A Bíblia · Fatos

Quais foram os sonhos de José?

A resposta curta

Foram dois sonhos, contados em Gênesis 37. No primeiro, José e os irmãos amarram feixes no campo, e os feixes dos irmãos se curvam diante do dele. No segundo, o sol, a lua e onze estrelas se curvam diante de José. Jacó entendeu na hora: pai, mãe e os onze irmãos um dia se prostrariam diante daquele filho.

Revisado em

Os feixes

pois eis que estávamos amarrando feixes no campo, e eis que o meu feixe se levantou e ficou em pé; e eis que os feixes de vocês se colocaram ao redor e se curvaram diante do meu feixe.

Gênesis 37:7

É um sonho curioso para o filho de um pastor. A família de Jacó vive de rebanhos, mas José sonha com colheita. Em retrospecto, a imagem é certeira: quando os irmãos finalmente se curvam a ele, anos depois, estão ajoelhados para comprar cereal. Na hora, eles só ouviram um irmão mais novo se achando rei (veja por que os irmãos odiavam José).

O sol, a lua e onze estrelas

Eis que tive ainda outro sonho: e eis que o sol, a lua e onze estrelas se curvaram diante de mim.

Gênesis 37:9

Desta vez José conta também ao pai, e Jacó decifra o sonho na hora: “Acaso eu, sua mãe e seus irmãos viremos de fato a nos curvar até a terra diante de você?” (37:10). O sol é o pai, a lua é a mãe, as onze estrelas são os irmãos. Jacó dá uma bronca no filho na frente de todos. Mas o versículo seguinte conta que “seu pai guardou este assunto em mente” (37:11). A bronca era para a plateia. A pergunta ficou com ele.

Um detalhe intriga os leitores há séculos. Na ordem do Gênesis, Raquel, a mãe de José, já tinha morrido (35:19). Quem seria a lua? Rashi, comentarista judeu medieval, diz que Jacó mencionou a mãe morta de propósito, para o sonho parecer absurdo e acalmar os irmãos. Ele registra ainda a tradição de que a lua era Bila, a serva de Raquel, que criou José como mãe. E o Talmude tem um ditado para essas pontas soltas: assim como não há trigo sem palha, não há sonho sem alguma bobagem no meio.

Sonhos que vêm em pares

A história de José anda de dois em dois. São dois sonhos dele, dois na prisão (o do copeiro e o do padeiro) e dois de Faraó (as vacas e as espigas). Seis ao todo, sempre em dupla. O próprio José explica a regra mais tarde: sonho repetido é sinal de coisa decidida (41:32; veja o sonho de Faraó).

Há também um silêncio curioso. Depois de Gênesis 37, José nunca mais sonha, e Deus nunca fala diretamente com ele, como tinha falado com Abraão, Isaque e Jacó. Dali em diante, José é quem interpreta os sonhos dos outros.

Como os sonhos se cumpriram

José esperou mais de vinte anos. Quando aconteceu, o Gênesis faz questão de que o leitor perceba:

  • Primeira viagem. Dez irmãos se prostram “com o rosto em terra”, e “José lembrou-se dos sonhos que teve a respeito deles” (42:6–9).
  • Segunda viagem. Agora Benjamim está junto, os onze estão presentes, e eles se curvam duas vezes (43:26–28). As onze estrelas estão completas.
  • A taça de prata. Pegos com a taça, eles se jogam no chão diante dele (44:14).
  • Depois da morte de Jacó. Eles se prostram e dizem: “Eis que somos seus servos” (50:18).

E o sol? Se Jacó chegou a se curvar, é discutido. Em 47:31, depois que José jura sepultá-lo em Canaã, Israel se inclina sobre a cabeceira da cama. Uns leem ali, finalmente, a reverência do pai; outros, uma oração. Como os irmãos foram parar de cara no chão diante de um governador que não reconheciam está em por que José testou os irmãos.

Fontes

  • Gênesis 37:5–11; 35:19
  • Gênesis 40:1–23; 41:1–32
  • Gênesis 42:6–9; 43:26–28; 44:14; 47:31; 50:18
  • Rashi sobre Gênesis 37:10
  • Talmude Babilônico, Berakhot 55a

As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.