda mais depressa que os fatos. A fome leva Abrão ao Egito, onde o medo o faz apresentar Sarai como irmã. De volta a Canaã, Deus manda que ele conte as estrelas, porque assim será a sua descendência, e o Gênesis traz a frase em que Paulo vai se apoiar em Romanos 4:

Ele creu no SENHOR, que lhe creditou isso como justiça.

Gênesis 15:6

E nada de filho. Sarai lhe dá a escrava egípcia Agar, e aos oitenta e seis anos Abrão tem Ismael. Aos noventa e nove, ganha o nome novo, Abraão, e Sarai vira Sara (por que os nomes mudaram). Três visitantes junto aos carvalhos de Manre prometem um filho dentro de um ano, e Sara ri. Antes de partirem, Abraão negocia com Deus por Sodoma, de cinquenta justos até dez. Aos cem anos, segura Isaque nos braços, nome que quer dizer “ele ri”.

A prova no monte Moriá

Vem então o capítulo mais duro do Gênesis. Deus manda oferecer “seu filho, seu único filho, Isaque, a quem você ama” em holocausto, na terra de Moriá. Abraão vai. No alto do monte, uma voz detém a sua mão, e um carneiro preso pelos chifres num arbusto toma o lugar de Isaque. Os judeus chamam a cena de Akedá, a amarração, e a leem no Rosh Hashaná. Os cristãos veem em Isaque carregando a lenha um sinal da cruz. Os muçulmanos lembram a prova na Festa do Sacrifício, o Eid al-Adha, e a maior parte da tradição islâmica diz que o filho era Ismael. Um livro posterior põe o monte Moriá em Jerusalém, onde Salomão construiu o Templo (2 Crônicas 3:1).

Um túmulo em Hebrom e o pai de três religiões

Quando Sara morre, Abraão, “estrangeiro e peregrino” em Canaã, compra a caverna de Macpela, em Hebrom, por quatrocentos siclos de prata. Depois de tantas promessas de terra, o primeiro pedaço que ele possui é um túmulo. Morre aos 175 anos, “cheio de anos”, e os dois filhos, Isaque e Ismael, o sepultam juntos ali (Gênesis 25:8–9). Herodes depois cercou o lugar com muralhas, que ainda estão de pé, sagradas para judeus e muçulmanos.

Isaías o chama de “Abraão, meu amigo” (Isaías 41:8), e o Islã o honra como Ibrahim, Khalil Allah, o Amigo de Deus. Em português, o nome dele ficou numa expressão antiga, o seio de Abraão: o lugar para onde os anjos levam o mendigo Lázaro na parábola de Jesus (Lucas 16:22). Algumas histórias famosas não estão no Gênesis: a do jovem Abraão quebrando os ídolos do pai vem do midrash judaico e do Alcorão (21:51–70). Se houve um Abraão histórico por trás do relato é algo que os historiadores discutem; o texto não dá datas.

Fontes

  • Gênesis 11:27–25:11
  • Isaías 41:8; Lucas 16:22; Romanos 4:1–3; Hebreus 11:8–19; 2 Crônicas 3:1
  • Alcorão 21:51–70

As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.