A resposta curta
Calipso é uma deusa, uma ninfa filha de Atlas, que vive sozinha na ilha de Ogígia. Ela salvou Odisseu de um naufrágio e o reteve por sete anos, prometendo torná-lo imortal e livre da velhice se ele ficasse como marido dela. Ele recusou. Quando Zeus mandou Hermes exigir a libertação, ela o ajudou a construir uma jangada.
Revisado em
A deusa de Ogígia
Homero põe a ilha dela no umbigo do mar, como diz o grego, longe de qualquer cidade dos homens (Odisseia 1.50). O pai é Atlas, o titã que segura as colunas que mantêm a terra e o céu separados (1.52–54). Quando Hermes chega no canto 5, encontra uma gruta com fogo de cedro e sândalo, uma parreira carregada de uvas na entrada, quatro fontes e prados de violetas. Lá dentro, Calipso canta enquanto tece com uma lançadeira de ouro. Até o deus se detém para admirar (5.55–75).
O nome dela costuma ser explicado pelo grego kalyptein, esconder, cobrir. Ela é aquela que esconde Odisseu, e o poema também o esconde: fala-se dele durante quatro cantos, e ele só entra em cena no canto 5, na praia dela.
Sete anos e uma proposta
Odisseu chegou a Ogígia sozinho, agarrado a uma quilha, depois que Zeus atingiu com um raio o último navio dele (5.130–134). Ficou “sete anos a fio”, como conta mais tarde aos feácios, molhando de lágrimas as roupas que ela lhe deu (7.259–260). Homero deixa claro que ele ficou contra a vontade. De dia, sentava nas pedras e olhava o mar (5.151–158).
Calipso o queria como marido e ofereceu o que nenhuma mulher mortal poderia: torná-lo imortal e livre da velhice para sempre (5.135–136). Chega a perguntar se uma esposa mortal se compara a uma deusa. A resposta dele é um primor de delicadeza.
Sei muito bem que Penélope, a minha mulher, não é tão alta nem tão bela quanto você. Ela é só uma mulher, e você é imortal. Mesmo assim, quero voltar para casa, e não consigo pensar em outra coisa.
Por que ele disse não
Homero nunca facilita a escolha. Calipso é bela, dedicada e imortal; Ítaca é uma ilha pedregosa onde os problemas esperam. Odisseu não finge que Penélope é mais bonita. Admite o contrário e a escolhe mesmo assim, com velhice e morte de brinde. Seis cantos depois, o fantasma de Aquiles diz que preferia ser criado de um pobre, mas vivo, a ser rei dos mortos (quem Odisseu encontrou no mundo dos mortos). Lidas juntas, as duas cenas apontam para o mesmo lado: uma vida mortal, com casa e nome, vale mais do que uma vida sem fim e sem nada disso.
A ordem dos deuses e a jangada
A libertação começa no Olimpo. Atena intercede por Odisseu, e Zeus manda Hermes avisar Calipso da decisão dos deuses (1.81–87; 5.28–42). Ela responde com amargura que os deuses têm ciúme sempre que uma deusa se une a um mortal: mataram Órion, amado pela Aurora, e Iásion, amado por Deméter (5.118–129). Mesmo assim, obedece. Jura pela água do Estige que não lhe quer mal, dá a ele um machado de bronze, uma enxó, verrumas e pano para a vela, e em quatro dias ele constrói uma jangada. No quinto, ela o despede com vinho, água, comida e um vento morno e favorável (5.178–268).
Esses sete anos são o maior pedaço da ausência de dez anos. No décimo oitavo dia de mar, Poseidon despedaça a jangada, e Odisseu chega a nado à praia onde vai encontrar Nausícaa. Calipso não volta a aparecer em cena. Hesíodo, nos versos finais da Teogonia, dá à deusa e a Odisseu dois filhos, Nausítoo e Nausínoo (Teogonia 1017–1018).
Fontes
- Homero, Odisseia 1.11–87; 5.1–281; 7.243–266
- Hesíodo, Teogonia 1017–1018