Mitos gregos · Números

Quanto tempo Odisseu levou para voltar para casa?

A resposta curta

Dez anos. Odisseu lutou dez anos em Troia e levou mais dez para voltar: só chegou a Ítaca no vigésimo ano depois da partida. A maior parte da viagem foi espera: sete anos na ilha de Calipso, um ano com Circe, um mês com Éolo e outro mês preso por ventos contrários na ilha do Sol.

Revisado em

Dez anos, e mais dez

A Odisseia tem dois relógios. O primeiro é o da guerra: Hermes conta a Calipso que Odisseu lutou nove anos ao redor de Troia e partiu no décimo, depois da queda da cidade (Odisseia 5.105–107). O segundo é o da volta, que leva mais uma década. Quando enfim se revela ao filho, Odisseu junta as duas contas.

Do jeito que você me vê, sou eu mesmo, que depois de muito vagar e muito sofrer cheguei à minha terra no vigésimo ano.

Homero, Odisseia 16.204–206

O adivinho Haliterses tinha previsto isso quando a frota partiu de Ítaca: Odisseu perderia todos os companheiros e voltaria no vigésimo ano, sem que ninguém o reconhecesse (2.174–176).

Para onde foram os dez anos

Quando se somam as paradas que Odisseu conta aos feácios, as longas esperas saltam aos olhos. Na ordem:

  1. Ísmaro. Um saque à cidade dos cícones que custa seis homens de cada navio.
  2. Os lotófagos. Nove dias à deriva depois do cabo Maleia, com desembarque no décimo (9.82–84).
  3. O ciclope. Duas noites presos na caverna de Polifemo.
  4. Éolo. Um mês inteiro como hóspede do rei dos ventos (10.14), e depois nove dias de navegação até avistar Ítaca (10.28–30).
  5. Os lestrigões. Seis dias e seis noites de remo até chegar lá (10.80–81).
  6. Circe. Um ano inteiro de banquetes, até a tripulação pedir para voltar (10.467–474).
  7. A ilha do Sol. Um mês de vento sul prende o navio na praia (12.325–326).
  8. À deriva. Nove dias agarrado aos destroços, até Ogígia (12.447–448).
  9. Calipso. Sete anos, até ela deixá-lo partir no oitavo (7.259–261).
  10. A jangada. Quatro dias para construí-la, dezessete no mar, o naufrágio no décimo oitavo e dois dias e duas noites na água (5.262–263, 5.278–280, 5.388–390).

Só as temporadas que Homero mede somam mais de oito anos: sete com Calipso, um com Circe e dois meses entre Éolo e a ilha do Sol. Semanas de remo e tempestade completam o resto. O maior bloco, de longe, é a ilha de Calipso, assunto da página quem foi Calipso.

Um poema curto sobre um tempo longo

Homero não conta esses anos em ordem. O poema começa no décimo ano, com Odisseu já há sete em Ogígia, e a ação dele cobre só umas seis semanas. As aventuras anteriores chegam como uma história contada depois do jantar. A página sobre o que é a Odisseia explica como essa moldura funciona.

Vinte anos em casa

Em Ítaca, o relógio marca vinte. Penélope esperou desde a partida e, durante três desses anos, segurou os pretendentes com uma mortalha que tecia de dia e desmanchava à noite (por que ela desfazia o tecido). Telêmaco, bebê quando o pai partiu, já é um homem. A mãe de Odisseu morreu de saudade. E Argos, o cão de caça que ele criou antes da guerra, o reconhece depois de vinte anos e morre, a cena contada em quem foi Argos.

O grego tem palavras para essa dor que dura anos: nostos, a volta para casa, e algos, dor. Em 1688, um estudante de medicina suíço, Johannes Hofer, juntou as duas para descrever a saudade de casa como doença: nostalgia. O português, que já tinha saudade, ganhou outro nome para a mesma dor.

Fontes

  • Homero, Odisseia 2.174–176; 5.105–107; 7.259–261; 9–12; 16.204–206; 17.290–327
  • Johannes Hofer, Dissertatio medica de nostalgia (Basileia, 1688)