A resposta curta
Cerca de três anos e meio. 1 Reis 18:1 diz que a palavra para acabar com a seca veio “no terceiro ano”, mas Jesus, em Lucas 4:25, e a Carta de Tiago falam em “três anos e seis meses”. Elias anunciou a seca ao rei Acabe, e ela acabou depois do desafio no monte Carmelo.
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Uma frase só
Elias aparece na Bíblia diante do rei Acabe, que tinha construído um templo a Baal em Samaria, a capital (1 Reis 16:32), e diz uma frase só.
Tão certo como vive o SENHOR, o Deus de Israel, perante quem estou, não haverá orvalho nem chuva nestes anos, senão segundo a minha palavra.
Repare no orvalho. Em Israel, a chuva cai só nos meses mais frescos, mais ou menos de outubro a abril. No verão comprido e seco, é o sereno da noite que mantém vivos a lavoura e o pasto. Elias corta os dois, e sem dar prazo: “nestes anos”, até ele dizer o contrário.
E por que chuva? Porque Baal era o deus da tempestade, o que trazia a chuva (quem era Baal). Uma seca em nome do Senhor atinge Baal justamente onde ele deveria ser forte. E cumpre um aviso antigo: se Israel servisse a outros deuses, a ira do Senhor se acenderia e ele fecharia o céu (Deuteronômio 11:16–17). Na inauguração do Templo, Salomão já tinha orado pelo dia “quando o céu se fechar e não houver chuva por terem pecado” (1 Reis 8:35).
Três anos ou três e meio?
O livro de Reis marca o fim assim: “Depois de muitos dias, a palavra do SENHOR veio a Elias, no terceiro ano” (1 Reis 18:1). O Novo Testamento, duas vezes, dá um número maior.
Elias era um homem com uma natureza semelhante à nossa, e orou fervorosamente para que não chovesse, e não choveu sobre a terra por três anos e seis meses.
Jesus diz o mesmo na sinagoga de Nazaré: “o céu se fechou por três anos e seis meses” (Lucas 4:25). Os leitores encontraram três jeitos de casar as contas.
- Outro ponto de partida. “O terceiro ano” pode contar a partir da chegada de Elias a Sarepta, depois de um tempo que o texto não informa junto ao ribeiro de Querite (1 Reis 17:7–9).
- As estações. Se Elias falou no começo do verão, seis meses sem chuva eram normais. Somando três estações chuvosas perdidas, a seca chega a três anos e meio.
- Um número com sentido. Três anos e meio, ou quarenta e dois meses, ou 1.260 dias, é a medida bíblica de um tempo de provação: “um tempo, tempos e metade de um tempo”, em Daniel 7:25. No Apocalipse, duas testemunhas têm “autoridade para fechar o céu” por 1.260 dias (Apocalipse 11:3–6), um eco claro de Elias.
A vida nos anos secos
No terceiro ano, “a fome era severa em Samaria” (18:2). Acabe e o administrador do palácio, Obadias, dividem o país e percorrem todas as fontes e riachos atrás de capim para salvar os cavalos e as mulas (18:5). Enquanto isso, o profeta vive do que os corvos e uma viúva lhe dão.
O historiador Flávio Josefo, no século I, traz uma testemunha de fora. Ele conta que o historiador fenício Menandro registrou uma seca de um ano inteiro no reinado de Etbaal, rei de Tiro e pai de Jezabel, e a identifica com esta (Antiguidades Judaicas 8.324).
Como a chuva voltou
A chuva só vem depois de um confronto. No monte Carmelo, os profetas de Baal clamam o dia inteiro; Elias ora uma vez, e o fogo cai. Depois ele sobe ao topo, se curva com o rosto entre os joelhos e manda o servo olhar para o mar, sete vezes. Na sétima: “Eis que uma pequena nuvem, do tamanho da mão de um homem, está subindo do mar” (18:44). O céu escurece, cai uma grande chuva, e Elias prende a capa no cinto e corre à frente da carruagem de Acabe até Jezreel. Tiago resume em uma linha: “Ele orou novamente, e o céu deu chuva” (Tiago 5:18).
Reis não dá o ano, só o rei. Acabe reinou vinte e dois anos, por volta de 874 a 853 a.C., e os anos secos cabem em algum ponto desse período.
Fontes
- 1 Reis 16:29–18:46
- Deuteronômio 11:16–17; 1 Reis 8:35–36
- Lucas 4:25; Tiago 5:17–18; Daniel 7:25; Apocalipse 11:3–6
- Flávio Josefo, Antiguidades Judaicas 8.324 (citando Menandro de Éfeso)
As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.