A Guerra Fria · Pessoas

Quem foi Conrad Schumann?

A resposta curta

Conrad Schumann era um policial de fronteira da Alemanha Oriental, de dezenove anos. Em 15 de agosto de 1961, dois dias depois do fechamento da fronteira, pulou o arame farpado na rua Bernauer, rumo a Berlim Ocidental, e largou a submetralhadora no ar. A foto de Peter Leibing fez dele o rosto do Muro. Morreu na Baviera, em 1998.

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Dois dias depois do arame

Conrad Schumann era da Saxônia, no sul da Alemanha Oriental. Em agosto de 1961, tinha dezenove anos e era policial de fronteira, destacado para a nova linha que a RDA tinha fechado em Berlim na noite de 12 para 13 de agosto, pelos motivos explicados aqui. Na terça-feira, 15 de agosto, ele montava guarda na esquina das ruas Bernauer e Ruppiner, onde a barreira ainda era só um rolo de arame farpado de uns 80 centímetros de altura.

Do outro lado, moradores de Berlim Ocidental gritavam para ele passar. Uma viatura da polícia de Berlim Ocidental esperava a uns dez metros, com a porta aberta. Schumann andou de um lado para o outro, testou o arame com a bota e, de repente, correu, saltou e largou a submetralhadora no ar. Em segundos, estava dentro da viatura e longe dali.

A foto e o filme

A câmera de Peter Leibing o flagrou no ar, por cima do arame. Um cinegrafista, Dieter Hoffmann, filmou o mesmo instante quase do mesmo lugar. A foto de Leibing, muitas vezes legendada em alemão como Sprung in die Freiheit, o salto para a liberdade, correu o mundo e virou uma das imagens mais conhecidas da Guerra Fria.

Os dois lados leram a cena de jeitos opostos. No Ocidente, foi vista como prova de que quem construiu o Muro não podia confiar nem nos próprios guardas. A Alemanha Oriental chamou Schumann de desertor e tirou uma lição prática: arame dá para pular. Em poucos dias, blocos de concreto foram assentados ao longo da linha. A maioria dos guardas ficou no posto, uns porque acreditavam na fronteira, outros por medo da prisão, e as unidades passaram a mandar os homens em duplas, um vigiando o outro.

Uma vida na Baviera

No Ocidente, Schumann se fixou na Baviera e trabalhou por muitos anos numa fábrica de carros. A família ficou na Saxônia, e, como desertor, ele não podia voltar para visitá-la.

A noite em que o Muro se abriu mudou isso. Depois de novembro de 1989, ele pôde voltar à Saxônia, e mais tarde disse: “Só desde 9 de novembro de 1989 eu me sinto realmente livre.” Ele morreu na Baviera em 1998.

Onde foi o salto

Na rua Bernauer, a fronteira passava rente às fachadas, e ali aconteceu mais de uma cena famosa naquelas primeiras semanas. Antes de as portas e janelas serem fechadas com tijolos, moradores saíam pelas janelas e pulavam nas redes dos bombeiros de Berlim Ocidental. Uma semana depois do salto de Schumann, uma mulher que pulou da janela ali se tornou a primeira pessoa a morrer no Muro, como conta a página Quantas pessoas morreram no Muro de Berlim?

Hoje a rua abriga o Memorial do Muro de Berlim, que conserva um trecho da faixa da fronteira e uma torre de vigia, e onde as camadas do Muro ainda podem ser vistas no lugar.

Fontes

  • Peter Leibing, foto de Conrad Schumann, rua Bernauer, 15 de agosto de 1961
  • Memorial do Muro de Berlim (Gedenkstätte Berliner Mauer), rua Bernauer, Berlim
  • Frederick Taylor, The Berlin Wall: A World Divided, 1961–1989 (2006)