A resposta curta
Três provedores, segundo 1 Reis. Na seca, corvos levavam pão e carne a Elias, de manhã e à tarde, no ribeiro de Querite. Quando o ribeiro secou, uma viúva de Sarepta, perto de Sidom, dividiu com ele a última farinha. Depois, fugindo de Jezabel, foi acordado duas vezes por um anjo, com pão e um jarro de água.
Revisado em
Os corvos do ribeiro
Elias entra na história anunciando ao rei Acabe uma seca: nem orvalho nem chuva, a não ser pela palavra dele (1 Reis 17:1). Logo em seguida Deus o manda se esconder junto a um riacho chamado Querite, perto do Jordão, com uma promessa estranha: “Eu ordenei aos corvos que o alimentem ali” (17:4).
Os corvos lhe traziam pão e carne pela manhã, e pão e carne à tarde; e ele bebia do ribeiro.
É o cardápio do Êxodo: “À tarde vocês comerão carne, e pela manhã se fartarão de pão” (Êxodo 16:12). Agora um único fugitivo recebe a mesma comida, duas vezes por dia.
Logo os corvos?
A lei de Moisés põe “qualquer espécie de corvo” na lista das aves impuras, que Israel não podia comer (Levítico 11:15). Corvo come carniça. E, no resto da Bíblia, é justamente a ave que depende de Deus para comer: ele dá alimento “para os filhotes dos corvos quando clamam” (Salmos 147:9), e Jesus manda: “Considerem os corvos” (Lucas 12:24). Aqui, os sustentados por Deus viram os entregadores.
Em hebraico, a palavra para corvos tem as mesmas consoantes da palavra para árabes, e alguns intérpretes imaginaram vizinhos do deserto levando a comida; quase todas as traduções ficam com as aves. De um jeito ou de outro, a ajuda acaba: “Depois de algum tempo, o ribeiro secou, porque não havia chuva na terra” (17:7).
Uma viúva na terra de Jezabel
Então Deus manda Elias para o norte, para “Sarepta, que pertence a Sidom” (17:9), a atual Sarafand, no litoral sul do Líbano. É terra fenícia, a terra natal da rainha Jezabel, onde se adora Baal. Deus diz que ordenou a uma viúva que o sustentasse, mas a mulher que apanha lenha na porta da cidade parece não saber de nada.
Tão certo como vive o SENHOR, o seu Deus, não tenho nada assado, mas apenas um punhado de farinha num pote e um pouco de azeite num jarro. Eis que estou apanhando dois pedaços de lenha, para que eu possa entrar e prepará-lo para mim e para o meu filho, para que o comamos e morramos.
Elias pede que ela faça primeiro um pãozinho para ele e promete: o pote de farinha não vai se acabar, nem o jarro de azeite vai faltar, até a chuva voltar. Ela confia, e “ela, ele e a sua casa comeram por muitos dias” (17:15). Mais tarde o filho dela para de respirar. Elias o leva para o quarto de cima, se estende três vezes sobre o menino e o devolve vivo à mãe (17:17–24). Séculos depois, em Nazaré, Jesus recorda que Elias foi enviado justo a essa estrangeira, e a cidade se volta contra ele (Lucas 4:25–29), a cena por trás de “santo de casa não faz milagre”.
Um anjo debaixo da giesta
A terceira refeição vem depois do monte Carmelo. Jezabel jura matar Elias, e ele foge para o sul, para além de Berseba (por que Elias fugiu). Um dia deserto adentro, ele se deita debaixo de um arbusto, o “zimbro” das traduções, na verdade uma giesta do deserto, e pede para morrer. Um anjo o toca: “Levante-se e coma!” À cabeceira há um pão assado sobre as brasas e um jarro de água.
O anjo do SENHOR veio novamente pela segunda vez, tocou-o e disse: “Levante-se e coma, porque a jornada é longa demais para você.”
Com a força daquela comida, ele caminha “quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o Monte de Deus” (19:8), o tempo que Moisés ficou naquele monte sem pão nem água (Êxodo 34:28).
Não confunda
Uma quarta refeição da mesma história costuma entrar na conta por engano. Enquanto Jezabel matava os profetas do Senhor, Obadias, o administrador do palácio de Acabe, escondeu cem deles em cavernas, cinquenta em cada uma, e “os sustentou com pão e água” (1 Reis 18:4). Elias não estava entre eles. O homem que fechou o céu viveu do que outros lhe traziam: aves, uma estrangeira faminta e um anjo.
Fontes
- 1 Reis 17:1–24; 18:4; 19:1–8
- Êxodo 16:12; 34:28; Levítico 11:15
- Salmos 147:9; Lucas 4:25–30; 12:24
As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.