Roma Antiga · Pessoas

Quem foi Átila, o Huno?

A resposta curta

Átila foi rei dos hunos de 434 a 453, primeiro com o irmão Bleda, depois sozinho. Das planícies da atual Hungria, dominou povos do Reno até perto do mar Negro, arrancou ouro de Constantinopla e invadiu a Gália em 451 e a Itália em 452. Nunca tomou Roma. Morreu na noite de núpcias, em 453.

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Os hunos antes de Átila

Os hunos saíram das estepes ao norte do mar Negro por volta de 370, arqueiros a cavalo que os romanos mal conheciam. Empurraram os godos para o outro lado do Danúbio, a corrente de fatos que terminou no desastre romano de Adrianópolis, em 378 (veja por que o Império Romano caiu). No início do século V, os seus reis já governavam das planícies da atual Hungria. Átila, nascido por volta de 406, era sobrinho do rei Rua; o nome talvez seja gótico e queira dizer paizinho. Quando Rua morreu, em 434, Átila e o irmão mais velho, Bleda, assumiram juntos. Por volta de 445, Átila mandou matar Bleda.

Ouro de Constantinopla

A primeira vítima foi o Império do Oriente. Em Margo, no Danúbio, os irmãos negociaram montados, à moda huna, e obrigaram Constantinopla a dobrar o tributo anual para 700 libras romanas de ouro. Nos anos 440, romperam a fronteira e tomaram Singiduno, a atual Belgrado, e Naísso, a cidade natal de Constantino. A paz de 443 custou ao Oriente 6.000 libras de ouro de uma vez e 2.100 por ano. Constantinopla pagou, mas as suas muralhas nunca caíram diante dele (veja por que o Oriente durou mais).

Um enviado grego, Prisco, jantou na corte dele em 449. Os convidados comiam em pratos de prata; Átila comia carne num prato de madeira e bebia numa taça de madeira. Jordanes, usando Prisco, descreve um homem baixo, de peito largo, cabeça grande, olhos pequenos e barba rala já grisalha.

A Gália, a Itália e o papa

Em 450, Honória, irmã do imperador do Ocidente, Valentiniano III, mandou a Átila o seu anel com um pedido de socorro contra um casamento forçado. Ele entendeu aquilo como pedido de casamento e exigiu metade do Império do Ocidente como dote. Em 451, invadiu a Gália, onde o general romano Aécio e os visigodos o seguraram num empate nos Campos Cataláunicos. Em 452, foi para cima da Itália e arrasou Aquileia; a tradição diz que os refugiados que fugiram para as ilhas da laguna ajudaram a fundar Veneza.

Perto de Mântua, junto ao rio Míncio, ele recebeu uma embaixada chefiada pelo papa Leão I e deu meia-volta. Próspero da Aquitânia, um homem da Igreja, dá todo o mérito a Leão. O cronista hispânico Hidácio aponta fome e doença no exército huno e um ataque romano do Oriente às terras dos hunos. Séculos depois, Rafael pintou a cena no Vaticano, com são Pedro e são Paulo empunhando espadas no céu. Seja como for, Átila nunca tomou Roma.

Por que flagelo de Deus?

O título não é da época dele. Nasceu de lendas cristãs posteriores, que fizeram de Átila um instrumento do castigo divino. A ideia por trás dele é bíblica: os profetas descreviam conquistadores estrangeiros como ferramentas nas mãos de Deus, e Isaías diz isso da Assíria.

Ai do assírio, a vara da minha ira, o bordão em cuja mão está a minha indignação! Eu o enviarei contra uma nação profana, e contra o povo que me irrita eu lhe darei ordem para tomar o despojo e para tomar a presa, e para pisá-los como a lama das ruas.

Isaías 10:5–6

Escritores do próprio século de Átila liam as invasões do mesmo jeito. Salviano de Marselha defendia, por volta de 440, que os bárbaros venciam porque os pecados dos romanos mereciam.

Morte na noite de núpcias

Em 453, Átila se casou com uma moça chamada Ildico. Na manhã seguinte à festa, os criados arrombaram a porta e o encontraram morto, sem ferida nenhuma, com a noiva chorando debaixo do véu. Jordanes diz que um sangramento do nariz o sufocou enquanto ele dormia bêbado, de barriga para cima. Foi enterrado à noite em três caixões, de ouro, de prata e de ferro. Os filhos brigaram pela herança, os povos dominados se revoltaram e, em poucos anos, o império tinha sumido. A lenda o manteve vivo como Etzel, na Canção dos Nibelungos, e Atli, nas sagas nórdicas.

Fontes

  • Prisco de Pânio, História, fragmentos (a embaixada de 449)
  • Jordanes, Getica 35–50
  • Próspero da Aquitânia, Crônica, ano 452; Hidácio, Crônica, ano 452
  • Salviano de Marselha, Sobre o governo de Deus 7
  • Isaías 10:5–6
  • Christopher Kelly, Attila the Hun: Barbarian Terror and the Fall of the Roman Empire (2008)