Mitos gregos · Fatos

Por que Poseidon tinha raiva de Odisseu?

A resposta curta

Porque Odisseu cegou o filho de Poseidon, o ciclope Polifemo, e depois gritou do navio o nome verdadeiro. Com esse nome, o gigante pediu ao pai que Odisseu nunca voltasse para casa ou, se voltasse, que chegasse tarde, sem nenhum dos homens, num navio alheio, e encontrasse problemas em casa. Poseidon ouviu, e tudo se cumpriu.

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O grito a bordo

Odisseu já tinha vencido. O gigante estava cego, os homens tinham saído da caverna e o rebanho estava a bordo. Enquanto o navio se afastava, ele provocou o gigante uma vez, e Polifemo arrancou o topo de um morro e o arremessou; a onda quase jogou o barco de volta à praia. A tripulação implorou que ele ficasse calado (Odisseia 9.494–499). Ele gritou de novo, e dessa vez disse o nome.

Ciclope, se alguém perguntar quem foi que furou o seu olho e estragou a sua beleza, diga que foi o valente guerreiro Ulisses, filho de Laertes, que mora em Ítaca.

Homero, Odisseia 9.502–505

Ulisses é a forma latina do nome, e há uma página sobre Odisseu e Ulisses. Repare como a bravata é completa: nome, pai e ilha. O gigante geme que uma velha profecia se cumpriu. Um adivinho chamado Télemo tinha dito que ele perderia a vista pelas mãos de Odisseu, e Polifemo sempre esperou um gigante, não um homenzinho à toa que o venceu com vinho (9.507–516).

A prece, parte por parte

Então Polifemo ergue as mãos para o céu e reza ao pai, usando cada pedaço do nome que acabou de ouvir.

Faça com que Ulisses nunca chegue vivo em casa; ou, se ele tiver de rever os amigos um dia, que chegue tarde e em grande aflição, depois de perder todos os homens.

Homero, Odisseia 9.530–534

Um último verso, que o tradutor Samuel Butler desconfiava ser acréscimo posterior, fecha a maldição: num navio alheio, e com problemas em casa. Homero completa com poucas palavras: Poseidon ouviu. O resto da Odisseia mostra a maldição se cumprindo.

  • Tarde. Ele chega a Ítaca no vigésimo ano depois de partir para Troia, dez anos depois do fim da guerra.
  • Sem os homens. Doze navios saem de Troia, e a última tripulação morre depois de comer o gado do Sol.
  • Num navio alheio. Os feácios o levam para casa, adormecido, num navio deles.
  • Problemas em casa. Ele encontra 108 pretendentes devorando os rebanhos e cortejando Penélope.

Tirésias repete a sentença

Na terra dos mortos, o profeta Tirésias começa pelo mesmo veredito: Poseidon guarda rancor pela cegueira do filho (11.100–103). Mais adiante, repete o fim da maldição quase palavra por palavra: tarde, na miséria, sozinho, num navio estranho, para uma casa cheia de homens comendo os seus bens (11.113–117). E dá o remédio. Depois de acertar as contas com os pretendentes, Odisseu deve levar um remo terra adentro até que um viajante o confunda com uma pá de abanar trigo, fincá-lo ali e sacrificar a Poseidon um carneiro, um touro e um javali (11.121–131). O resto do encontro está na página quem Odisseu encontrou no mundo dos mortos.

Até onde foi o rancor

O poema já começa com a raiva antiga. Todos os deuses têm pena de Odisseu, menos Poseidon (1.19–21), e Zeus explica: o deus do mar não vai matá-lo, mas não o deixa chegar em casa porque ele cegou Polifemo, filho de Poseidon com a ninfa Toosa (1.68–75). Os deuses só libertam Odisseu da ilha de Calipso enquanto Poseidon está longe, num banquete entre os etíopes.

Na volta, o deus avista a jangada no décimo oitavo dia de viagem e a despedaça com todos os ventos ao mesmo tempo (5.278–296). Odisseu chega a nado à terra dos feácios, e eles pagam caro pela ajuda. Poseidon reclama com Zeus: queria que Odisseu voltasse só depois de muito sofrer, e agora estranhos o levaram para casa carregado de presentes (13.125–138). Com a permissão de Zeus, transforma em pedra o navio deles, à vista do próprio porto (13.159–164).

Homero nunca diz que o deus tem razão. Um filho foi mutilado e um pai se vingou, e quem fez aquilo entregou de bandeja o próprio nome.

Fontes

  • Homero, Odisseia 9.473–536
  • Homero, Odisseia 1.19–21, 1.68–79; 5.278–296; 11.100–137; 13.125–187