Roma Antiga · Números

Quanto tempo durou o Império Romano?

A resposta curta

Cerca de 500 anos no Ocidente, de Augusto, em 27 a.C., ao último imperador ocidental, em 476 d.C., e quase 1.500 anos no Oriente, que durou até os otomanos tomarem Constantinopla, em 1453. Somando os reis e a República desde a fundação lendária, em 753 a.C., Roma governou por uns 2.200 anos.

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Depende do que você conta

Roma teve um reino, uma república e um império, e o império acabou duas vezes. Aqui estão as datas de sempre e a conta. Antes, uma armadilha: não existe ano zero. Depois de 1 a.C. vem direto 1 d.C., então somar os anos a.C. e d.C. conta um ano a mais.

  1. O reino, 753 a 509 a.C. Sete reis, segundo a tradição, em 244 anos. A data da fundação é lenda, mas os arqueólogos acharam cabanas no Palatino por volta do século VIII a.C.
  2. A República, 509 a 27 a.C. Cônsules eleitos todo ano no lugar dos reis, por uns 480 anos.
  3. O império unido, 27 a.C. a 395 d.C. De Augusto à morte de Teodósio, uns 420 anos.
  4. O império do Ocidente, 395 a 476. Mais 81 anos, até o último imperador da Itália ser aposentado.
  5. O império do Oriente, 395 a 1453. Mais de mil anos, governado de Constantinopla.

Somando, dá uns 500 anos de império no Ocidente, quase 1.500 no Oriente e 1.228 anos de Rômulo a Rômulo Augústulo, o último imperador do Ocidente. De 753 a.C. a 1453 são 2.205 anos.

Por que 27 a.C.?

O primeiro imperador de Roma nunca foi coroado. A mudança veio disfarçada do seu contrário. Em janeiro de 27 a.C., Otaviano devolveu os seus poderes ao Senado, e o Senado lhe deu um nome novo.

Transferi a república do meu próprio controle para o arbítrio do Senado e do povo romano. Por esse serviço, recebi o título de Augusto por decreto do Senado …

Augusto, Res Gestae 34

Os historiadores começam o império aí porque Augusto ficou com as legiões e o tesouro até morrer e os passou ao herdeiro. Há quem prefira 31 a.C., a batalha de Ácio, quando caiu o último rival. O caminho da República até o imperador levou um século.

Por que 476, e por que não é o fim

Em 4 de setembro de 476, o general Odoacro aposentou o menino imperador Rômulo Augústulo e mandou as insígnias imperiais para Constantinopla. Ninguém tomou Roma de assalto. Foram escritores posteriores, como Marcelino Comes, por volta de 518, que fizeram de 476 a grande virada. Por que o Ocidente caiu é outra longa história.

A metade oriental simplesmente seguiu em frente, com as mesmas leis e o mesmo título, a partir da capital que Constantino tinha inaugurado em 330. O seu povo se dizia romano, e é por isso que os historiadores discutem o nome bizantino. O fim veio em 29 de maio de 1453, quando o sultão otomano Maomé II rompeu as muralhas de Constantinopla.

Contando como os romanos

Os romanos davam a cada ano o nome dos seus dois cônsules. Os estudiosos também contavam os anos “desde a fundação da cidade”, ab urbe condita, e no século I a.C. o erudito Varrão fixou essa fundação em 753 a.C. Por essa conta, o ano 1 d.C. era o 754. Em abril de 248, o imperador Filipe, o Árabe, comemorou os mil anos de Roma com jogos que Eutrópio descreve como de enorme magnificência.

E o nome sobreviveu a todos os Estados romanos. Um império grego em Trebizonda, no mar Negro, resistiu até 1461. No Ocidente, o papa Leão III coroou Carlos Magno imperador dos romanos em 800, e o Sacro Império Romano-Germânico, nascido desse título, durou até 1806. O próprio Maomé II passou a se chamar César de Roma.

Fontes

  • Tito Lívio, História de Roma 1 e 2.1 (os reis e 509 a.C.)
  • Augusto, Res Gestae 34
  • Anônimo Valesiano 8.37–38; Marcelino Comes, Crônica, ano 476
  • Eutrópio, Breviário 9.3 (os mil anos de Roma)
  • Critóbulo de Imbros, História de Maomé, o Conquistador (1453)