Roma Antiga · Números

Quantos habitantes tinha a Roma Antiga?

A resposta curta

Cerca de um milhão de pessoas no auge da cidade, do reinado de Augusto ao século II d.C. Essa é a estimativa padrão; alguns estudiosos falam em cerca da metade. Nenhuma contagem da cidade inteira sobreviveu. Os historiadores partem das listas de homens que recebiam trigo de graça, dos registros de prédios e da área da cidade.

Revisado em

Os homens da lista do trigo

Roma nunca contou todo mundo que vivia dentro dos seus muros, mas contava os homens que alimentava. Augusto enumera as suas distribuições no relato do próprio reinado que deixou ao morrer. Em 5 a.C., um presente em dinheiro chegou a 320 mil homens da plebe da cidade. Em 2 a.C., ele deu dinheiro a todos que estavam então na lista do trigo gratuito, pouco mais de 200 mil homens (Res Gestae 15). Antes dele, Júlio César tinha cortado essa lista de 320 mil nomes para 150 mil, segundo Suetônio (Júlio 41).

Eram cidadãos homens e adultos. Somando as esposas e os filhos, os escravos que faziam boa parte do trabalho da cidade, os estrangeiros de todas as províncias e os soldados da guarda, o total fica em torno de um milhão. O elo mais fraco é o número de escravos, que nenhuma fonte informa.

Onde um milhão de pessoas dormia

Roma não tinha subúrbios espalhados. Quando Aureliano cercou a cidade de muralhas, entre 271 e 275, elas tinham 19 quilômetros e fechavam uns 13,7 quilômetros quadrados, uma área que caberia mais de vinte vezes dentro de Belo Horizonte. A maioria dos romanos morava em insulae, prédios de tijolo, concreto e madeira, com lojas abertas para a rua e quartos menores e mais baratos quanto mais alto se subia. Estrabão conta que Augusto limitou os prédios novos nas vias públicas a 70 pés, uns 21 metros (Geografia 5.3.7). Dois guias do século IV sobre os catorze bairros da cidade contam 46.602 insulae e só 1.790 casas particulares, as domus.

O poeta Juvenal reclama de tudo: prédios que desabam, incêndios à noite, carroças que não deixam ninguém dormir. Augusto deu à cidade os primeiros bombeiros, sete coortes de vigias chamados vigiles, em 6 d.C. Um desses prédios ainda está de pé ao pé do monte Capitólio, a Insula dell’Ara Coeli, com os andares de cima visíveis da rua.

Como alimentar a cidade

Uma cidade desse tamanho comia muito mais do que a Itália conseguia plantar. Josefo põe na boca de um rei que a África alimentava Roma oito meses por ano, e o Egito, quatro (Guerra Judaica 2.383–386). Os navios de trigo descarregavam em Óstia e em Porto, os novos portos que Cláudio e Trajano escavaram ao lado, e barcaças levavam a carga rio Tibre acima.

O azeite vinha em jarros de barro, a maioria do sul da Hispânia. Vazios e quebrados, eles eram empilhados perto do cais do rio, até formar o Monte Testácio, um morro de cacos de 35 metros de altura feito de cerca de 53 milhões de ânforas. Ele continua lá, no meio de Roma, um monumento ao apetite da cidade.

Até que ponto dá para ter certeza?

O milhão é uma convenção, uma estimativa bem fundamentada e não uma contagem, e muitos historiadores acham que o número real era pelo menos esse. Uma minoria, calculando quantas pessoas cabiam naquele espaço, defende meio milhão ou menos. Dificilmente uma fonte nova vai resolver a questão.

O certo é o que veio depois. Guerras, pestes e a perda do trigo da África esvaziaram a cidade. Em 537, os godos que sitiavam Roma cortaram os aquedutos (Procópio, Guerra Gótica 5.19). Roma só voltaria a ter um milhão de habitantes no século XX. Para o império inteiro, veja quantas pessoas viviam no Império Romano.

Fontes

  • Augusto, Res Gestae 15
  • Suetônio, Vida de Júlio César 41
  • Estrabão, Geografia 5.3.7
  • Juvenal, Sátiras 3
  • Flávio Josefo, Guerra Judaica 2.383–386
  • Procópio, Guerra Gótica 5.19
  • Curiosum e Notitia, os catálogos regionais de Roma (século IV)
  • Neville Morley, Metropolis and Hinterland (1996)