Mitos gregos · Pessoas

Qual a diferença entre Titãs e deuses do Olimpo?

A resposta curta

Geração e lado. Os Titãs são os doze filhos da Terra e do Céu, liderados por Cronos. Os deuses do Olimpo são, em geral, a geração seguinte: os filhos de Cronos e Reia, com Zeus à frente, mais os filhos do próprio Zeus. Todos são deuses. Em Hesíodo, eles travam uma guerra de dez anos, e o Olimpo vence.

Revisado em

Pais e filhos

Na Teogonia de Hesíodo, a Terra e o Céu têm doze Titãs, seis filhos e seis filhas: Oceano, Ceos, Crio, Hiperião, Jápeto, Teia, Reia, Têmis, Mnemósine, Febe, Tétis (não a mãe de Aquiles) e, o caçula de todos, Cronos (Teogonia 133–138). Hesíodo conta que o pai lhes deu o nome por desprezo: chamou-os de Titãs, palavra que ele liga a um verbo grego que quer dizer esticar-se, porque foram longe demais (207–210).

Os deuses do Olimpo devem o nome à morada, o monte Olimpo. Os primeiros são os seis filhos de Cronos e Reia: Héstia, Deméter, Hera, Hades, Poseidon e Zeus. O pai engoliu cinco deles assim que nasceram, até Zeus obrigá-lo a devolvê-los (a história completa). Os outros são quase todos da geração seguinte: filhos de Zeus, como Atena, Apolo, Ártemis, Hermes e Ares, e Hefesto, filho de Hera. Mais tarde os gregos falavam nos Doze Deuses, mas as listas variam, e Hades, que mora embaixo da terra, costuma ficar de fora.

Ou seja, não é uma luta de deuses contra monstros. Hesíodo chama os dois lados de deuses. O que os separa é a geração, e o lado que cada um tomou numa guerra.

Prometeu era um Titã?

A rigor, era filho de Titã. O pai dele, Jápeto, é um dos doze, e Hesíodo dá a Jápeto quatro filhos: Atlas, Menécio, Prometeu e Epimeteu (Teogonia 507–514). Isso faz de Prometeu primo de Zeus. Poetas posteriores o chamam simplesmente de Titã, e em Prometeu acorrentado o coro cita Atlas como outro deus Titã acorrentado, como ele. Outros filhos de Titãs entraram na nova ordem. Leto, filha de Ceos e Febe, foi a mãe de Apolo e Ártemis (Teogonia 404–408). Na segunda geração, as duas famílias se misturam.

Dez anos de guerra

A Titanomaquia, a guerra dos Titãs, opõe o Olimpo ao monte Ótris, dos dois lados da planície da Tessália. Segundo Hesíodo, ela durou dez anos inteiros, equilibrada, sem fim à vista (Teogonia 629–638). A Terra mostra a Zeus a saída: libertar os que ainda estavam presos debaixo da terra. Os Ciclopes de um olho só forjam o raio dele. Os Cem-Mãos, Coto, Briareu e Giges, atiram rochedos. Então Zeus não se contém mais:

O mar sem fim ressoou terrível ao redor, e a terra estrondou alto: o vasto céu tremeu e gemeu, e o alto Olimpo cambaleou desde os alicerces sob o ataque dos deuses imortais

Hesíodo, Teogonia 678–681

Os Titãs vencidos descem ao Tártaro, atrás de portões de bronze, com os Cem-Mãos de guarda. Em Ésquilo, Prometeu conta que passou para o lado de Zeus depois que os Titãs desprezaram o conselho dele de vencer pela astúcia, e não pela força (Prometeu acorrentado 204–221).

A divisão do mundo

Vencida a guerra, os três irmãos tiraram a sorte. Homero deixa o próprio Poseidon contar:

Quando tiramos a sorte, coube a mim morar para sempre no mar; Hades ficou com as trevas dos reinos debaixo da terra, e o ar, o céu e as nuvens foram a parte que coube a Zeus; mas a terra e o grande Olimpo são de todos.

Homero, Ilíada 15.190–193

Nem todo Titã foi castigado. Têmis e Mnemósine se tornaram esposas de Zeus e mães das Estações e das Musas (Teogonia 901–917). Os antigos deuses continuam vivos dentro da nova ordem, e na nossa língua também: titânico ainda quer dizer gigantesco, e olímpico, calmo e distante, como quem olha tudo de cima. Os Jogos Olímpicos, porém, levam o nome de Olímpia, um santuário de Zeus no oeste do Peloponeso, e não do monte. Os romanos também rebatizaram os vencedores: Júpiter, Juno e os outros.

Fontes

  • Hesíodo, Teogonia 133–210, 404–408, 507–520, 617–735 e 901–917
  • Homero, Ilíada 15.187–193
  • Ésquilo, Prometeu acorrentado 199–223
  • Apolodoro, Biblioteca 1.1–1.2