A resposta curta
Porque era grande demais para um só governante defender. Depois de cinquenta anos de guerra civil, Diocleciano dividiu o poder entre quatro governantes em 293, e Constantino deu ao Oriente uma capital própria, Constantinopla, em 330. Quando Teodósio I morreu, em 395, os filhos Arcádio e Honório repartiram o império de vez. Para os romanos, ele continuava um só.
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Fronteiras demais para um homem só
No século III d.C., o império precisava segurar o Reno e o Danúbio contra os povos germânicos e o Eufrates contra uma nova e agressiva dinastia persa, muitas vezes no mesmo ano. Um imperador só podia estar num lugar. Onde ele não estava, o exército local caía na tentação de aclamar o seu próprio general. Nos cinquenta anos depois de 235, um imperador atrás do outro foi assassinado pelas próprias tropas.
Dividir o trabalho era a saída óbvia. Em 253, o imperador Valeriano deixou o filho Galieno cuidando do Ocidente e ficou com o Oriente. Deu errado. Em 260 os persas capturaram Valeriano vivo, um império rebelde dominou a Gália até 274 e, no leste, a rainha Zenóbia, de Palmira, chegou a governar a Síria e o Egito.
Os quatro de Diocleciano
Diocleciano, um soldado da Dalmácia aclamado em 284, tornou a divisão permanente. Em 286 fez de um colega de armas, Maximiano, coimperador, com o título de augusto, para governar o Ocidente, e guardou para si o Oriente, a metade mais rica e a que encarava a Pérsia. Em 293 cada augusto ganhou um sócio menor, um césar: Constâncio no Ocidente, Galério no Oriente. Os historiadores chamam isso de tetrarquia, o governo de quatro. Cada um tinha corte, exército e tesouro próprios, perto da sua fronteira. Roma manteve o Senado e o prestígio, mas nenhum imperador morava mais lá.
Os quatro faziam questão de parecer um governo só. As leis saíam em nome de todos. Um grupo de pórfiro com os tetrarcas, hoje encaixado numa quina da Basílica de São Marcos, em Veneza, mostra os quatro em pares quase idênticos, abraçados. Os venezianos o levaram de Constantinopla depois do saque de 1204. Um pé que faltava apareceu mais tarde em Istambul.
Um império, duas capitais
O sistema desabou em guerra civil, e Constantino reunificou tudo até 324. Mas também deu ao Oriente uma capital própria. Constantinopla, inaugurada em 330, ganhou um Senado só seu (por que ele a construiu). Dali em diante, uma corte no oeste e outra no leste eram sempre possíveis. Quando Constantino morreu, em 337, os filhos repartiram o império. Em 364 o novo imperador, Valentiniano, ficou com o Ocidente e deu o Oriente ao irmão, Valente. Amiano Marcelino conta que os dois dividiram os generais e as tropas perto de Naísso, a atual Niš, na Sérvia, antes de um seguir para Milão e o outro para Constantinopla.
A divisão de 395
Teodósio I foi o último imperador a governar pessoalmente as duas metades, e só por alguns meses, depois de esmagar um usurpador do Ocidente no rio Frígido, em setembro de 394. Morreu em Milão em janeiro de 395. O filho mais velho, Arcádio, com uns dezessete anos, já reinava em Constantinopla. O mais novo, Honório, de dez anos, ficou com o Ocidente, sob a tutela do general Estilicão. A linha entre os dois descia pelo rio Drina, que ainda hoje é fronteira, e atravessava o mar até a Líbia, entre a Tripolitânia e a Cirenaica. Ela seguia mais ou menos a velha divisão entre um Ocidente que falava latim e um Oriente que falava grego, embora o latim ainda se ouvisse nos Bálcãs orientais.
Dois impérios ou um só?
Um só, para os romanos: um único Império Romano com dois imperadores. As leis continuavam a levar os dois nomes, e cada metade costumava indicar um dos dois cônsules do ano. Em 438, o Código Teodosiano, uma coletânea de leis imperiais feita em Constantinopla, foi recebido formalmente pelo Senado de Roma. Mas as duas cortes viraram rivais, com exércitos, ministros e brigas próprias. Quando Odoacro aposentou o último imperador da Itália, em 476, o Senado romano mandou as insígnias para o leste com um recado, registrado pelo historiador Malco: um imperador bastava para os dois. No papel, o império voltava a ser um só. Na prática, o Ocidente tinha acabado (por que o Oriente sobreviveu).
Fontes
- Lactâncio, Sobre a morte dos perseguidores 7; Aurélio Vítor, Os Césares 39
- Amiano Marcelino, História Romana 26.5 (a divisão de 364)
- Malco de Filadélfia, História, fragmento sobre a embaixada a Zenão (476)
- Os Tetrarcas, grupo em pórfiro, Basílica de São Marcos, Veneza
- A. H. M. Jones, The Later Roman Empire, 284–602 (1964)