Mitos gregos · Textos

Sobre o que é a Odisseia?

A resposta curta

A Odisseia é o poema de Homero sobre a volta para casa. Depois da Guerra de Troia, Odisseu, rei de Ítaca, leva dez anos para voltar e perde todos os navios e homens, enquanto a esposa, Penélope, segura uma casa cheia de pretendentes e o filho, Telêmaco, cresce. Começa perto do fim e conta as aventuras em flashback.

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A história em resumo

A Odisseia é uma das duas grandes epopeias gregas atribuídas a Homero: cerca de 12 mil versos em 24 cantos, provavelmente compostos entre o fim do século VIII e o século VII a.C., a partir de uma longa tradição de poesia oral. Quem foi Homero, e se o mesmo poeta fez os dois poemas, ainda é discutido. O assunto vem logo no primeiro verso.

Fale-me, ó Musa, daquele herói engenhoso que viajou por toda parte depois de saquear a famosa cidade de Troia.

Homero, Odisseia 1.1–2

“Engenhoso” traduz polytropos, o homem de muitas voltas. A arma do herói é a cabeça, e o objetivo dele é a coisa mais comum do mundo: voltar para casa. A Odisseia não é uma continuação no sentido moderno, mas começa onde a história de Troia para. A Ilíada termina com o funeral de Heitor, antes da queda da cidade; a Odisseia relembra o cavalo de madeira e traz Aquiles e Agamêmnon de volta como fantasmas (veja sobre o que é a Ilíada).

Como o poema é montado

Homero não começa em Troia. Começa no décimo ano da volta, com Odisseu preso na ilha de Calipso, e entrega os quatro primeiros cantos a outro personagem.

  1. Cantos 1 a 4: Telêmaco. Atena, disfarçada, anima o filho de Odisseu a enfrentar os pretendentes que devoram a casa e a navegar até Pilos e Esparta atrás de notícias do pai.
  2. Cantos 5 a 8: a libertação. Os deuses mandam Calipso soltar Odisseu. Ele constrói uma jangada, naufraga e vai parar na terra dos feácios.
  3. Cantos 9 a 12: o flashback. À mesa do rei Alcínoo, ele conta as próprias aventuras: os lotófagos, o ciclope, o saco de ventos, Circe, a terra dos mortos, as sereias, Cila e Caríbdis, o gado do Sol.
  4. Cantos 13 a 24: a volta. Em Ítaca, disfarçado de mendigo, ele põe à prova a família e os criados, vence a prova do arco, derrota os pretendentes e, por sua vez, é posto à prova por Penélope.

Quem conta o quê

Quase todos os monstros famosos saem de um único discurso depois do jantar, na voz do próprio Odisseu. O público de Homero sabia o que isso significava. Esse herói mente muito bem: em Ítaca ele inventa uma biografia falsa atrás da outra, e Atena brinca que ele não larga as artimanhas nem na própria terra (13.291–295). O rei Alcínoo, pelo menos, fica encantado.

Você contou as suas desgraças e as dos argivos como um cantor experiente.

Homero, Odisseia 11.368–369

O poema tem até um cantor profissional, o cego Demódoco, cuja canção sobre o cavalo de madeira faz Odisseu chorar e o denuncia. É um poema que sabe como as histórias são feitas, e quem tem o direito de contá-las.

O final, e a palavra

Termina com a casa recuperada e uma paz imposta por Atena, enquanto a última viagem prevista por Tirésias, com um remo terra adentro, ainda está por vir; mais em como termina a Odisseia.

O título grego, Odysseia, quer dizer apenas a história de Odisseu. Em português, “odisseia” virou palavra comum para qualquer jornada longa e cheia de percalços, da viagem de ônibus que não acaba à papelada num cartório, e o filme 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968), de Stanley Kubrick, levou a palavra para as estrelas. A conta dos dez anos está na página quanto tempo Odisseu levou para voltar.

Fontes

  • Homero, Odisseia 1 a 24, especialmente 1.1–21, 8.487–586, 9.1–38, 11.363–376, 13.287–310