Roma Antiga · Números

Quantas pessoas viviam no Império Romano?

A resposta curta

Cerca de 60 milhões no auge, no século II d.C., pela maioria das estimativas modernas, e talvez até 75 milhões pouco antes da grande peste de 165. Nenhuma contagem de todo mundo sobreviveu. Os historiadores partem do censo de cidadãos de Augusto, das declarações em papiro do Egito e da densidade de cada região.

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A melhor estimativa

Nenhum romano contou todo mundo no império, então todo total é uma estimativa moderna. A clássica é do historiador alemão Karl Julius Beloch, que em 1886 calculou a população na morte de Augusto, em 14 d.C., em cerca de 54 milhões. Hoje a maioria dos historiadores chega perto disso: uns 60 milhões quando o império de Trajano estava no auge, em 117 d.C., e talvez 70 a 75 milhões no pico, antes da peste de 165. Era algo entre um sexto e um quarto da humanidade.

O que Roma contava

Roma contava, sim, os seus cidadãos. De tempos em tempos, os censores registravam cada cidadão e os seus bens, para distribuir votos, impostos e serviço militar. A palavra censo vem daí. Augusto lista três dessas contagens no relato que deixou do próprio governo, as Res Gestae:

  • 28 a.C.: 4.063.000 cidadãos romanos.
  • 8 a.C.: 4.233.000.
  • 14 d.C.: 4.937.000.

Esses números são só de cidadãos, numa época em que a maioria dos habitantes das províncias não era cidadã. E os historiadores discutem quem entra na conta: todo mundo, mulheres e crianças incluídas, ou só os homens adultos, como nas contagens mais antigas. A resposta muda a população da Itália em milhões. Cidadão e súdito só passaram a ser quase a mesma coisa em 212 d.C., quando Caracala fez de quase toda pessoa livre um cidadão.

As províncias também entravam na conta

As províncias também eram recenseadas, por causa dos impostos. É com um desses recenseamentos que Lucas data o nascimento de Jesus:

Naqueles dias, saiu um decreto da parte de César Augusto para que todo o mundo fosse recenseado. Este foi o primeiro recenseamento feito quando Quirino era governador da Síria. Todos iam recensear-se, cada um à sua própria cidade.

Lucas 2:1–3

Os historiadores não conhecem nenhum censo do império inteiro sob Augusto, e Flávio Josefo põe o censo de Quirino na Judeia em 6 d.C., um quebra-cabeça para o ano do nascimento de Jesus. Mas as contagens locais existiram. No Egito, cada casa entregava uma declaração a cada catorze anos, e umas trezentas sobreviveram em papiro. Com elas, os estudiosos reconstruíram as idades e as famílias de uma província inteira. Lá, a expectativa de vida ao nascer ficava em torno de 22 a 25 anos, sobretudo porque muitos bebês morriam.

Onde viviam

Roma era o gigante: uma cidade de talvez um milhão de pessoas, tamanho que nenhuma cidade europeia voltaria a ter antes do século XIX. Alimentá-la exigia frotas de trigo do Egito e do norte da África, trigo de graça para uns 200 mil cidadãos e, com o tempo, onze aquedutos. Alexandria talvez tivesse meio milhão. Ainda assim, a maioria dos romanos nunca morou numa cidade. Os arqueólogos identificaram cerca de 1.400 cidades romanas, a maioria com uns 5.000 habitantes, e pelo menos três em cada quatro pessoas viviam no campo.

O único rival em tamanho ficava do outro lado da Ásia. A China da dinastia Han fez um censo em 2 d.C. e registrou 57.671.400 pessoas em 12.366.470 domicílios. Os dois impérios, que se conheciam só de boato e pela seda, tinham mais ou menos o mesmo tamanho.

Fontes

  • Augusto, Res Gestae 8 (os números do censo)
  • Lucas 2:1–5
  • Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas 18.1–2 (o censo de Quirino, 6 d.C.)
  • Livro de Han (o censo de 2 d.C.)
  • Karl Julius Beloch, Die Bevölkerung der griechisch-römischen Welt (1886)
  • Roger S. Bagnall e Bruce W. Frier, The Demography of Roman Egypt (1994)
  • Kyle Harper, The Fate of Rome (2017)