A Bíblia · Fatos

Por que Moisés foi colocado num cesto no rio?

A resposta curta

Para salvá-lo da ordem de Faraó de jogar no Nilo todo menino hebreu recém-nascido. A mãe o escondeu por três meses e depois o deixou entre os juncos, num cesto de papiro coberto de betume, com a irmã vigiando. A própria filha de Faraó o encontrou, pagou a mãe dele como ama e o criou como filho.

Revisado em

Um rei com medo dos escravos

O Êxodo começa com os descendentes de Jacó se multiplicando no Egito até que “a terra se encheu deles” (Êxodo 1:7). Um novo Faraó vê ali uma ameaça.

Eis que, o povo dos filhos de Israel é mais numeroso e mais poderoso do que nós. Venham, vamos agir com sabedoria para com eles, para que não se multipliquem e aconteça que, se estourar alguma guerra, eles também se juntem aos nossos inimigos

Êxodo 1:9–10

O plano dele vem em três etapas, cada uma pior que a anterior. Primeiro, trabalho forçado nas cidades-armazéns de Pitom e Ramessés. Depois, uma ordem secreta às parteiras. Quando isso falha, uma ordem aberta a todo o país: “Vocês lançarão no rio todo filho que nascer” (Êxodo 1:22). As meninas podiam viver. Sem os filhos homens, Israel se dissolveria no Egito em uma geração.

Duas parteiras que disseram não

Antes do rio, Faraó tentou agir na hora do parto. Mandou as parteiras dos hebreus, Sifrá e Puá, matar todo menino que nascesse.

Mas as parteiras temeram a Deus, e não fizeram o que o rei do Egito lhes ordenou, mas deixaram os meninos vivos.

Êxodo 1:17

Chamadas a se explicar, tinham a resposta na ponta da língua: as hebreias são vigorosas e dão à luz antes que a parteira chegue (1:19). O texto nunca diz o nome desse Faraó, o homem mais poderoso da terra, mas diz o nome das duas mulheres que o enganaram, e conta que Deus lhes deu famílias (1:21). Muitos leitores veem aí o primeiro caso registrado de desobediência civil.

Três meses, depois o rio

Um casal da tribo de Levi tem um filho. A mãe vê que o menino é bonito e o esconde por três meses. Quando não dá mais para escondê-lo, ela prepara um cesto.

Quando já não podia mais escondê-lo, pegou para ele um cesto de papiro e o revestiu com betume e piche. Colocou o menino dentro dele e o deixou entre os juncos à margem do rio.

Êxodo 2:3

Repare no que ela faz. Faraó mandou pôr todo menino no Nilo, e ela de fato põe o filho no Nilo: numa caixa à prova d’água, na água parada dos juncos, com a irmã olhando de longe. A palavra hebraica para o cesto, tevah, só aparece em outro lugar para a arca de Noé. Uma caixa flutuante já tinha salvado uma família do Dilúvio. Agora outra salva uma criança.

Quem encontrou e quem criou Moisés

A filha de Faraó desce para se banhar e abre o cesto. O bebê está chorando. Ela entende na hora: “Este é um dos filhos dos hebreus” (2:6). E fica com ele assim mesmo. A irmã aparece, se oferece para achar uma ama hebreia e traz a própria mãe, que passa a receber salário para amamentar o filho. Quando o menino desmama, a princesa o adota e lhe dá um nome; o que esse nome significa é outra história.

  • Os pais: Anrão e Joquebede, os dois da tribo de Levi (Êxodo 6:20).
  • A irmã: sem nome em Êxodo 2; a tradição a identifica com Miriã (Números 26:59).
  • A princesa: o Êxodo nunca diz o nome dela. Flávio Josefo a chama de Térmutis; a tradição judaica, de Bitia, por causa de uma “filha do faraó” citada em 1 Crônicas 4:18.

Assim Moisés cresceu no palácio. Estêvão, em Atos, diz que ele “foi instruído em toda a sabedoria dos egípcios” (Atos 7:22).

Uma história com forma antiga

Bebê deixado à deriva e criado por estranhos era um enredo conhecido no antigo Oriente Próximo. Um texto assírio, a Lenda de Sargão, conta que a mãe de Sargão da Acádia o pôs num cesto de juncos vedado com betume e o soltou num rio, e que um homem que tirava água o recolheu. Os estudiosos ainda discutem o que essa semelhança quer dizer. Séculos depois, Mateus fala de outro rei que manda matar meninos pequenos, e dessa vez o Egito é o refúgio: veja Herodes e os meninos de Belém.

Fontes

  • Êxodo 1:1–2:10
  • Êxodo 6:20; Números 26:59; 1 Crônicas 4:18
  • Atos 7:20–22
  • Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas 2.224–228
  • Lenda de Sargão da Acádia (cópias assírias)

As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.