A Bíblia · Lugares

Onde foi o Sermão da Montanha?

A resposta curta

Mateus diz apenas “o monte”, uma colina da Galileia perto de Cafarnaum. Desde pelo menos o século IV, os cristãos o situam na encosta acima da margem noroeste do mar da Galileia, perto de Tabga, hoje chamada monte das Bem-Aventuranças. Lucas põe uma versão mais curta num “lugar plano”, e por isso se fala também em Sermão da Planície.

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O que Mateus diz

Mateus não dá nome ao lugar, só uma direção.

Vendo as multidões, ele subiu ao monte. Quando se assentou, seus discípulos aproximaram-se dele. Ele abriu a sua boca e os ensinava

Mateus 5:1–2

O grego usa o artigo, to oros, “o monte”, uma palavra que também pode querer dizer a região montanhosa em geral. Os mestres judeus ensinavam sentados, e Jesus se senta. Três capítulos depois, ele “desceu do monte” (Mateus 8:1), e a próxima parada é Cafarnaum (Mateus 8:5). Mateus imagina, portanto, um terreno alto perto da margem norte do mar da Galileia, a uma caminhada da cidade que Jesus fez de base.

Por que o monte importa para Mateus

Os montes sustentam a história de Mateus. O diabo mostra a Jesus todos os reinos do mundo do alto de “um monte altíssimo” (4:8). Jesus alimenta quatro mil pessoas num monte junto ao lago (15:29–38), é transfigurado em outro (17:1–2), fala do fim dos tempos no monte das Oliveiras (24:3) e envia os onze de um monte da Galileia (28:16). Muitos estudiosos ouvem aí um eco de Moisés, que recebeu a lei no Sinai: um novo mestre dá à lei a sua leitura mais funda do alto do seu próprio monte. O cenário é tanto teologia quanto geografia.

O lugar plano de Lucas

Lucas monta a cena de outro jeito. Jesus passa a noite orando no monte e escolhe os doze ao amanhecer (Lucas 6:12–16). Depois desce.

Ele desceu com eles e parou num lugar plano, com uma multidão de seus discípulos e um grande número de pessoas de toda a Judeia e Jerusalém, e do litoral de Tiro e Sidom

Lucas 6:17

O sermão de Lucas é mais curto, trinta versículos (Lucas 6:20–49) contra mais de cem em Mateus 5 a 7, com quatro bem-aventuranças e quatro “ais”. Daí o nome Sermão da Planície. Os leitores juntam os dois desde Agostinho, que sugeriu que o lugar plano era um patamar na encosta do mesmo monte (A harmonia dos evangelistas 2.19). A maioria dos estudiosos modernos vê dois evangelistas organizando um mesmo acervo de ditos de Jesus, cada um com o seu cenário.

O monte das Bem-Aventuranças

A colina que os peregrinos visitam hoje fica acima da margem noroeste, entre Cafarnaum e Tabga, em Israel. A tradição é antiga, mas não original. Nos anos 380, a peregrina Egéria viu uma gruta na encosta acima de Tabga onde, segundo lhe disseram, o Senhor tinha proclamado as bem-aventuranças; o relato dela sobreviveu numa compilação posterior de Pedro, o Diácono. Uma pequena igreja bizantina ficava mais abaixo, perto da água.

A igreja do alto foi terminada em 1938, com projeto do arquiteto italiano Antonio Barluzzi. Tem oito lados, um para cada bem-aventurança de Mateus 5:3–10, e a varanda se abre para o lago. Em março de 2000, o papa João Paulo II celebrou missa na encosta para uma multidão de jovens.

Ninguém pode provar que foi ali. Mas a colina combina com o que Mateus descreve: um lugar alto acima do lago, perto de Cafarnaum, com uma encosta onde uma multidão podia se sentar e ouvir.

Fontes

  • Mateus 4:8; 5:1–2; 7:28–8:5; 15:29–38; 17:1–2; 24:3; 28:16
  • Lucas 6:12–49; 7:1
  • Agostinho, A harmonia dos evangelistas 2.19
  • Viagem de Egéria, preservada por Pedro, o Diácono, Sobre os lugares santos (1137)

As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.