A Bíblia · Fatos

Por que Elias fugiu de Jezabel?

A resposta curta

Porque Jezabel jurou matá-lo em um dia. Depois que Elias venceu os profetas de Baal no monte Carmelo e mandou matá-los, ela avisou que até o dia seguinte ele estaria tão morto quanto eles. Elias fugiu uns 160 quilômetros até Berseba, andou mais um dia deserto adentro, sentou-se debaixo de um zimbro e pediu a Deus para morrer.

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A ameaça

O monte Carmelo deveria ter encerrado a disputa. O fogo caiu, o povo gritou que o Senhor é Deus, os profetas de Baal foram mortos junto ao riacho de Quisom, e a chuva acabou com três anos de seca. Elias ainda correu na frente da carruagem de Acabe até Jezreel (1 Reis 18:46). Então Acabe chegou em casa e contou tudo à mulher.

Então Jezabel enviou um mensageiro a Elias, dizendo: “Assim me façam os deuses, e muito mais, se eu não tornar a sua vida como a vida de um deles até amanhã a esta hora!”

1 Reis 19:2

É um juramento solene, feito em nome dos deuses dela. E tem um detalhe curioso: ela manda um mensageiro, não soldados. Uma rainha que quisesse Elias morto podia mandar prendê-lo. Talvez ela o quisesse longe, com a vitória do Carmelo transformada numa fuga à vista de todo o reino. Se era isso, deu certo.

Ele viu ou teve medo?

O versículo seguinte esconde um pequeno enigma. A Bíblia Portuguesa Mundial diz: “Quando ele viu isso, levantou-se e fugiu para salvar a sua vida” (19:3). O hebraico era escrito sem vogais, e as mesmas consoantes podem ser lidas “ele viu” ou “ele teve medo”. As vogais da tradição hebraica dizem viu; a antiga tradução grega e muitas Bíblias modernas dizem que ele teve medo. De um jeito ou de outro, ele correu. O homem que tinha enfrentado sozinho 450 profetas e corrido mais que a carruagem de um rei agora fugia de um recado.

Ele saiu do reino de Acabe, atravessou Judá e chegou a Berseba, no extremo sul, a uns 160 quilômetros de Jezreel. Ali deixou o servo e seguiu sozinho.

Debaixo do zimbro

Mas ele mesmo caminhou um dia de viagem pelo deserto, chegou e sentou-se debaixo de um zimbro. Então pediu para si a morte, e disse: “Já basta. Agora, ó SENHOR, tira a minha vida; pois não sou melhor do que os meus pais.”

1 Reis 19:4

O “zimbro” é o rotem do hebraico, a giesta-branca, um arbusto do deserto de galhos longos e finos que dá a única sombra por quilômetros. A própria Bíblia Portuguesa Mundial chama a planta de giesta em Jó 30:4, onde as raízes dela servem de comida na fome, e a madeira dava as “brasas de zimbro” do Salmo 120:4. Naquela sombra rala, Elias se deita e pede para morrer.

“Não sou melhor do que os meus pais” pode querer dizer que ele esperava vencer onde os profetas antigos falharam, e agora via que nada tinha mudado. O rei era o mesmo, e a rainha estava mais forte.

Comida antes das respostas

Deus não discute com ele. Um anjo o toca: “Levante-se e coma!” Junto à cabeça dele há um pão assado sobre as brasas e um jarro de água. Ele come e volta a dormir. O anjo vem pela segunda vez: “Levante-se e coma, porque a jornada é longa demais para você” (19:5–7). Descanso, comida, mais descanso, e só depois uma pergunta. Com a força daquela comida, ele caminha quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte onde Moisés passou quarenta dias com Deus (Êxodo 34:28). O que ele ouviu lá está em o que significa uma voz mansa e delicada.

Ele não foi o primeiro a pedir

Elias está bem acompanhado. Moisés, esmagado pelas reclamações do povo, disse a Deus: “por favor, mata-me agora mesmo” (Números 11:15). Jonas, irritado porque Nínive foi poupada, disse que era melhor morrer do que viver (Jonas 4:3, 8), e ele também tinha fugido. Jeremias amaldiçoou o dia em que nasceu (Jeremias 20:14). A Bíblia deixa os profetas chegarem ao fundo do poço, e muitos leitores de hoje veem em Elias um esgotamento depois de uma grande vitória. O remédio da história é prático: sono, comida, uma tarefa e companhia. Deus manda Elias ungir reis e um sucessor, Eliseu, e avisa que sete mil em Israel nunca se dobraram a Baal (1 Reis 19:15–18). O profeta que pediu para morrer é justamente o que, no fim, nunca morre.

Fontes

  • 1 Reis 18:40–19:18
  • Êxodo 34:28; Números 11:10–15
  • Jonas 4:1–11; Jeremias 20:14–18
  • Jó 30:4; Salmos 120:4

As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.