A resposta curta
Um profeta cristão chamado João, que diz ter recebido as suas visões na ilha de Patmos. Desde o século II, a tradição o identifica com o apóstolo João, filho de Zebedeu; muitos estudiosos acham que era outro João. A maioria data o livro de cerca de 95 d.C., sob o imperador Domiciano; uma minoria prefere 68 ou 69 d.C.
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O que o livro diz do autor
O autor diz o próprio nome quatro vezes, e só o primeiro nome (Apocalipse 1:1, 1:4, 1:9 e 22:8).
Eu, João, irmão e companheiro de vocês na tribulação, no Reino e na perseverança em Cristo Jesus, estava na ilha chamada Patmos por causa da Palavra de Deus e do testemunho de Jesus Cristo.
Ele se chama de servo e de irmão, e chama o livro de “profecia” (Apocalipse 1:3). Escreve a sete igrejas da Ásia romana, no oeste da atual Turquia, como alguém que elas conhecem bem. Nunca diz que é apóstolo nem que andou com Jesus na Galileia. Quando vê a nova Jerusalém, os alicerces da muralha trazem “os doze nomes dos doze apóstolos do Cordeiro” (Apocalipse 21:14), uma frase estranha na boca de um dos doze. Patmos é uma ilhota a uns 100 quilômetros de Éfeso. Roma costumava desterrar encrenqueiros em ilhas assim, e a tradição antiga diz que João foi exilado ali.
O apóstolo ou outro João?
A tradição é antiga. Por volta de 155, Justino Mártir diz que o autor foi João, um dos apóstolos de Cristo (Diálogo com Trifão 81). Irineu, por volta de 180, concorda, e assim a Igreja passou a vê-lo como João, filho de Zebedeu, o pescador da Galileia a quem também se atribuem um Evangelho e três cartas.
As dúvidas também são antigas. Por volta de 250, Dionísio, bispo de Alexandria, comparou os livros com cuidado. O Evangelho de João tem um grego fluente e correto; o Apocalipse tem um grego áspero, cheio de construções hebraicas e erros de gramática. Os dois livros usam palavras diferentes e pensam de modo diferente. Logo, concluiu, eram de dois homens chamados João, um nome comum, e lembrou que em Éfeso havia dois túmulos conhecidos como de João (Eusébio, História Eclesiástica 7.25). A maioria dos estudiosos de hoje dá razão a Dionísio: João de Patmos seria um profeta judeu cristão, mergulhado nos profetas hebreus, e não o autor do Evangelho. Muitos leitores tradicionais ainda atribuem os dois livros ao apóstolo.
Quando foi escrito
Irineu diz que João teve a visão perto do fim do reinado de Domiciano (Contra as Heresias 5.30.3), imperador de 81 a 96 d.C. Daí a data mais aceita, por volta de 95 d.C., que combina com o mundo do livro: um imperador que gostava de ser saudado como dominus et deus noster, nosso senhor e deus (Suetônio, Domiciano 13); um templo novo aos imperadores em Éfeso; e Roma chamada de Babilônia, apelido que judeus e cristãos usavam depois que Roma queimou o Templo, em 70 d.C. Uma minoria prefere 68 ou 69 d.C., logo depois de Nero, lendo os “sete reis” de Apocalipse 17:10 como uma lista de imperadores. O enigma do número de Nero está em O que significa 666?
Apocalipse quer dizer revelação
Em português o livro se chama Apocalipse, do grego apokalypsis, “desvelamento”: uma cortina que se abre. Por isso a primeira frase, na Bíblia Portuguesa Mundial, diz: “Esta é a Revelação de Jesus Cristo” (Apocalipse 1:1). O sentido de catástrofe, de “apocalíptico” como sinônimo de fim do mundo, veio muito depois. No Oriente grego, o autor é chamado de João, o Teólogo, e o mosteiro do século XI que fica acima da gruta onde ele teria tido as visões, em Patmos, ainda leva esse nome.
Fontes
- Apocalipse 1:1–11; 17:9–11; 21:14; 22:8
- Justino Mártir, Diálogo com Trifão 81
- Irineu, Contra as Heresias 5.30.3
- Dionísio de Alexandria, em Eusébio, História Eclesiástica 7.25
- Suetônio, Domiciano 13
As citações bíblicas são da Bíblia Portuguesa Mundial, que está em domínio público.