A resposta curta
Dois homens, separados por um século e meio. Marco Agripa, general e genro de Augusto, construiu o primeiro Panteão nos anos 20 a.C. Depois de incêndios, o templo com cúpula que está de pé hoje foi refeito e concluído sob o imperador Adriano, provavelmente nos anos 120 d.C. Adriano manteve na fachada a inscrição de Agripa.
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O nome na fachada
Pare na Piazza della Rotonda e olhe para o pórtico. As letras grandes dizem:
M·AGRIPPA·L·F·COS·TERTIVM·FECIT
Por extenso, Marcus Agrippa Lucii filius consul tertium fecit: “Marco Agripa, filho de Lúcio, cônsul pela terceira vez, fez isto”. O terceiro consulado de Agripa foi em 27 a.C., o ano em que o amigo Otaviano virou Augusto. Embaixo, em letras menores, outra inscrição registra uma restauração feita pelos imperadores Septímio Severo e Caracala em 202 d.C. Nenhum dos dois textos cita quem construiu o prédio que você está vendo.
O Panteão de Agripa
Marco Vipsânio Agripa era amigo de Augusto desde os tempos de estudante e o general que Augusto nunca foi. Comandou a frota que venceu em Ácio, em 31 a.C., construiu aquedutos, entre eles a Aqua Virgo, que ainda abastece a Fontana di Trevi, e em 21 a.C. se casou com Júlia, filha de Augusto. Também encheu o Campo de Marte de termas, pórticos e templos. Cássio Dio registra que ele concluiu o Panteão em 25 a.C. e se pergunta de onde vem o nome. Talvez, diz Dio, porque o templo tinha estátuas de muitos deuses, Marte e Vênus entre eles, mas ele preferia pensar que a abóbada lembrava o céu.
Agripa quis dar ao prédio o nome de Augusto e pôr a estátua dele lá dentro. Augusto recusou as duas honras. Então Agripa colocou no templo uma estátua de Júlio César, já divinizado, e no pórtico as estátuas de Augusto e a dele mesmo (Dio 53.27).
A reconstrução de Adriano
O prédio de Agripa pegou fogo em 80 d.C. e foi reparado sob Domiciano; queimou de novo em 110. O que está de pé hoje é um projeto novo: um pórtico de colunas ligado a um enorme salão redondo coberto por uma cúpula de concreto. Alguns estudiosos, pelos carimbos dos tijolos, acham que a obra começou por volta de 114, sob Trajano; foi concluída sob Adriano e provavelmente inaugurada por volta de 126. O biógrafo antigo de Adriano conta que ele restaurou o Panteão e outros prédios antigos e dedicou todos em nome dos construtores originais. Não pôs o próprio nome em nenhum, a não ser no templo do pai, Trajano.
A cúpula é a maravilha. O diâmetro interno é de 43,3 metros, e a altura do piso ao topo é a mesma, de modo que uma esfera perfeita caberia lá dentro. É de concreto sem armação de ferro, mais leve perto do alto, e se abre para o céu por um olho redondo, o óculo. Dezenove séculos depois, continua sendo a maior cúpula de concreto não armado do mundo.
Por que ele sobreviveu
Em 609, o imperador bizantino Focas deu o prédio ao papa Bonifácio IV, que o consagrou como igreja de Santa Maria dos Mártires. Igreja recebia cuidados enquanto os templos pagãos viravam pedreira, e assim o Panteão manteve o teto. Ainda é igreja e também túmulo: ali estão o pintor Rafael e dois reis da Itália unificada, Vítor Emanuel II e Humberto I.
A família de Agripa foi mais longe que os prédios: o neto dele foi o imperador Calígula, e o bisneto, Nero. Muito da Roma de mármore de que Augusto se gabava está em ruínas. O templo mais bem conservado da Roma antiga ainda leva o nome do amigo dele.
Fontes
- Inscrições no pórtico do Panteão (Agripa; Septímio Severo e Caracala, 202 d.C.)
- Cássio Dio, História Romana 53.27
- História Augusta, Vida de Adriano 19.9–10
- Lise M. Hetland, “Dating the Pantheon”, Journal of Roman Archaeology (2007)