História do Brasil · Números

Quantas pessoas morreram na Guerra do Paraguai?

A resposta curta

Do lado brasileiro, cerca de 50 mil, a maioria vítima de doenças como a cólera, segundo o historiador Francisco Doratioto. Para o Paraguai, as estimativas variam muito: de 7% a 18,5% da população (Vera Reber), cerca de metade (Jan Kleinpenning) ou de 60% a 69% (Thomas Whigham e Barbara Potthast). Em qualquer conta, uma catástrofe.

Revisado em

Os mortos brasileiros

Para o Brasil, a conta mais citada é a de Francisco Doratioto, autor de Maldita guerra, história do conflito publicada em 2002: cerca de 50 mil mortos. A maioria não caiu em combate. Morreu de doenças, a cólera à frente, nos acampamentos lotados e alagadiços do sul do Paraguai. Argentina e Uruguai, os aliados do Brasil, também perderam milhares de homens.

Para ter uma ideia da proporção: no começo da guerra, o exército imperial inteiro tinha cerca de 18 mil homens. Só os mortos somaram quase o triplo disso. Para repor as perdas, o Império precisou de voluntários, de recrutas à força e de pelo menos 6 mil escravizados libertados para lutar. A guerra que devia durar poucos meses durou mais de cinco anos, e cada ano engordou a conta.

Os mortos paraguaios: três contas

Para o Paraguai, a pergunta é mais difícil, e os historiadores discordam muito. Em porcentagem da população de antes da guerra:

  • Vera Blinn Reber (1988): de 7% a 18,5%.
  • Jan Kleinpenning (2002): cerca de metade.
  • Thomas Whigham e Barbara Potthast (1999): de 60% a 69%.

Mesmo a menor estimativa é um desastre para um país pequeno. A maior chega perto de sete em cada dez. Por isso ela é lembrada como a guerra mais sangrenta da história da América do Sul.

Por que os números variam tanto

Parte da diferença está no ponto de partida: os historiadores não concordam sobre quantas pessoas viviam no Paraguai em 1864. Outra parte está nos próprios mortos. Soldados, civis, refugiados e vítimas da fome e das epidemias quase nunca foram contados em separado. Whigham e Potthast montaram a estimativa deles a partir de um censo feito logo depois da guerra; três anos mais tarde, Kleinpenning contestou a leitura deles, e o debate continuou.

Números redondos que circulam por aí, sem fonte, pulam essa discussão. A resposta honesta é uma faixa, com o nome de quem fez a conta.

Meninos na guerra

No fim, o Paraguai lutava com velhos e meninos. Já em Tuiuti, em 24 de maio de 1866, milhares de paraguaios morreram em poucas horas. Em Acosta Ñu, em 16 de agosto de 1869, crianças enfrentaram a cavalaria brasileira. A data é hoje o Dia da Criança no Paraguai. Em 1º de março de 1870, Francisco Solano López foi morto em Cerro Corá, e a guerra acabou.

Como ela começou, e por que só podia terminar com a morte de López, está em O que foi a Guerra do Paraguai?. O que a vitória fez com o exército, e com o trono, está em Por que a monarquia caiu no Brasil?

Fontes

  • Francisco Doratioto, Maldita guerra: nova história da Guerra do Paraguai (2002)
  • Vera Blinn Reber, Hispanic American Historical Review (1988)
  • Thomas L. Whigham e Barbara Potthast, Latin American Research Review (1999)
  • Jan M. G. Kleinpenning, Latin American Research Review (2002)