A resposta curta
Elias foi um profeta do reino do norte, Israel, no século IX a.C., natural de Tisbé, em Gileade. Nos livros dos Reis, ele enfrenta o rei Acabe, a rainha Jezabel e o deus Baal, anuncia uma seca, vence os profetas de Baal no monte Carmelo, ouve Deus numa voz mansa e delicada e é levado ao céu num redemoinho.
Revisado em
Um homem da fronteira
Elias, o tesbita, que era um dos moradores de Gileade, disse a Acabe: “Tão certo como vive o SENHOR, o Deus de Israel, perante quem estou, não haverá orvalho nem chuva nestes anos, senão segundo a minha palavra.”
É assim que Elias entra na Bíblia: sem pai, sem infância, sem cena de chamado. Só um homem de Gileade, a região montanhosa e áspera a leste do Jordão, com uma frase para o rei. Ninguém sabe ao certo onde ficava Tisbé; a tradição cristã a coloca perto de Listib, no norte da Jordânia, onde as ruínas de uma igreja bizantina levam o nome dele, Mar Elias. Mais tarde, os homens do rei o descrevem numa linha: “um homem peludo, e usava um cinto de couro na cintura” (2 Reis 1:8).
O tempo dele é o reinado de Acabe, mais ou menos de 874 a 853 a.C., um rei forte, cujos 2.000 carros de guerra aparecem nos registros da Assíria, e da rainha fenícia, Jezabel, que levou o culto de Baal para a capital, Samaria.
O que ele fez
- A seca. Ele a anuncia, se esconde junto ao ribeiro de Querite, onde os corvos o alimentam, e depois se hospeda com uma viúva de Sarepta, perto de Sidom, cuja farinha e cujo azeite não acabam e cujo filho ele traz de volta à vida (1 Reis 17).
- O monte Carmelo. No terceiro ano, desafia 450 profetas de Baal para uma prova de fogo. O deus deles não responde; o fogo cai sobre o altar encharcado de Elias, e depois vem a chuva (1 Reis 18).
- A fuga. Jezabel jura matá-lo, e ele corre para o sul, até Horebe (por que ele fugiu).
- Eliseu. Ele lança o manto sobre o futuro sucessor, um lavrador que arava com doze juntas de bois (19:19–21).
- A vinha de Nabote. Quando Jezabel manda matar Nabote para tomar a terra dele, Elias encontra Acabe na vinha: “Você me encontrou, meu inimigo?” “Eu o encontrei” (21:20).
- Fogo sobre os capitães. Quando Acazias, filho de Acabe, manda consultar Baal-Zebube, o deus de Ecrom, Elias devolve uma sentença de morte, e cai fogo sobre duas tropas de cinquenta enviadas para buscá-lo (2 Reis 1).
- O redemoinho. Ele abre o Jordão com o manto, uma carruagem de fogo o separa de Eliseu, e um redemoinho o leva para o alto (Elias morreu?).
Um novo Moisés, com fogo
Elias não escreveu livro. Ao contrário de Isaías ou Jeremias, ele vive só nas histórias, e as histórias ecoam Moisés o tempo todo: quarenta dias até o monte de Deus, uma caverna no Horebe, águas abertas para a travessia. A marca dele é o fogo, no Carmelo, sobre os soldados, na carruagem. Nem todo leitor fica à vontade com isso. Quando Tiago e João querem mandar descer fogo sobre uma aldeia samaritana “assim como Elias fez”, Jesus os repreende (Lucas 9:54–55). A carta de Tiago prefere um retrato mais humilde.
Elias era um homem com uma natureza semelhante à nossa, e orou fervorosamente para que não chovesse, e não choveu sobre a terra por três anos e seis meses.
Ainda esperado
Como nunca morreu, Elias passou a ser esperado de volta. Os Evangelhos vestem João Batista como ele, com pelos de camelo e cinto de couro (Marcos 1:6), e dizem que João iria “no espírito e poder de Elias” (Lucas 1:17). Havia quem pensasse que Jesus era Elias (Mateus 16:14). As famílias judias servem uma taça para ele na Páscoa e cantam para ele no fim do sábado. O Alcorão inclui Ilyas entre os profetas justos (6:85; 37:123), as igrejas do Oriente celebram a festa dele em 20 de julho, e a ordem dos carmelitas tira o nome do monte Carmelo.
Fontes
- 1 Reis 16:29–19:21; 21:17–29
- 2 Reis 1:1–2:15
- Lucas 1:17; 9:54–55; Marcos 1:6; Mateus 16:14; Tiago 5:17–18
- Alcorão 6:85; 37:123–132
As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.