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Onde ficava a Torre de Babel?

A resposta curta

Na Babilônia, às margens do Eufrates, ao sul de Bagdá, no atual Iraque. O Gênesis coloca a torre numa planície “na terra de Sinar”, o nome bíblico do sul da Mesopotâmia, e chama a cidade de Babel, o nome hebraico da Babilônia. O modelo provável foi Etemenanki, o zigurate da cidade, cujos alicerces ainda existem perto de Hila.

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O que o Gênesis diz sobre o lugar

A história de Babel, em Gênesis 11, tem só nove versículos, mas deixa três pistas sobre onde aconteceu. Os construtores viajam para o oriente. Eles se fixam numa planície. E constroem com o que uma planície oferece.

Disseram uns aos outros: “Venham, vamos fazer tijolos e queimá-los bem.” Eles tinham tijolos em vez de pedras, e usavam piche como argamassa.

Gênesis 11:3

É um retrato da Mesopotâmia. A terra entre o Tigre e o Eufrates quase não tem pedra para construir, e as suas cidades cresciam em tijolo de barro, seco ao sol ou cozido no forno, assentado com betume, que brota do chão na região. Nas colinas de Canaã, onde as casas eram de pedra, tijolo e piche soavam coisa de estrangeiro.

Sinar é a Babilônia

O Gênesis põe a planície “na terra de Sinar” (11:2), que traduções mais antigas escrevem Sinear. O nome volta várias vezes na Bíblia, e sempre aponta para a mesma região. O reino de Ninrode começa com “Babel, Ereque, Acade e Calné, na terra de Sinar” (10:10): Ereque é Uruk, e Acade é Akkad, cidades mesopotâmicas que existiram de fato. Quando Nabucodonosor leva os utensílios do Templo, ele os leva “para a terra de Sinar, para a casa do seu deus” (Daniel 1:2).

E Babel é simplesmente o nome hebraico da Babilônia. O Gênesis ouve nele o verbo balal, confundir: a cidade se chama assim “porque ali o SENHOR confundiu a língua de toda a terra” (11:9). O português guardou a lição numa palavra: uma babel é qualquer confusão de vozes e de línguas.

Etemenanki, a torre que existiu

A Babilônia teve mesmo uma grande torre. O nome sumério, Etemenanki, quer dizer “casa do fundamento do céu e da terra”. Era um zigurate, uma montanha de degraus de tijolo cru revestida de tijolo cozido, ao lado do Esagila, o templo do deus Marduk. Depois que o assírio Senaqueribe arrasou a Babilônia, em 689 a.C., a torre foi reconstruída por Nabopolassar e pelo filho dele, Nabucodonosor II. O cilindro de fundação de Nabopolassar diz que ele fez o topo da torre rivalizar com os céus. Os construtores do Gênesis queriam “uma torre cujo topo chegue até o céu” (11:4).

Uma tábua de argila copiada em Uruk em 229 a.C., a chamada tábua do Esagila, hoje no Louvre, dá a planta: uma base quadrada de uns 91 metros de lado e sete andares que chegam mais ou menos à mesma altura. Heródoto, no século V a.C., descreve oito torres empilhadas, com um caminho que sobe por fora, em volta de todas (Histórias 1.181). E uma estela de pedra negra da Coleção Schøyen mostra Nabucodonosor ao lado da torre de degraus, com o nome dela escrito, e põe o rei a se gabar de construir com betume e tijolo cozido, os mesmos materiais de Gênesis 11:3.

Outros candidatos

Nem todo mundo olhou para a própria Babilônia. Tradições judaicas e árabes da Idade Média apontavam para Birs Nimrud, o zigurate em ruínas de Borsipa, a sudoeste da Babilônia, cujo nome lembra Ninrode. No alto da ruína ainda há blocos de tijolo derretidos como vidro. O Talmude registra o dito de que um terço da torre queimou, um terço afundou na terra e um terço continua de pé (Sanhedrin 109a). A maioria dos historiadores vê o zigurate de Borsipa como um vizinho da torre, não como a própria torre.

A torre que quase todo mundo imagina vem do quadro de Pieter Bruegel, o Velho, pintado em 1563 e hoje em Viena: uma espiral redonda de arcos, inspirada no Coliseu de Roma. As torres verdadeiras de Sinar eram quadradas e em degraus.

O que há lá hoje

A expedição alemã de Robert Koldewey, que escavou a Babilônia de 1899 a 1917, encontrou os alicerces. O que se vê hoje perto de Hila, cerca de 90 km ao sul de Bagdá, é a pegada da torre: o contorno quadrado da base, sem os tijolos cozidos, levados há séculos. Para o resto da cidade, veja onde fica a Babilônia hoje.

Fontes

  • Gênesis 10:8–10; 11:1–9
  • Daniel 1:2
  • Heródoto, Histórias 1.181
  • Tábua do Esagila (copiada em Uruk, 229 a.C.), Museu do Louvre, Paris
  • Andrew George, Cuneiform Royal Inscriptions and Related Texts in the Schøyen Collection (2011): a estela da Torre de Babel, MS 2063
  • Talmude Babilônico, Sanhedrin 109a

As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.