A resposta curta
Porque foi em 20 de novembro de 1695 que Zumbi, o último líder de Palmares, foi morto. Em 1971, o Grupo Palmares, de Porto Alegre, propôs lembrar Zumbi em vez do 13 de maio, dia da Lei Áurea. A data virou dia nacional em 2011 e feriado em todo o país em 2023.
Revisado em
Uma morte que virou data
Zumbi liderou Palmares depois de recusar um acordo que devolvia fugidos ao cativeiro. Resistiu até a queda do reduto da Serra da Barriga e, traído, foi morto em 20 de novembro de 1695. A vida dele está em Quem foi Zumbi dos Palmares?. Aqui a pergunta é outra: como a morte de um líder do século XVII foi parar no calendário de feriados do Brasil?
Porto Alegre, 1971
A ideia nasceu longe de Alagoas. Em 1971, em Porto Alegre, o Grupo Palmares, reunido em torno do poeta Oliveira Silveira, propôs uma troca. Em vez do 13 de maio, o dia em que a princesa Isabel assinou a Lei Áurea, lembrar Zumbi.
A troca dizia muito. O 13 de maio é a data de uma assinatura num palácio do Rio. O 20 de novembro é a data de alguém que recusou o cativeiro e pagou com a vida. Para o grupo, escolher o dia era escolher o herói: a lei que veio de cima ou a luta que veio de baixo.
A proposta pegou. Em 1978, o Movimento Negro Unificado adotou a data, e o 20 de novembro virou dia de atos, palestras e debates em todo o país, muito antes de qualquer lei.
Das ruas para a lei
O Estado chegou depois, em etapas. Em 1996, no tricentenário da morte, a Lei 9.315 pôs o nome de Zumbi no Livro dos Heróis da Pátria. Em 2011, outra lei criou o dia nacional:
É instituído o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, a ser comemorado, anualmente, no dia 20 de novembro, data do falecimento do líder negro Zumbi dos Palmares.
A lei de 2011 criou uma data no calendário oficial, mas não um feriado. Folga, só onde estados e municípios tinham feito suas próprias leis, e por isso o 20 de novembro era feriado numa cidade e dia útil na vizinha. A Lei 14.759, de 2023, acabou com a diferença: o dia virou feriado nacional, 328 anos depois da morte de Zumbi.
Duas datas, duas memórias
Hoje o Brasil tem as duas. O 13 de maio lembra a lei. O 20 de novembro lembra Zumbi e todos os que lutaram, dos mocambos de Palmares às fugas em massa das fazendas de café em 1887. Quanto do 13 de maio é da princesa e quanto é de quem a pressionou, você vê em A princesa Isabel acabou sozinha com a escravidão?.
No Rio, no Cais do Valongo, por onde desembarcaram cerca de 900 mil africanos escravizados, mulheres vestidas de branco lavam as pedras. É outro jeito de lembrar: não a assinatura, mas quem chegou ali à força.
Fontes
- Lei nº 9.315, de 20 de novembro de 1996 (Zumbi no Livro dos Heróis da Pátria)
- Lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011, art. 1º (Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra)
- Lei nº 14.759/2023 (o 20 de novembro como feriado nacional)
- Lei nº 3.353, de 13 de maio de 1888 (Lei Áurea)