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Qual era o nome da esposa de Noé?

A resposta curta

O Gênesis nunca diz. Ela aparece cinco vezes, sempre apenas como a mulher de Noé. Escritores posteriores preencheram o vazio: o Livro dos Jubileus, de cerca de 160 a.C., a chama de Emzara, e o midrash Gênesis Rabá diz que ela era Naamá, irmã de Tubalcaim. Nenhum dos dois nomes vem da própria Bíblia.

Revisado em

Cinco menções, nenhum nome

A mulher de Noé está na história desde as primeiras instruções. Faz parte da promessa de Deus antes da chuva (Gênesis 6:18), entra na arca com Noé (7:7) e sai ao lado dele para a terra seca (8:16, 18). No dia em que começa o Dilúvio, o narrador a inclui na conta:

Naquele mesmo dia, Noé, e Sem, Cam e Jafé, os filhos de Noé, e a mulher de Noé e as três mulheres de seus filhos com eles, entraram na arca

Gênesis 7:13

Cinco menções, e nunca um nome. As três noras também ficam sem nome. O silêncio chama a atenção porque o Gênesis acabou de nomear três mulheres da família de Caim, Ada, Zilá e Naamá (4:19–22), e porque essas quatro, nos termos da própria história, são as mães de todo mundo que nasce depois do Dilúvio. O Novo Testamento só guarda a conta: “oito almas, foram salvos através da água” (1 Pedro 3:20).

Emzara, nos Jubileus

O nome mais antigo vem do Livro dos Jubileus, uma releitura do Gênesis escrita em hebraico por volta de 160 a.C. e que ainda faz parte da Bíblia da Igreja Ortodoxa Etíope. Ele a chama de Emzara e diz que era da família do próprio Noé (Jubileus 4:33). O Livro de Tobias, da mesma época, concorda nesse ponto: põe Noé entre os antepassados que “tomaram esposas dentre seus parentes” (Tobias 4:12). Um dos Manuscritos do Mar Morto, o Apócrifo do Gênesis, também a chama de Emzara, e os Jubileus dão nome até às três noras. Séculos depois, o historiador muçulmano al-Tabari traz um eco do mesmo nome: Amzurah.

Naamá, no midrash

Gênesis 4 fecha a árvore da família de Caim com meia linha sobre uma mulher que nunca mais aparece.

Zilá também deu à luz Tubalcaim, forjador de todo instrumento cortante de bronze e de ferro. A irmã de Tubalcaim era Naamá.

Gênesis 4:22

Por que citá-la? Um rabino em Gênesis Rabá (23:3) respondeu que ela se tornou a mulher de Noé, e que o nome dela, que quer dizer agradável, combinava com as suas obras. Outros, na mesma passagem, discordaram. Rashi, o grande comentarista medieval, repetiu a identificação ao comentar Gênesis 4:22, e Naamá virou o nome mais conhecido na tradição judaica. Se for isso, uma filha da linhagem de Caim sobreviveu ao Dilúvio. O filme Noé (2014), de Darren Aronofsky, aproveitou o nome, como Naameh, para a personagem de Jennifer Connelly.

Uma multidão de outros nomes

  • Haykêl, na Caverna dos Tesouros, obra siríaca da Antiguidade tardia.
  • Barthenos, no Panarion de Epifânio, por volta de 375 d.C.
  • Norea, em escritos gnósticos descritos por Epifânio.
  • Nemzar ou Noyemzar, na tradição armênia.
  • Percoba, num poema em inglês antigo sobre o Gênesis.

O Alcorão segue outro caminho. Não dá nome a ninguém, mas apresenta a mulher de Noé, junto com a mulher de Ló, como exemplo de descrença (66:10), e alguns comentaristas muçulmanos disseram que ela morreu afogada no Dilúvio.

A mulher que não queria embarcar

A Inglaterra medieval lhe deu personalidade em vez de nome. Nos autos encenados pelas corporações de ofício em Chester e Wakefield, a mulher de Noé se recusa a entrar na arca. Prefere ficar em terra com as amigas, resiste até o último instante e só embarca arrastada, deixando Noé provar do seu gênio. O público adorava a cena. É o contrário do Gênesis, onde ela não diz uma palavra e faz exatamente o que os outros fazem: entra, espera um ano e sai para um mundo novo.

Fontes

  • Gênesis 4:19–22; 6:18; 7:7, 13; 8:16–18
  • 1 Pedro 3:20; Tobias 4:12
  • Livro dos Jubileus 4:33; Apócrifo do Gênesis (1QapGen)
  • Gênesis Rabá 23:3; Rashi sobre Gênesis 4:22
  • Alcorão 66:10
  • Autos medievais de Chester e Wakefield sobre o Dilúvio (Inglaterra)

As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.